Cadela caramelo se recusa a ficar para trás e tenta entrar na mochila de transporte com os 3 filhotes resgatados no RJ
"Você não cabe aí, não. Você não cabe, amor"
Por Larissa Soares em Proteção Animal
A protetora de animais Paloma Merath, que vive em Belford Roxo, no Rio de Janeiro, foi até a porta de uma farmácia para retirar uma família canina do local.
Uma cachorrinha caramelo e seus três filhotinhos usavam uma caixa de papelão na calçada como abrigo.
Mas, quando chegou a hora de colocar os bebês na mochila de transporte, a mãe fez questão de mostrar que não abandonaria seus filhotes por nada.
O resgate da família
Paloma compartilhou o resgate no Instagram em 28 de outubro. Ao chegar ao local, ela encontrou a cadela com os três filhotes e começou a organizar o transporte.
A mãe parecia dócil e permitiu que a protetora se aproximasse dos bebês. A preocupação era garantir que todos saíssem dali antes que os filhotes começassem a explorar a região.
"Daqui a pouco eles começam a crescer, começam a descer isso aqui, vão ser atropelados", explicou Paloma.

Paloma pretendia levar a mãe na guia e os filhotes em uma mochila de transporte. Só que a cadela tinha outros planos.
Assim que percebeu que a protetora colocava os filhotes na mochila, ela tentou entrar também.
"Você não cabe aí, não. Você não cabe, amor", disse Paloma, tentando tranquilizá-la.
A cadela, porém, não desistiu de tentar se encaixar naquele pequeno espaço.
"A tia vai te levar de qualquer jeito. Não precisa entrar aí, não", disse ela.
A decisão já estava tomada. Paloma não deixaria a cadela para trás, e a família inteira seguiria para uma nova etapa, longe da calçada onde vivia.
A mãe não desgrudou dos filhotes
Mesmo depois de ser acomodada no carro, a cadela continuou dentro da mochila, superprotetora com os bebês.
Paloma levou a família canina até uma clínica veterinária, onde todos passaram por exames.
Mas a consulta também trouxe uma notícia preocupante. A cadela testou positivo para a chamada doença do carrapato e precisou receber medicação.
O que é a doença do carrapato em cães
A expressão "doença do carrapato" é usada popularmente para se referir a diferentes infecções que podem ser transmitidas pela picada desses parasitas.
Entre as mais conhecidas estão a erliquiose e a babesiose, que têm agentes causadores diferentes e exigem tratamentos específicos.
A erliquiose canina é provocada por bactérias do gênero Ehrlichia. Elas podem afetar as células sanguíneas e provocar febre, falta de apetite, cansaço e perda de peso. Também podem reduzir as plaquetas, que participam da coagulação do sangue. Em quadros mais graves, podem ocorrer sangramentos e anemia.
Já a babesiose é causada por protozoários do gênero Babesia, que podem infectar os glóbulos vermelhos e favorecer a destruição dessas células. Entre os sinais possíveis estão fraqueza, febre, mucosas pálidas e alterações na coloração da urina.
O Hospital Veterinário da Universidade Federal Rural da Amazônia explica que sinais como apatia, febre, anemia e sangramentos podem aparecer em doenças transmitidas por carrapatos, mas a confirmação depende de avaliação clínica e exames laboratoriais.
Primeira noite em segurança
Depois da avaliação veterinária, a família foi acomodada em um cantinho com uma caminha confortável.
Em outra publicação, Paloma mostrou a cadela conhecendo o novo espaço.
"Quando, na cabecinha dela, a caixinha de papelão seria substituída por um bercinho seguro, quentinho e confortável, para ela amamentar em segurança?", disse Paloma, emocionada.
No dia 29 de outubro, a protetora compartilhou uma atualização sobre a primeira noite da família. A cadela já a recebeu abanando o rabinho. Paloma contou que percebeu o quanto a cadela estava mais tranquila e parecia se sentir protegida.
Mesmo com a presença da protetora dentro do cercadinho, uma pessoa que ela conhecia havia poucas horas, a mãe conseguiu relaxar e dormir perto de seus filhotes. Para Paloma, conquistar aquela confiança foi uma experiência marcante.
Naquela noite, a cadela não precisou procurar abrigo na calçada nem vigiar a entrada da mochila.
Com os três bebês acomodados ao seu lado, ela finalmente pôde descansar em uma caminha protegida, enquanto o tratamento veterinário e os cuidados com a família continuavam.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.







