“Até o último gato”: Mulher salva ninhada de bueiro, mas um filhote desaparece e vira missão de 46 dias

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em Proteção Animal

No dia 3 de agosto, Gabriela Bucker saiu para correr no condomínio onde mora, até que uma cena a fez parar. Dentro de um bueiro, havia seis gatinhos indefesos.

Ela já tinha quatro gatos em casa, mas mesmo assim decidiu ajudar os filhotes.

Enquanto o marido ficou no local para vigiar os animais, Gabriela voltou rapidamente para casa em busca de uma caixa e um cobertor para fazer o resgate.

Com a ajuda de uma tábua, o casal bloqueou a passagem que levava os filhotes para o sistema de esgoto. A estratégia permitiu que Gabriela retirasse os gatinhos um por um.

Só que, nos minutos em que ela havia se afastado para buscar o material, um deles entrou no buraco e desapareceu.

O sexto filhote estava em uma área à qual eles não conseguiam ter acesso. A partir daquele momento, o resgate de uma ninhada virou uma busca que duraria mais de um mês.

A saga do sexto filhote

Gabriela e o marido passaram a verificar os bueiros do condomínio diariamente, na tentativa de localizar o fujão.

Dois dias depois, ela também encontrou a mãe dos filhotes, mas a gata fugiu para dentro de um bueiro assim que percebeu a aproximação.

Segundo Gabriela, a gata já vivia na região havia algum tempo e era muito arisca. Ela já tinha tido outras ninhadas e, até então, ninguém havia conseguido capturá-la.

Os moradores conseguiam retirar os filhotes dos locais onde eram encontrados, mas a mãe parecia uma tarefa impossível.

Enquanto a busca continuava, os cinco gatinhos resgatados precisavam de cuidados. Como ainda eram pequenos, receberam fórmula para alimentação.

Uma das gatas que já moravam com Gabriela também passou a cuidar dos filhotes, como se fossem seus.

Com o passar dos dias, um dos bebês foi adotado pelo irmão de Gabriela, enquanto outro ficou doente. Por causa do quadro, todos precisaram receber medicação.

Mesmo com os cuidados dentro de casa, Gabriela continuava tentando localizar tanto o sexto filhote quanto a mãe.

A gata começou a chegar perto

Ao longo das semanas, os filhotes cresceram e começaram a mostrar suas próprias personalidades.

Dentro de casa, a bagunça tomava conta. Já do lado de fora, as buscas pelo restante da família continuavam.

A mãe passou a rondar a casa de Gabriela, o que abriu uma nova possibilidade. Em vez de tentar simplesmente persegui-la, a família começou a usar comida para fazer com que ela se aproximasse aos poucos.

Cerca de um mês e meio depois do primeiro encontro, a espera trouxe uma pista decisiva.

A gata apareceu para comer e, durante a movimentação, Gabriela e a família ouviram um miado vindo do bueiro. O filhote que havia desaparecido estava ali.

A descoberta mudou novamente o objetivo da família. Já não se tratava apenas de tentar localizar o gatinho, mas de conseguir retirá-lo do bueiro sem permitir que ele escapasse por uma das várias tubulações existentes no local.

Durante esse período, eles também encontraram um gato maior que acompanhava a mãe. Pela proximidade e pelo comportamento, acreditavam que ele poderia ser outro irmão dos filhotes.

A estratégia passou a depender de paciência. Com comida, Gabriela conseguiu se aproximar aos poucos da gata e também do gato maior que circulava com ela.

Aos poucos, os animais começaram a aceitar a presença da família, permitindo que a operação avançasse.

Finalmente, no dia 18 de setembro, o sexto filhote saiu do bueiro e foi capturado. A mãe e o gato maior, porém, conseguiram fugir.

Gabriela ainda percebeu que a gata aparentava estar prenha novamente. Depois de acompanhar toda a situação e saber que ela já havia tido diversas ninhadas, decidiu que precisava tentar capturá-la para interromper o ciclo de reprodução.

O filhote resgatado foi levado para casa e recebeu carinho dos outros irmãozinhos.

Enquanto isso, Gabriela continua tentando conquistar a confiança da mãe, agora com a intenção de conseguir capturá-la com uma gatoeira e encaminhá-la para castração.

Quando resgatar uma ninhada

A vontade de pegar gatinhos pequenos assim que eles são encontrados é compreensível, mas nem sempre retirar uma ninhada do local onde foi encontrada é a melhor decisão.

A Humane World for Animals, organização internacional de proteção animal, orienta que, quando os filhotes estão aquecidos, saudáveis e sem sinais de sofrimento, é possível que a mãe esteja por perto procurando comida ou esperando que as pessoas se afastem.

A organização explica que, nesses casos, os filhotes têm melhores chances de sobrevivência junto da mãe.

O leite materno oferece nutrientes importantes para o desenvolvimento, enquanto a gata também ajuda a manter os filhotes aquecidos e a estimulá-los a urinar e defecar. Além disso, ela contribui para que aprendam comportamentos próprios da espécie.

Observe se a mãe está cuidando

Gatas podem permanecer longe dos filhotes por algumas horas e retornar quando não houver pessoas por perto. Por isso, a recomendação é observar à distância e procurar sinais de que ela está cuidando da ninhada.

Uma forma sugerida pela Humane World for Animals é colocar alguns galhos leves sobre os filhotes ou espalhar um círculo de farinha ao redor do ninho.

Se os gatinhos aparecerem depois em uma posição diferente, ou estiverem com a barriga cheia e arredondada, esses sinais podem indicar que a mãe voltou para alimentá-los.

Se a gata estiver cuidando dos filhotes, é possível deixar comida rica em calorias e água fresca em um ponto próximo, mas não imediatamente ao lado do ninho.

Quando intervir

A situação muda quando a ninhada está em um local de risco ou os filhotes apresentam sinais de abandono ou problemas de saúde.

Gatinhos frios, apáticos, doentes ou em sofrimento precisam de uma resposta mais rápida, principalmente quando são muito pequenos.

Nesses casos, a Humane World for Animals recomenda colocar os filhotes em um local seguro e aquecido, com uma fonte de calor suave que permita que eles se afastem caso sintam calor demais.

Também é importante procurar orientação de uma organização de proteção animal, abrigo ou profissional que tenha experiência com filhotes.

Ajudar a mãe

A Humane World for Animals destaca ainda que a mãe precisa fazer parte desse planejamento. Sem a esterilização da gata, novas ninhadas podem surgir e fazer com que a situação se repita pouco tempo depois.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.