“Não existe dinheiro que pague”: Jovem mostra rotina com animal raro e revela por que tem o melhor emprego do mundo
Por Larissa Soares em Aqueça o coração
Oli McCormack trabalha com conservação da vida selvagem no Parque Nacional da Gorongosa, em Moçambique, e tem um "colega de trabalho" que dificilmente passa despercebido.
João, um jovem pangolim-terrestre-de-Temminck, passa as manhãs cavando, procurando formigas, explorando o ambiente e se divertindo na lama enquanto se prepara para voltar à natureza.
Para Oli, poder acompanhar essa rotina de perto é um privilégio. E não há dinheiro que o faça mudar de ideia.
Em uma publicação no Instagram, o jovem relembrou uma frase que ouviu: "você nunca será rico em conservação animal". Na sequência, ele responde com imagens de João se divertindo.
"Minha versão de rico", resumiu.
Oli explicou que o trabalho permite acompanhar o processo de reabilitação dos pangolins, observar seus comportamentos e ajudá-los a recuperar habilidades importantes para a vida selvagem.
A publicação deixou muitos internautas curiosos com a espécie. Alguns compararam os pangolins a Pokémon, dinossauros e dragões. Outros disseram que adorariam trabalhar ao lado desses animais.
"A felicidade é a riqueza", comentou uma pessoa.
"Imediatamente pensei: 'Bem, ele tem um pangolim no braço... Eu quero isso mais do que dinheiro'", disse outra.
João leva a caça às formigas a sério
Além das brincadeiras, João tem tarefas importantes durante sua reabilitação.
O jovem pangolim precisa desenvolver comportamentos que serão fundamentais para sobreviver quando puder retornar à natureza, incluindo procurar alimento e explorar o ambiente.
E ele está se saindo muito bem.
Em outra publicação, Oli brincou com os seguidores: disse que tinha o melhor emprego do mundo.
A gravação mostrava João aproveitando o dia, mas o profissional também aproveitou para falar sobre a importância da conservação ambiental.
Segundo ele, trabalhar na área não significa apenas atuar como guarda florestal ou veterinário.
A conservação precisa de profissionais de diversas especialidades, como cientistas, fotógrafos, cineastas, advogados, engenheiros, analistas de dados, especialistas em finanças, marketing e turismo.
Afinal, proteger a vida selvagem envolve muito mais do que cuidar diretamente dos animais.
Também é necessário estudar as espécies, monitorar populações, combater o tráfico, desenvolver projetos, administrar recursos e comunicar à sociedade por que a preservação dos ecossistemas importa.
"E, ocasionalmente, seu colega de trabalho é um pangolim", brincou.
Pangolim-terrestre-de-Temminck
João pertence à espécie Smutsia temminckii, conhecida como pangolim-terrestre-de-Temminck. É um dos quatro tipos de pangolim encontrados na África e está entre as espécies de hábitos terrestres.
De acordo com o African Pangolin Working Group, organização dedicada à pesquisa e à conservação desses mamíferos, a espécie ocorre em diversas regiões da África, incluindo áreas da África Austral e Oriental. Costuma habitar savanas, bosques e ambientes semiáridos.
Os adultos geralmente pesam entre 7 e 12 quilos e podem atingir cerca de 1,2 metro de comprimento, incluindo a cauda.
Apesar da aparência, pangolins são mamíferos, não répteis. O corpo é coberto por escamas de queratina, a mesma proteína que compõe as unhas humanas.
Quando se sentem ameaçados, esses animais conseguem enrolar o corpo formando uma bola protegida pelas escamas. A estratégia ajuda a defender as partes mais vulneráveis, como o ventre.
As patas dianteiras têm garras fortes, usadas para escavar e acessar ninhos de formigas e cupins.
Os pangolins se alimentam exclusivamente desses insetos. A língua comprida e pegajosa ajuda a capturá-los, já que eles não possuem dentes para mastigar.
Ameaçado pelo tráfico
A aparência curiosa dos pangolins não os protege da principal ameaça que enfrentam.
As oito espécies reconhecidas tradicionalmente, quatro africanas e quatro asiáticas, são alvo do tráfico ilegal de animais silvestres, impulsionado pela procura por carne e escamas.
Algumas práticas de medicina tradicional utilizam as escamas, embora não haja respaldo científico para as propriedades medicinais alegadas. O comércio ilegal também envolve animais capturados para consumo.
Segundo o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos, estimativas baseadas em apreensões indicam que mais de 895 mil pangolins foram traficados globalmente entre 2000 e 2019.
Como esse cálculo parte de registros do comércio ilegal, não representa necessariamente todos os animais capturados ou mortos, já que muitas operações criminosas não são detectadas.
A espécie de João é classificada como vulnerável na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza.
Além da caça furtiva, esses animais sofrem com a perda de habitat, atropelamentos e outros impactos humanos.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.