“Hoje não, rapaz!”: biólogo vê mulher empurrando bichinho para ser atropelado e para o carro para salvá-lo
Por Ana Carolina Câmara em Mundo Animal
O biólogo Christian Raboch Lempek, de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, voltava do almoço quando, ao passar por uma rua, se deparou com uma cena que o fez parar o carro imediatamente.
Uma mulher havia encontrado um sapo cururu em sua casa e, assustada com a presença do animal, começou a empurrá-lo com uma vassoura para o meio da rua, com a intenção de que ele fosse atropelado.
Ao perceber o que estava acontecendo, Christian decidiu intervir.
Para o biólogo, animais como sapos, gambás e raposas, muitas vezes vistos com medo ou preconceito, são importantes aliados do meio ambiente e exercem funções essenciais para o equilíbrio da natureza.
Por isso, ele desceu do carro e foi até o sapinho de coloração amarelada para retirá-lo da rua.
O resgate
Christian precisava de alguma coisa para transportar o anfíbio e pediu uma sacolinha ou caixa a uma vizinha que acompanhava toda a situação.
A mulher, inclusive, também havia tentado impedir que o sapo fosse jogado na rua. Ao observar o animal mais de perto, ela se surpreendeu.
"Olha que lindo isso."
Depois de conseguir uma sacolinha, Christian voltou para o carro com o sapinho. No entanto, antes de levá-lo para uma área segura, o biólogo decidiu aproveitar aquele encontro para explicar algumas curiosidades sobre o sapo-cururu.
Uma delas envolvia justamente a aparência de sua pele.
Para que servem as glândulas do sapo?
Christian explicou que algumas das estruturas visíveis na pele do animal são glândulas responsáveis pela produção de secreções utilizadas como mecanismo de defesa.
Nos sapos cururus, destacam-se as chamadas glândulas parotoides, localizadas atrás dos olhos. Elas produzem uma secreção tóxica que pode ser liberada quando a região é pressionada, como acontece, por exemplo, quando um predador tenta morder o animal.
Durante a demonstração, Christian mostrou que o sapinho apresentava um pouco dessa secreção. Ao pressionar a região, uma quantidade maior acabou sendo expelida.
Apesar da fama, isso não significa que o sapo saia "cuspindo veneno" nas pessoas.

O animal não possui ferrões ou dentes para injetar a substância. Sua defesa é considerada passiva, ou seja, a secreção costuma ser liberada principalmente quando as glândulas são comprimidas.
Esse é um dos motivos pelos quais tutores precisam ter atenção caso cães tentem morder sapos, já que o contato da secreção com a boca e as mucosas pode provocar intoxicação.
Christian também explicou que, caso a substância entre em contato apenas com a pele, a orientação é lavar bem o local com água e sabão.
"Ter medo não justifica"
O biólogo ressaltou que entende que algumas pessoas tenham medo ou sintam desconforto ao encontrar um sapo dentro de casa.
Ainda assim, destacou que isso não justifica colocar o animal em risco, principalmente empurrando-o para uma rua onde poderia ser atropelado.
Depois de concluir as explicações, Christian levou o sapinho até uma área de mata, onde o soltou em segurança.
A repercussão
Christian filmou todo o resgate e compartilhou o vídeo em seu perfil no Instagram, @biologo.christian, no dia 1º de setembro.
Na legenda da publicação, o biólogo escreveu:
"Hoje não, rapaz!!"
O vídeo rapidamente chamou a atenção dos internautas e ultrapassou 1 milhão de visualizações, além de acumular milhares de comentários.
Muitas pessoas aproveitaram para contar suas próprias experiências com sapos que aparecem em casa.
"Eu tenho o Godofredo, que faz do pote de água da minha cachorra uma piscina", brincou uma seguidora.
Outra pessoa comemorou o fato de Christian ter passado pelo local justamente naquele momento.
"Que bom que você cruzou o caminho dele."
Assista:
Por que os sapos são importantes?
Apesar de despertarem medo em algumas pessoas, os sapos desempenham um papel importante no equilíbrio ambiental.
Eles se alimentam de insetos e outros pequenos invertebrados, contribuindo naturalmente para o controle de suas populações. Dependendo da espécie, podem consumir mosquitos, formigas, cupins, aranhas e outros animais pequenos.
Além disso, os anfíbios também fazem parte da cadeia alimentar e servem de alimento para diversas espécies.
O nome sapo cururu, inclusive, não se refere necessariamente a uma única espécie. Ele é usado popularmente para diferentes sapos, especialmente aqueles pertencentes ao gênero Rhinella, conhecidos pelo corpo robusto, pele rugosa e grandes glândulas atrás dos olhos.
Outra crença comum é que encostar em um sapo pode provocar "cobreiro". Isso é um mito. O simples contato com a pele do animal não causa herpes-zóster.
Por isso, quando um sapo aparece em um quintal ou jardim, o melhor caminho é evitar machucá-lo e permitir que siga seu caminho. Caso seja necessário removê-lo de algum local, é possível conduzi-lo cuidadosamente para uma área protegida.
No fim, o encontro inesperado de Christian com aquele pequeno sapo não terminou apenas com um resgate. A situação também serviu para mostrar que, muitas vezes, conhecer melhor esses animais é o primeiro passo para deixar de temê-los e começar a respeitá-los.
Redatora e apresentadora do Canal Amo Meu Pet.
Com formação em Design de Produtos e especialização em Design de Interiores pela Universidade de Passo Fundo, a Ana encontrou sua verdadeira paixão ao unir criatividade, comunicação e o amor pelos animais.
Apaixonada por contar histórias que tocam o coração, ela estudou Escrita Criativa com o escritor Samer Agi e participa do programa JournalismAI Discovery, organizado pela Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres e a Iniciativa de Notícias do Google, buscando se aprofundar no universo digital.
Hoje, dedica-se a produção de conteúdos que informam, emocionam, conscientizam e arrancam sorrisos.









