'Bárcia, to buito bal': Cachorrinha precisa fazer inalação e comportamento exemplar ganha aprovação de tutora
Lótus tem 2 anos e ficou com espirro e tosse reversa. A veterinária indicou inalação em casa, duas vezes ao dia.
Por Camila Valmorbida em Cães
Em 1º de setembro, uma pinscher branca com manchas marrons apareceu num vídeo deitada no colo da dona, enrolada num pano.
No focinho dela, a máscara de inalação. E as duas patinhas em cima da máscara, segurando.
Ela não se mexe. Nos oito segundos do vídeo, não tenta tirar, não vira a cabeça, não reclama.
"Você viu ela segurando? Achei que fosse ser um caos, mas acho que ela percebeu que fez bem e ficou quietinha"
Quem conta é Carolina Mendonça, a tutora, em conversa com a reportagem. A cadela se chama Lótus e tem 2 anos.
O vídeo saiu no perfil @camendonza e passou de 79 mil curtidas. Na legenda, ela mesma puxou o assunto que tomou conta dos comentários:
"E tem gente que fala que pinscher é bravo"
Por que ela precisou de inalação?
Lótus ficou gripada.
"Ela ficou gripadinha e começou a juntar catarro. Estava com muito espirro e tosse reversa"
A veterinária que cuida dela preferiu não começar pelo remédio:
"Foi indicação da veterinária dela, para evitar tomar remédio forte. Ela passou a recomendação e estou fazendo em casa, duas vezes ao dia"
São sete dias de tratamento. Quando Carolina respondeu à reportagem, estavam apenas no segundo.
O que é tosse reversa?
O nome assusta mais do que a coisa em si. O blog da Cobasi traz informações da médica-veterinária Aline Ambrogi Franco Prado e chama o quadro de espirro reverso. É um reflexo em que o cão puxa o ar para dentro das narinas, em vez de empurrar para fora.
Vem de uma irritação na parte de trás da garganta, e o susto está no som. A publicação descreve como "ronco, chiado ou sucção", parecido com o grasnar de um ganso.
O episódio costuma durar entre 10 e 30 segundos, e em alguns casos chega a três minutos.
A mesma publicação diz que o reflexo é inofensivo e passa sozinho na maioria das vezes, e que aparece mais em cães de porte pequeno, como a Lótus, e nas raças de focinho achatado.
O sinal de alerta é quando ele vem acompanhado. Secreção no nariz, tosse constante ou dificuldade para respirar pedem consulta, segundo a mesma fonte. Foi exatamente o caminho que Carolina tomou.
O susto que ficou de fora
Aqueles oito segundos dão a impressão de uma cadela que já nasceu paciente. Não começou assim.
"Ela assustou com o barulho e não entendeu muito bem no começo não, inclusive ficava empurrando com a patinha"
O que virou o jogo levou menos de um minuto:
"Nem 1 minuto depois, justamente porque eu acho que ela sentiu que foi bom, ela já pegou a patinha e ficou segurando junto"

Ou seja, o vídeo pegou a segunda parte da história. A primeira, a do medo do barulho e da patinha empurrando o aparelho, ficou de fora.
A virada que o mundo inteiro viu e achou incrível levou menos de um minuto para acontecer.
Zero bravas, mas tremem
Lótus está bem melhor. A tutora conta que ela voltou a brincar e está comendo e bebendo bastante água.
Em casa não tem só ela. Tem também a Teca, uma pinscher preta e castanha que chegou depois, e as duas dormem uma em cima da outra no sofá.
Antes delas vieram outras: Carolina diz que teve pinscher a vida inteira. É por isso que ela ri da fama que a raça carrega na internet.
"As duas são um amorzinho. São zero bravas, mas a tremedeira é real"

Antes que alguém pense em repetir a cena em casa, fica o aviso de que a própria Carolina seguiu: inalação em cachorro se faz com indicação de veterinário, para o caso daquele cachorro. O que serviu para a Lótus foi receitado para a Lótus.
Passados os sete dias, ela volta a ser o que é. E o que ela é está todo no perfil que a Carolina mantém em nome dela, escrito como se quem digitasse fosse a cachorra. "Controlo esse insta com minhas patinhas", diz a descrição, logo abaixo de "viciada em sol, brinquedinhos e soneca".
Lá tem o dia de banho. Ela sai de casa no colo, de orelha em pé, e volta com um laço na cabeça e uma cara de quem sabe muito bem que está bonita.
Camila é técnica em vestuário e formada em design de moda, então repara no caimento de tudo, inclusive no pelo dos próprios cachorros. Mora com o Bilbo, um Yorkshire, e a Sara, uma Lulu da Pomerânia, dupla que garante que nenhuma roupa preta dela sobreviva a uma tarde inteira. Gosta de tecido, de cor e de entender como as coisas são feitas por dentro, hábito que levou para o jeito de escrever sobre pets.







