Mulher tinha medo da pitbull idosa que apareceu em sua escada, até perceber que ela só precisava de ajuda
Por Larissa Soares em Aqueça o coração
Angélica levou um susto ao encontrar uma cadela pitbull idosa sentada na escada de sua casa, em São Paulo.
O primeiro contato foi marcado pelo receio de chegar perto por causa do porte e da raça, mas a preocupação logo mudou de direção quando ela percebeu que a cachorra estava sozinha e precisava de ajuda.
A cadela havia aberto o portão da residência e simplesmente escolhido a escada como lugar para ficar. Em 6 de setembro, Angélica publicou o pedido de ajuda para tentar localizar o tutor.
"Cachorra abriu meu portão e sentou na escada. Quem conhecer por favor avisar que está aqui no São João."
Angélica estava com medo de se aproximar, mas logo acabou descobrindo que a cadela era muito dócil. Enquanto tentava encontrar uma solução, ela e o marido começaram a cuidar dela.
Como não podiam colocá-la dentro de casa, já que a família tinha outro cachorro da mesma raça, eles deixaram água, comida e uma coberta para protegê-la do frio.
Os vizinhos também entraram na mobilização. Um deles providenciou uma casinha, ainda que pequena, para que a cadela tivesse um espaço protegido enquanto aguardava ajuda.
A dificuldade maior era encontrar alguém que pudesse assumir o resgate. Angélica contou que havia ligado para vários lugares e enviado mensagens para diversas pessoas, mas não conseguia atendimento.
Enquanto isso, a cadela permanecia na vizinhança recebendo comida, água, abrigo e carinho.
Nova chance para Peppa
A cachorra recebeu o nome de Peppa e acabou conquistando uma rede de pessoas dispostas a ajudá-la. Uma delas foi Bruna Rinaldi, que decidiu oferecer um lar temporário até que aparecesse uma família definitiva.
Bruna mora em Pirituba, na zona oeste de São Paulo, enquanto Peppa estava em Guarulhos. Mesmo assim, ela decidiu fazer o deslocamento para buscar a cadela e tirá-la das ruas.
Bruna levou Peppa para casa e preparou um espaço confortável para a nova hóspede. A cadela recebeu comida, água, brinquedos e muito carinho. Como Bruna já tinha duas cachorras, ela separou alguns brinquedos que não estavam sendo usados para que Peppa pudesse se distrair.
A mudança parece ter sido bem-vinda. Segundo Bruna, a cadela comeu, descansou e dormiu depois de chegar.
Enquanto Peppa recuperava as energias, Bruna começou a procurar uma família definitiva. Fez publicações, preparou materiais para divulgação e entrou em contato com diferentes pessoas e lugares que poderiam ajudar.
Foi assim que surgiu Ana.
Peppa encontrou uma família
Ana conheceu a história por meio das publicações feitas por Angélica no Facebook. Depois de conversar com ela e com Bruna, demonstrou interesse em ficar com Peppa.
A nova tutora já tinha experiência com cães da raça e também ajudava animais resgatados. Segundo Bruna, Ana mantém um brechó cuja renda é destinada a auxiliar bichinhos resgatados.
Além disso, ela já tinha dois cães em casa e espaço suficiente para receber a nova integrante da família.
Peppa, então, deixou o lar temporário e seguiu para a casa definitiva. A mudança exigiu até uma solução de transporte específica. Como Bruna não tinha mais o carro disponível, ela recorreu a um serviço de transporte para cães para levar a cadela até Guarulhos.
Peppa fez o trajeto confortavelmente acomodada no veículo e recebeu ajuda inclusive da motorista.
Quando chegou ao novo endereço, a cadela parece ter entendido rapidamente que havia encontrado um lugar para ficar. Bruna contou que ela já havia se acomodado na cama da nova tutora.
A preocupação agora era fazer a adaptação com os dois cães que já moravam na casa. Como Peppa chegou com um histórico desconhecido e também reagiu com um rosnado quando viu as cachorras de Bruna, a recomendação foi evitar uma aproximação nos primeiros dias.
Na casa de Ana, os três cães seriam mantidos em cômodos separados durante cerca de uma semana, permitindo uma adaptação gradual antes de uma convivência mais próxima.
O olhar de Peppa também precisava de cuidados
Além da idade e do período passado nas ruas, Peppa apresentava alterações na região dos olhos. Bruna explicou que muitas pessoas ficaram preocupadas com a aparência dela e começaram a levantar possibilidades sobre o que poderia estar acontecendo, mas o diagnóstico dependeria de avaliação veterinária.
"Tem muita gente falando que pode ser cinomose, tem gente falando que é entrópio, enfim, tem muitas possibilidades, mas a gente só vai saber quando a gente chegar no veredito do veterinário."
A consulta aconteceu posteriormente e trouxe notícias melhores do que algumas pessoas imaginavam. Peppa, que passou a se chamar Pandora, não era completamente cega. Os exames indicaram que ela ainda tinha visão e que a irritação nos olhos poderia ser tratada com medicamentos.
Na consulta, a cadela também foi pesada e marcou 31,9 quilos na balança.
A nova tutora também precisou adaptar a casa para garantir a segurança da cadela. Como Pandora tinha dificuldade para enxergar e a cama era alta, havia risco de ela tentar descer sozinha e se machucar. Por isso, Ana passou a deixá-la em um espaço mais baixo, onde pudesse descansar com segurança.
A cadela também ganhou uma casinha, que logo virou um dos lugares favoritos dela.
Pandora está feliz
Bruna também fez questão de tranquilizar quem acompanhava a história e dizia perceber tristeza na expressão da cadela. Segundo ela, Pandora estava se alimentando, descansando e brincando, além de receber carinho da nova família.
A expressão abatida também podia ser associada à aparência da própria raça e ao jeito da cadela, mas isso não significava, segundo a cuidadora, que ela estivesse deprimida.
Com a chegada ao novo lar, Pandora também passou a conviver com crianças e continuou recebendo atenção da família. A tutora manteve contato com Bruna e Angélica para que as duas pudessem acompanhar sua adaptação.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.








