Guia coloca os pés em rio e imediatamente botos livres vêm lhe dar bom dia: "Esse é rico, e nem é de dinheiro"
Por Ana Carolina Câmara em Mundo Animal
Lecildo Junior é guia turístico em Novo Airão, no Amazonas, município cercado por rios, florestas e pelas centenas de ilhas do arquipélago de Anavilhanas.
Não por acaso, o lugar é conhecido como um verdadeiro paraíso ecológico no coração da Amazônia e ganhou até o apelido de "cidade dos botos".
Acostumado a navegar pelos rios e observar de perto a riqueza da fauna amazônica, Lecildo vive experiências que muita gente só teria a oportunidade de ver uma vez na vida.
E algumas delas mostram que, depois de tantos encontros, certos moradores do Rio Negro parecem já conhecê-lo muito bem.
Em um vídeo compartilhado no dia 4 de julho em seu perfil no Instagram, @lecildojr, o guia mostrou uma dessas interações com os famosos botos-cor-de-rosa da região.

Nas imagens, Lecildo aparece sentado à beira de uma plataforma, com os pés dentro da água, enquanto um boto se aproxima tranquilamente em busca de carinho.
Ele faz carinho no animal com os pés e, pouco depois, outro boto aparece por perto, como se também quisesse receber um pouco de atenção.
Pela naturalidade da cena, dá para perceber que a convivência de Lecildo com esses animais não começou naquele dia.
O guia conhece alguns deles pelas características e até pelas "manias".
Mas existe um detalhe importante: apesar da proximidade com as pessoas, esses botos continuam sendo animais silvestres e vivem completamente livres no Rio Negro.
"Os botos vivem soltos no Rio Negro e visitam a plataforma por livre e espontânea vontade", declarou Lecildo.
Segundo ele, não existe rede, cercado ou qualquer tipo de adestramento que obrigue os animais a permanecer no local. Eles se aproximam quando querem e também podem simplesmente seguir rio adentro.
Esse cuidado é especialmente importante porque o boto-cor-de-rosa é um animal selvagem. O turismo de interação com a espécie se tornou uma das principais atrações de Novo Airão, e o manejo da atividade busca conciliar a visitação com o bem-estar e a conservação dos animais.
Muito além da cor rosa: curiosidades sobre os botos
Lecildo também explicou que a alimentação oferecida aos animais é controlada.
Segundo o guia, os profissionais fornecem uma quantidade limitada de peixe para cada boto, justamente para que aquela comida seja apenas complementar.

Assim, os animais ainda precisam procurar boa parte do próprio alimento no Rio Negro, mantendo o comportamento natural de caça.
E cardápio não falta na natureza.
Os botos-cor-de-rosa se alimentam de uma grande variedade de peixes e podem consumir também crustáceos e até pequenas tartarugas.
Outra curiosidade é que os profissionais que acompanham os animais conseguem diferenciar cada boto individualmente, observando marcas no corpo e características próprias.
Alguns até ganharam nomes. Entre os frequentadores conhecidos da região estão Curumim e Francisco, também chamado de Chico.
E esses gigantes dos rios possuem características impressionantes.
O boto-cor-de-rosa é considerado um dos maiores golfinhos de água doce do mundo. Machos adultos podem ultrapassar dois metros de comprimento e chegar perto dos 200 quilos. Além disso, sua coloração tende a ficar mais rosada conforme envelhece, especialmente nos machos.

Outra característica chama atenção quando eles se movimentam.
Diferentemente de muitos golfinhos, os botos possuem as vértebras do pescoço não fusionadas, o que lhes dá grande flexibilidade para movimentar a cabeça. Essa adaptação é muito útil para navegar entre troncos, galhos e vegetação nas áreas alagadas da Amazônia.
E aquela região arredondada na testa do boto também tem uma função muito importante.
Conhecida como "melão", essa estrutura participa do sistema de ecolocalização do animal, ajudando-o a emitir e direcionar sons para perceber o ambiente ao redor.
É quase como um "radar natural", especialmente útil para um animal que precisa se orientar em rios onde a visibilidade pode ser bastante limitada.
Por isso, Lecildo também ressaltou que existem regras durante a aproximação.
"Para garantir o bem-estar deles, hoje não é permitido nadar com os botos e nunca se deve tocar na testa deles, onde fica o 'melão', órgão que eles usam para ecolocalização e navegação", explicou.

A ideia é que os visitantes possam admirar esses animais de perto, mas sempre lembrando que o Rio Negro é a casa deles.
Repercutiu
A intimidade de Lecildo com os botos encantou quem assistiu ao vídeo.
A publicação acumulou mais de 365 mil visualizações, além de centenas de comentários de internautas impressionados com a cena.
"Maravilha de vídeo, meu amigo. O quanto é bom assistir a um vídeo desses", comentou uma pessoa.
Outro internauta resumiu a cena de uma maneira diferente:
"Esse é rico, e nem é de dinheiro."
Assista:
Lindo demais, né?
Redatora e apresentadora do Canal Amo Meu Pet.
Com formação em Design de Produtos e especialização em Design de Interiores pela Universidade de Passo Fundo, a Ana encontrou sua verdadeira paixão ao unir criatividade, comunicação e o amor pelos animais.
Apaixonada por contar histórias que tocam o coração, ela estudou Escrita Criativa com o escritor Samer Agi e participa do programa JournalismAI Discovery, organizado pela Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres e a Iniciativa de Notícias do Google, buscando se aprofundar no universo digital.
Hoje, dedica-se a produção de conteúdos que informam, emocionam, conscientizam e arrancam sorrisos.







