Cão de rua espera em porta de hotel e "adota" ativista ao pular no carro sem ser convidado

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Depois de acompanhar a recuperação e a adoção de tantos pets, Giulia Sarcinella tinha decidido que não resgataria mais cães das ruas.

Mas, três meses depois, durante uma viagem ao Guarujá, no litoral paulista, um cachorro apareceu pedindo carinho e mudou os planos da ativista da causa animal.

O encontro aconteceu quando Giulia já estava se preparando para deixar a praia. Ela resolveu aproveitar mais alguns minutos sentada antes de ir embora, até que um cão se aproximou. Bastou um pouco de carinho para que ele decidisse ficar ao lado dela.

O cachorro era muito dócil, mas também apresentava sinais de que precisava de cuidados.

Estava sujo, com vários carrapichos presos à pelagem, tinha uma pequena ferida no nariz e uma das patas tremia sem parar.

Giulia contou que passou cerca de meia hora com ele, recebendo pedidos de mais carinho e observando o comportamento do novo conhecido.

Quando chegou a hora de ir embora, a jovem começou a caminhar em direção ao estacionamento e o cão foi atrás.

Foram aproximadamente 15 minutos de caminhada, e ele não se afastou nem quando Giulia acelerava o passo.

Em alguns momentos, chegava a sentar na frente dela, como se tentasse convencê-la a não continuar.

Antes de tomar qualquer decisão, ela perguntou às pessoas que estavam por perto se conheciam o cachorro. Ninguém soube dizer de onde ele vinha.

Giulia também procurou informações na recepção do hotel, mas ninguém reconheceu o bichinho.

E havia um detalhe que tornou a situação ainda mais difícil de ignorar: enquanto ela conversava com os funcionários, o cão ficou o tempo todo sentado do lado de fora, olhando para ela.

Giulia contou que não tinha oferecido comida, petiscos ou qualquer coisa que pudesse explicar a insistência do novo amigo.

Quando o carro chegou, o cachorro resolveu participar da decisão. Assim que ela abriu a porta, ele pulou para dentro, sem esperar convite.

Giulia ainda deixou fotos dele na recepção do hotel, caso alguém aparecesse procurando pelo bichinho, mas acabou seguindo viagem com um passageiro a mais.

Do Guarujá para uma nova vida em São Paulo

O primeiro destino foi um pet shop próximo. Giulia comprou coleira, ração, petiscos e um produto antiparasitário para o cão.

Depois, os dois seguiram para São Paulo, onde ele pôde receber os cuidados necessários.

Já em casa, o cachorro tomou banho, passou por exames, recebeu vacinas e foi castrado. Giulia também começou a divulgar a história dele para encontrar uma família que pudesse oferecer a atenção de que ele precisava.

Ela escolheu o nome Balu. Segundo a ativista, o cão era muito dócil e carente, características que a fizeram procurar alguém disposto a recebê-lo com carinho no dia a dia.

A busca durou cinco meses, até que um jovem chamado Nicolas apareceu. Ele morava sozinho e queria um companheiro para dividir a vida. Quando conheceu Balu, os dois se deram bem, e a adoção aconteceu.

Hoje, segundo Giulia, os dois são inseparáveis. Balu ganhou uma família e passou a viver cercado pelo carinho que a jovem acreditava que ele precisava receber desde o primeiro encontro na praia.

A história encerrou a primeira temporada do projeto Diário de uma Patinha de Rua, série em que Giulia compartilha os resgates e os caminhos percorridos pelos cães até encontrarem um lar.

Na publicação, ela contou que Balu foi seu último resgate e que, depois dele, decidiu continuar ajudando a causa animal de outra maneira.

A pausa nos resgates virou uma oportunidade de oferecer lar temporário

Após garantir um final feliz para Balu, Giulia explicou qual seria seu próximo passo. Em vez de recolher mais cães das ruas por conta própria, ela decidiu oferecer lar temporário para animais resgatados por organizações e protetores independentes.

A mudança de estratégia permitiu que Giulia continuasse envolvida com a proteção animal sem assumir sozinha todos os custos e responsabilidades de um resgate. Ela também passou a colaborar diretamente com uma iniciativa que já tinha uma rede de apoio e um processo de encaminhamento dos cães.

Como ajudar abrigos sem precisar resgatar um animal

Giulia mostrou que é possível ajudar cães e gatos em situação de vulnerabilidade mesmo sem condições de assumir um resgate por conta própria.

Acolher temporariamente um animal é uma das formas de colaboração, mas está longe de ser a única.

O lar temporário funciona como uma hospedagem por um período determinado, enquanto a organização responsável procura uma família definitiva.

O voluntário oferece o espaço e os cuidados do dia a dia. Alimentação, atendimento veterinário e outros custos devem ser combinados com o projeto antes do acolhimento.

Cada organização tem suas próprias regras, por isso é importante conversar sobre responsabilidades, despesas e duração do acolhimento antes de receber o bichinho.

Segundo a American Society for the Prevention of Cruelty to Animals (ASPCA), o acolhimento temporário ajuda a aliviar a demanda dos abrigos, oferece aos animais um ambiente doméstico e pode contribuir para a socialização e a preparação para a adoção.

Quem não pode receber um cão ou gato em casa também pode ajudar de outras maneiras:

  • Doações: uma das formas de ajudar é doar dinheiro, ração, medicamentos, cobertores, toalhas e produtos de limpeza. O ideal é perguntar primeiro quais itens estão em falta, pois cada abrigo tem necessidades diferentes e nem todo material é adequado para todos os animais.
  • Tempo e habilidades: organizações de proteção animal precisam de pessoas para ajudar em feiras de adoção, passeios, banhos, transporte para consultas veterinárias, organização de eventos e divulgação dos animais nas redes sociais. Quem trabalha com fotografia, design, comunicação ou produção de conteúdo também pode colaborar com materiais que ajudem os cães e gatos a encontrar uma família.
  • Compartilhar anúncios de adoção: uma publicação pode alcançar alguém que esteja procurando um companheiro e ainda não conheça aquele abrigo. Para ajudar de forma eficiente, vale compartilhar as informações completas fornecidas pela organização, incluindo características do animal, necessidades especiais e contato atualizado para adoção.

Giulia, por exemplo, foi bem criativa e fez um review completo do cãozinho Atlas, para mostrar as características do "produto" e atrair adotantes:

A ASPCA recomenda que pessoas interessadas em apoiar abrigos procurem diretamente as instituições da região para conhecer os programas de voluntariado, acolhimento e doação disponíveis. Assim, a ajuda pode ser direcionada para aquilo de que a equipe mais precisa naquele momento.

Depois de encontrar Balu na praia, Giulia percebeu que poderia continuar contribuindo com a causa sem precisar ser responsável por todos os resgates. O cachorro ganhou uma família, e a jovem passou a oferecer espaço em casa para outros cães que aguardam uma adoção.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.