Professor treina para correr 5 km com aluna e a leva nos braços até a chegada: “Eu tinha que arranjar uma maneira”
Por Larissa Soares em Diário do Bem
Sophia Nascimento, de 12 anos, completou uma corrida de rua de 5 quilômetros em Pacajus, no Ceará, com a ajuda do professor de educação física Pascoal Neto.
A menina percorreu todo o trajeto acompanhada pelo educador, que teve a ideia de incluí-la na atividade para que ela também pudesse experimentar a alegria de participar de uma prova esportiva.
Ao se aproximar da linha de chegada, o professor levantou Sophia da cadeira de rodas e a carregou nos últimos passos até o fim do percurso.
O momento foi compartilhado no perfil da menina no TikTok, em 2 de outubro, com a legenda "dia inesquecível".
A publicação recebeu milhares de comentários de pessoas emocionadas com a participação da garota e com a iniciativa do educador.
Muitos internautas também destacaram o esforço dos dois para que Sophia pudesse viver aquela experiência.
"Tudo bem, eu sempre tiro uns minutos do meu dia pra chorar por desconhecidos mesmo", escreveu uma pessoa.
"Coisa mais linda de se ver a força de vontade deles", disse outra.
Professor começou a treinar para correr com a aluna
A ideia de levar Sophia para uma corrida surgiu de Pascoal, que queria proporcionar à menina uma experiência semelhante à vivida pelos outros alunos durante as aulas de educação física.
Para isso, ele começou a pesquisar maneiras de incluí-la nas atividades e passou a adaptar as aulas para que ela pudesse participar junto dos colegas.
"Eu tinha que arranjar uma maneira, planejando, trabalhando para que a mesma felicidade dos alunos na minha aula de educação física fosse a dela", explicou o professor ao Balanço Geral CE.
Foi durante esse processo que Pascoal pensou em inscrever a aluna em uma corrida de rua realizada em Pacajus.
Antes de fazer o convite, conversou com a mãe da menina para saber se ela aceitaria participar.
Com a resposta positiva, ele começou a treinar para conseguir empurrar a cadeira de rodas de Sophia ao longo dos 5 quilômetros.
A preparação também incluiu a menina nas atividades escolares.
Segundo o educador, a proposta era ampliar as oportunidades de convivência e mostrar que Sophia poderia ocupar os mesmos espaços de lazer e esporte que os demais estudantes.
Durante a prova, a dupla recebeu incentivo das pessoas que acompanhavam o percurso.
Pascoal contou que, a cada quilômetro, o público demonstrava apoio, enquanto Sophia seguia animada com a experiência.
A chegada foi um dos momentos mais marcantes. Nas imagens compartilhadas pela família, o professor empurra a cadeira de rodas até se aproximar da linha de chegada.
Em seguida, ergue Sophia nos braços e caminha com ela até o fim da prova.
Os internautas elogiaram o gesto e destacaram a importância de criar oportunidades para que crianças com deficiência participem de atividades esportivas.
Sophia enfrentou complicações durante o parto
A trajetória da menina inclui desafios desde o nascimento. De acordo com o relato da família à reportagem, Sophia sofreu anóxia neonatal, condição associada à falta de oxigênio no período próximo ao nascimento, e precisou ser reanimada.
As complicações tiveram consequências para seu desenvolvimento, e ela tem paralisia cerebral.
A mãe contou que, quando Sophia era bebê, recebeu previsões médicas preocupantes sobre algumas de suas capacidades.
Entre as possibilidades mencionadas estavam dificuldades para se alimentar pela boca e para sustentar o próprio pescoço. A menina, no entanto, avançou ao longo do desenvolvimento e das terapias.
Segundo a mãe, Sophia conseguiu sustentar o pescoço por volta dos 2 anos. Ela também destacou o empenho da filha nas sessões terapêuticas desde pequena, uma característica que, em sua avaliação, contribuiu para os progressos alcançados.
Natação, bocha e corrida fazem parte da rotina
A corrida de 5 quilômetros não foi a primeira experiência esportiva de Sophia. Conforme a reportagem, ela também participa de atividades como natação e bocha.
Essas modalidades permitem que a menina experimente diferentes formas de movimento, desenvolva habilidades e compartilhe momentos com outras pessoas.
A bocha adaptada, por exemplo, é uma modalidade paralímpica que pode ser praticada por atletas com comprometimentos motores importantes.
O esporte utiliza bolas e estratégias de precisão, com adaptações que permitem a participação de pessoas com diferentes necessidades de apoio.
Já a natação pode contribuir para o lazer, a interação social e o desenvolvimento de habilidades motoras, desde que feita com acompanhamento e segurança.
A inclusão no esporte depende de mais do que permitir a presença de uma pessoa com deficiência em uma atividade.
É necessário avaliar as adaptações, os recursos de acessibilidade e o apoio de profissionais, respeitando os limites e as escolhas de cada participante.
A iniciativa de Pascoal começou justamente com a busca por uma forma de Sophia experimentar a mesma alegria que ele via nos colegas durante as aulas.
Durante a reportagem, o entrevistador perguntou à Sophia se ela toparia tentar uma prova de 10 quilômetros. Ela demonstrou interesse, e o professor respondeu que os dois vão treinar para o novo desafio.
"Vamos correr 10 km, se Deus quiser. Vamos treinar para isso", afirmou Pascoal, enquanto Sophia aparecia sorridente ao seu lado.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.








