"A Crystal não vai embarcar": Família fica arrasada após não conseguir viajar com cachorrinha na última hora
Por Larissa Soares em Cães
Crystal, uma cachorrinha maltês, nasceu no Japão e viveu no país com a família durante quatro anos. Em julho, os tutores precisaram retornar ao Brasil por conta de uma emergência médica.
Tudo estava certo para Crystal deixar o país ao lado da família. No entanto, pouco antes do embarque, os tutores receberam uma notícia devastadora.
Segundo o relato publicado pela família nas redes sociais, a documentação de Crystal estava regularizada e a aprovação da inspeção da quarentena já havia sido obtida.
A caixa de transporte também havia sido escolhida para atender às exigências de viagens aéreas e, diante de todas as providências tomadas durante meses, os tutores esperavam embarcar juntos para começar uma nova etapa no Brasil.
A situação mudou durante a inspeção da caixa de transporte.
De acordo com a família, um funcionário da Qatar Airways apontou que uma das aberturas de ventilação ultrapassava por alguns centímetros a medida aceita pela companhia.
Os tutores já tinham levado uma tela de arame para cobrir a abertura caso fosse necessário e fizeram alterações no local seguindo as orientações recebidas no aeroporto.
Ainda segundo o relato, primeiro a tela foi presa com abraçadeiras plásticas, conforme orientação das funcionárias que estavam atendendo a família.
Depois, durante uma nova inspeção, o funcionário da companhia teria informado que a fixação precisava ser feita com arame.
A família afirma que retirou um fio da própria tela de arame para fazer a fixação solicitada.
Mesmo assim, o funcionário teria recusado a solução e dito que aquele não seria um arame válido, por ser originalmente parte da tela de arame.
Os tutores contam que tentaram explicar a situação, mas não conseguiram autorização para levar Crystal no voo.
Com a necessidade de retornar ao Brasil devido à cirurgia de risco da mãe de um dos tutores e a outros motivos pessoais que a família decidiu não expor nas redes sociais, permanecer no Japão para resolver a situação também não era uma opção. Eles então embarcaram sem Crystal.
Cachorrinha ficou com pessoas próximas à família
A decisão de seguir viagem gerou questionamentos nas redes sociais, já que algumas pessoas interpretaram a situação como um abandono.
A família explicou que Crystal não ficou sozinha e que foi acolhida por uma amiga muito próxima, além do irmão de um dos tutores, que já morava com a família enquanto eles estavam no Japão.
A tutora também explicou que a volta ao Brasil havia precisado ser organizada em pouco tempo.
A família desfez da casa, do carro e dos móveis e precisou organizar a mudança enquanto lidava com os problemas de saúde que motivaram o retorno.
Por isso, depois de chegar ao Brasil, os tutores começaram a procurar alternativas para trazer Crystal.
Empresas especializadas em transporte internacional de cães foram consultadas, mas os valores apresentados chegaram a cerca de R$ 40 mil, quantia que estava fora das possibilidades da família.
A solução começou a aparecer por meio das próprias pessoas que acompanharam o caso nas redes sociais.
Depois que a família decidiu fazer uma vaquinha para ajudar com os custos, uma mulher chamada Giselle entrou em contato e se ofereceu para levar Crystal pessoalmente até o Brasil.
A partir daí, os preparativos foram refeitos. A família providenciou uma nova caixa de transporte, dessa vez escolhida especificamente para atender às exigências informadas pela Qatar Airways, além de organizar a documentação veterinária necessária para a viagem.
O que a Qatar Airways exige para transportar cães
As regras da Qatar Airways para animais transportados no porão determinam que cães e outros animais domésticos precisam viajar em caixas que atendam integralmente às normas da IATA, além das exigências dos países de origem, trânsito e destino.
A companhia também informa que o transporte precisa ser solicitado previamente e que a confirmação é necessária para o embarque.
Entre as especificações da caixa estão o tamanho suficiente para que o cão consiga ficar em pé, sentar, virar-se normalmente e deitar em uma posição natural. O recipiente também precisa ser resistente, seguro, impedir fugas e ter recipientes para água e alimentação quando necessários.
As caixas destinadas a cães devem possuir ventilação adequada em pelo menos três lados, com a maior parte das aberturas localizada na parte superior.
A companhia estabelece ainda que as aberturas de ventilação para cães tenham, no máximo, 25 milímetros por 25 milímetros.
A companhia também informa que as aberturas precisam ser projetadas de maneira a evitar que patas ou focinho possam passar por elas, reduzindo o risco de ferimentos durante o transporte.

Além das características da caixa, há exigências relacionadas ao próprio transporte.
A Qatar Airways informa que o peso do animal somado ao recipiente não pode ultrapassar 75 quilos para o transporte como bagagem despachada, enquanto a soma das dimensões da caixa não deve passar de 300 centímetros.
Também existem restrições específicas para determinadas raças, países e situações de saúde.
A companhia orienta ainda que a documentação necessária esteja pronta antes da viagem, incluindo certificado veterinário de aptidão para voar, vacinação e identificação, além do cumprimento das regras de entrada do país de destino.
No caso contado pela família, a questão levantada no aeroporto foi especificamente relacionada à abertura de ventilação das laterais e à forma utilizada para cobri-la.
A Qatar Airways informa em suas regras que o cumprimento das exigências da IATA e das demais regulamentações é condição para a aceitação do animal.
Depois de semanas, Crystal finalmente voltou para casa
Enquanto a família estava no Brasil, a amiga e o irmão que ficaram no Japão passaram a cuidar dos preparativos para a viagem de Crystal.
A documentação veterinária precisou ser organizada novamente e a cachorrinha também recebeu os cuidados necessários para cumprir as exigências relacionadas à viagem.
A nova caixa foi comprada pelos tutores depois da experiência no primeiro embarque.
Giselle, que havia se oferecido para ajudar, também precisou organizar a própria viagem. Ela foi até o local onde Crystal estava para acompanhá-la durante o deslocamento.
Cerca de um mês depois da separação, o plano deu certo. Em 24 de agosto, a família publicou imagens do reencontro de Crystal com a família.
A família agradeceu às pessoas envolvidas na viagem e às pessoas que ajudaram financeiramente.
A amiga que havia acolhido Crystal durante o período no Japão, o irmão da família, pessoas que auxiliaram com a documentação e Giselle foram citados pelos tutores como parte da mobilização que permitiu o retorno da maltês.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.







