Cachorro grandão devolvido ao abrigo 4x por ser medroso só consegue se acalmar quando gatos dormem ao seu lado

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em Aqueça o coração

Em 16 de junho, Carolina Souza foi até uma ONG decidida a levar para casa o cachorro que tinha menos chances de encontrar uma família.

Foi assim que ela conheceu Coragem, um cão grandão que já havia sido adotado e devolvido quatro vezes.

Segundo ela, o motivo era o medo intenso que ele demonstrava, comportamento associado aos maus-tratos que sofreu antes de chegar ao abrigo.

Naquele dia, Coragem deixou o abrigo e começou uma nova etapa da vida.

Passado difícil

Segundo o relato da tutora, Coragem passou por situações de maus-tratos antes de chegar à ONG. O antigo responsável o mantinha amarrado do lado de fora de casa, exposto à chuva e ao frio, além de deixá-lo sem comida e água por períodos prolongados.

Quando sentia fome e procurava alimento no lixo da casa, o cachorro também era agredido.

Carolina conta que ele não apresentava comportamento considerado problemático e nunca havia dado trabalho, mas as experiências fizeram com que passasse a demonstrar muito medo.

Depois de ser levado para uma ONG, Coragem despertou o interesse de algumas pessoas por causa do tamanho.

O problema, segundo Carolina, era que alguns interessados procuravam um cão para atuar como guarda e desistiam quando percebiam que ele era medroso.

Ele acabou sendo adotado e devolvido quatro vezes e cada retorno significava uma nova mudança de ambiente para um cachorro que já tinha dificuldade para confiar nas pessoas.

Mesmo depois de tudo isso, Carolina afirma que Coragem continua sendo carinhoso com pessoas e outros animais.

Foi justamente essa convivência que chamou atenção nos primeiros dias na nova casa.

Ajuda especial

Quando chegou, Coragem estava ansioso e não parecia compreender que aquele lugar seria sua nova casa. Carolina contou que ele estava triste, nervoso e não quis dormir na cama preparada para ele.

Os gatos da família, que normalmente dormiam em suas próprias caminhas, perceberam a presença do novo companheiro e resolveram ficar por perto dele durante a noite.

"Eles passaram a noite inteira deitados ao lado dele no chão", contou Carolina.

De acordo com a tutora, Coragem só conseguiu dormir e se acalmar quando os gatos ficaram ao lado dele. A presença dos felinos também passou a fazer parte da adaptação do cão.

"Desde então, ele só se acalma na presença dos gatos."

A convivência revelou ainda que o cão, apesar de apresentar medo diante de algumas situações e pessoas, estabeleceu rapidamente uma ligação com os outros animais da casa.

Carolina conta que ele passou a ficar muito apegado aos animais e que atualmente vive com uma grande família formada por 15 gatos e 15 cachorros.

Outros cães também podem ajudar na recuperação

A presença de outro animal pode, em determinadas situações, ajudar cães que têm medo a explorar ambientes e situações novas.

A ASPCA, organização de proteção animal dos Estados Unidos, mantém um programa no qual cães confiantes atuam como "helper dogs", ou cães auxiliares, durante o tratamento comportamental de cães medrosos.

Segundo a organização, esses cães são selecionados por apresentarem segurança diante de situações como passeios, brincadeiras, interação com pessoas e entrada em carros.

Durante o tratamento, eles podem servir como referência para cães que ainda estão aprendendo a lidar com determinadas experiências.

Um cachorro auxiliar pode, por exemplo, caminhar na frente de um cão medroso durante um exercício com guia, brincar com ele para incentivar a exploração do ambiente ou simplesmente permanecer deitado próximo enquanto o outro se alimenta.

A ASPCA relata que essa convivência pode oferecer confiança e estímulo para que cães receosos interajam com pessoas e com o ambiente.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.