Gatos mudam rotina de trabalho em empresas de Caxias do Sul (RS)

Fonte: Gaúcha ZH

Em Caxias do Sul (RS), três ‘funcionários’ tem feito o maior sucesso no ambiente de trabalho onde atuam.

Lúcio recepciona graciosamente os clientes que chegam a um spa no centro da cidade. Vegas observa atentamente os processos em um escritório de advocacia no bairro Fátima. Já Antônio é o garoto-propaganda de uma loja de parafusos na Perimetral Norte.

O trio se diferencia dos demais funcionários da equipe por terem quatro patas, um focinho e o estranho hábito de ronronarem em público. Por excelência, eles são gatos. E infelizmente, no passado enfrentaram maus tratos, abandono, fome e agressões até serem resgatados e escolhidos por famílias que os acolheram e os amam.

Seus donos afirmam que mantê-los em seus respectivos ambientes de trabalho só lhes trouxe benefícios. De acordo com os empreendedores, o ambiente fica mais tranquilo e até os clientes sentem a leveza.

A iniciativa surgiu por diferentes motivos, mas todos são unânimes: não imaginam mais como trabalhar sem a companhia dos gatos.

Ano após ano, o número de empresas brasileiras que abrigam ou manifestam interesse em abrigar um animal de estimação só cresce, bem como aquelas que permitem que seus funcionários levem seus pets para o trabalho.

Um levantamento promovido pela DogHero, um aplicativo que conecta donos de cães a passeadores e anfitriões que hospedam os bichos em casa, demonstrou que 9 em cada 10 brasileiros querem levar seu cãozinho para o trabalho, por exemplo.

"O levantamento só referendou aquilo que já sentíamos no nosso dia a dia: o brasileiro ama cachorro e gosta de tê-lo por perto em todos os ambientes, inclusive no trabalho. A nossa vivência no escritório comprova que é possível tornar real esse desejo dos trabalhadores e que isso é benéfico não apenas para eles, mas também para os peludos", analisa Eduardo Baer, CEO da DogHero.

A médica veterinária Raquel Redaelli, especialista em felinos, afirma que os gatos são limpos e silenciosos. "Quem tem gato sabe que ele é um animal muito limpo, ele não tem cheiro, faz as necessidades no lugar certo, e são animais mais tranquilos que os cães neste sentido", ressalta.

Mais: segundo a veterinária, os gatos se tornam mais sociáveis e o ambiente de trabalho se transforma, na visão deles, em um segundo lar.

"Os gatos convivem com um maior número de pessoas e acabam se tornando mais amigáveis e o clima de tensão do dia a dia de trabalho fica mais tranquilo e todos se divertem e se animam na companhia de um gatinho. Eles agregam ao ambiente e há muitos estudos que compravam que aumenta a produtividade das pessoas e o bem-estar de todos que convivem com um felino."

Confira abaixo os relatos dos donos de Lúcio, Vegas e Antônio:

Lúcio, o gatocionista

"Ele é assim, chegou gente ele está na porta esperando e acompanha a cliente em todos os ambientes. Se estamos no administrativo, ele está conosco e se estamos no salão, ele vai junto.

Tenho gatos desde pequena. O Lúcio veio para mim retirado de maus-tratos e, às vezes, ele reage por medo, mas nós o conhecemos bem. Ele passa mais segurança que um cachorro porque a nossa massoterapeuta esteve aqui no salão fora do horário de trabalho e o Lúcio não deixou ela entrar

Minha mãe partiu em dezembro do ano passado. Ela estava acamada após um AVC e ele dormia na cama dela. Como ele era muito protetor e algumas pessoas têm medo, trouxe ele para o spa e ele amou.

Tenho clientes de anos e uma delas me dizia: "odeio bicho, tenho medo de bichos", e agora ele sobe no colo dessa cliente, enquanto estou fazendo a unha dela. Ele foi conquistando as clientes e ele sabe quem gosta de bichos, principalmente, as vovozinhas, e tem uma que ele adora, e sobe no colo enquanto estou lavando o cabelo dela. Aqui é o lugar dele," relata a administradora Valeska Boufleur, 42 anos.

Vegas, a advogata

"Ela é a titular do escritório porque tem toda a personalidade de uma advogada. A Vegas tinha um irmão que morreu há quatro anos. Nós morávamos em Porto Alegre porque fui fazer uma pós-graduação e hoje o escritório é só dela. Ela tomou esse espaço. A Vegas fica uma estátua, bem paradinha, não atrapalha em nada, ela fica olhando os processos e os clientes, como se estivesse em atendimento também, e prestando atenção na conversa.

Ela passa tranquilidade e deixa o clima mais suave, ela está sempre perto, e eu me sinto mais segura com ela. Ela recebe bem, se esfrega e fica roçando nas pernas dos clientes, cheira e interage bem com todos.

Quem tem condições pode mudar a vida de um cão ou gato e pode ter certeza que no fim das contas a sua vida muda ainda mais. Se eu mudar de escritório, com certeza a Vegas vai comigo, porque ela sente que esse é o lugar dela", diz Josene Mazzochi Berti, 32.

Antônio, o gerengato

"Ele se tornou um membro da família", conta o empresário Ricardo Guimarães Varela, 32. Ele acompanha a nossa rotina. Sobe no balcão como se atendesse aos clientes, circula pela loja e nos acalma. Não é difícil. Ele sabe que às 18h vamos fechar e, se está ali na frente, entra e vem para a cama dele. Nunca tivemos problemas com higiene porque ele usa a caixa de areia e não tem bagunça.

Quando ele não está aqui na empresa é como se faltasse algo, um pedaço de nós. Fica um buraco. Tive um cachorrinho na infância e um dia me falaram que ele tinha fugido. Quando cresci, soube que tinham doado ele. Fui ter animal de estimação adulto e agora não imagino como ficar sem.

As pessoas se impõem limitações e nós podemos garantir que não tem nada melhor que conviver o dia todo com o Antônio. Ele despertou sentimentos em mim e hoje sei o que é amar e cuidar de um bichinho."

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Gabriel Pietro

Gabriel Pietro têm 20 anos, é redator e freelancer. Fundou o Projeto Acervo Ciência em 2016, com o objetivo de levar astronomia, filosofia e ciência em geral ao público. Em dois anos, o projeto alcançou milhões de internautas e acumulou 400 mil seguidores no Facebook. Como redator, escreveu para vários sites, como o Sociologia Líquida e o Segredos do Mundo. Ainda não sabe se é de humanas ou exatas, Marvel ou DC, liberal ou social-democrata. Ama cinema, política, ciência, economia e música (indie). Ainda tentando descobrir seu lugar no mundo.

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