Vira-lata assume "paternidade" de filhotes de golden e prova que "pai é quem cria"
Cachorro sem raça definida cuida de filhotes de golden retriever desde recém-nascidos e emociona as redes sociais
Por Camila Valmorbida em Aqueça o coração
Um cão vira-lata de pelagem preta virou assunto nas redes sociais ao adotar, por conta própria, o papel mais improvável possível: o de pai de uma ninhada de filhotes de golden retriever.
O detalhe que emociona quem assiste é que ele não tem nada a ver com a genética daqueles filhotinhos cor de creme. Ele não é o pai biológico e, como brincou a família no vídeo, "não participou da concepção". Ainda assim, decidiu que aqueles bebês eram responsabilidade dele.
"Meu vira-lata acha que é o pai dos goldinhos"
Foi assim que a tutora abriu a legenda do vídeo, publicado no perfil A grande família Pet (@agrandefamilia.pet).
Do tapete da sala ao quintal
As imagens mostram a relação em todas as fases. No começo, quando os filhotes eram apenas bolinhas de pelo recém-nascidas, o vira-lata já aparecia deitado no tapete vermelho da sala, deixando que eles dormissem grudados no seu corpo, como se fizessem parte da mesma ninhada.
Ele cheirava um por um com cuidado, ajeitava a posição devagar para não esmagar nenhum e ficava ali, imóvel, montando guarda enquanto a ninhada dormia.
Conforme os goldinhos foram crescendo, o vínculo só apertou. O cão preto passou a acompanhá-los pela casa.
Deitava no meio da bagunça toda para que os pequenos subissem nas suas costas e o puxassem pelas orelhas. Não reclamava uma única vez.
Onde ele ia, o bando de filhotes ia atrás, tropeçando nas próprias patas para não perder o pai de vista.

Já mais firmes nas quatro patas, os filhotes ganharam o quintal. E é ali que aparece a cena mais bonita.
O vira-lata corre pela grama com a criançada atrás. Rola com eles. E se finge de derrotado toda vez que um filhote pula em cima dele.
Um pai coruja em serviço integral.
Em nenhum momento ele demonstra impaciência. Divide o espaço e aceita as mordidinhas de brincadeira. Quando resolve descansar, vigia a bagunça de longe. É o tipo de paciência que só aparece em quem realmente se afeiçoou.
Nas imagens no quintal, dá para ver que os filhotes já estão bem maiores, quase do tamanho do pai adotivo. Mesmo assim continuam procurando o vira-lata para brincar.
Um deles se joga de barriga para cima esperando o cão preto se aproximar. Os outros disputam a atenção dele ao redor.
A cena poderia ser a de uma ninhada com a própria mãe, não fosse a diferença gritante de cor e de raça entre eles.
"Pai é quem cria"
A frase que a família escolheu para acompanhar o vídeo diz tudo.
"Pai é quem cria, concordam?"
E quem assistiu concordou. O vídeo passou de 258 mil visualizações e 51 mil curtidas, com 887 comentários de gente comovida com a dupla.
A conta, que reúne 124 mil seguidores e se descreve como de protetores de animais, transformou uma rotina simples de quintal em uma pequena aula sobre o que significa cuidar.
A cena rendeu tanto que ultrapassou o perfil original e foi parar em outras páginas de animais, que repostaram o vídeo com a mesma observação: ele não é golden nem participou da concepção, mas se comporta como pai da ninhada.
Por trás da fofura, o vídeo carrega uma mensagem que explica boa parte do carinho do público. Aquele cão sem raça definida, sem pedigree nenhum para exibir, é justamente o que aparece cuidando com mais zelo.
Uma pequena defesa dos vira-latas, feita sem dizer uma palavra.
Não é a primeira vez que o perfil mostra esse tipo de cena. A conta se dedica a registrar o dia a dia dos animais que vivem na casa e já acumulava seguidores fiéis antes de o vídeo viralizar.
Foi esse costume de filmar as pequenas rotinas que garantiu o registro raro da relação desde o primeiro dia dos filhotes.
E o que ele faz é mais incomum do que parece. Segundo o American Kennel Club, cães machos não herdaram dos lobos o instinto de cuidar de filhotes.
O veterinário Carlo Siracusa, da Universidade da Pensilvânia, explica à entidade que os cães não são programados para isso. Tolerar os pequenos é comum. Cuidar, não.
Mas ver isso acontecer no tapete da sala, entre um vira-lata e uma ninhada de golden, tem um charme que nenhum livro explica.
No fim das contas, é disso que se trata. Não importa se o cão veio de pedigree ou da rua, se é da mesma cor ou de raça diferente.
Pai, de verdade, é quem aparece todos os dias, deita no chão junto e deixa puxarem as suas orelhas sem nunca sair de perto.
Camila é técnica em vestuário e formada em design de moda, então repara no caimento de tudo, inclusive no pelo dos próprios cachorros. Mora com o Bilbo, um Yorkshire, e a Sara, uma Lulu da Pomerânia, dupla que garante que nenhuma roupa preta dela sobreviva a uma tarde inteira. Gosta de tecido, de cor e de entender como as coisas são feitas por dentro, hábito que levou para o jeito de escrever sobre pets.









