Companheirismo entre gatas cegas comove abrigo que as resgatou: 'Melhores amigas'

Pearl e Miley sofrem das anormalidades congênitas nomeadas de microftalmia e anoftalmia, respectivamente

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em Gatos

O companheirismo entre duas gatas adultas cegas surpreendeu a todos após chegarem em uma clínica veterinária no mês de agosto, precisando de resgate e cuidados veterinários.

As felinas chegaram à clínica cobertas de pulgas e com problemas estomacais.

Na ocasião, um abrigo de gatos chamado Best Friends Felines e localizado em Brisbane, na Austrália, foi notificado sobre a dupla e não hesitou em acolhê-las.

"A clínica disse que a garotinha colorpoint tem microftalmia (pequenos globos oculares malformados) e a menina ruiva tem anoftalmia (sem globos oculares)", destacou Nikki, uma voluntária do Best Friends Felines, em entrevista ao Love Meow.

As irmãs logo encantaram os voluntários com seu temperamento dócil e com a sua habilidade de localização mesmo não conseguindo enxergar nada.

"Elas nunca perderam a bandeja de areia e são brilhantes, felizes e brincalhões, e nunca param de ronronar quando ouvem você", disse.

Para uma melhor adaptação, Kerry, a mãe adotiva de Pearl e Miley, como foram nomeadas as felinas, inicialmente montou um recinto para que as duas pudessem mapear lentamente o quarto e, para surpresa de todos, até o final do dia já tinham o controle de toda a sala.

"Elas imediatamente me surpreenderam. Não há nada que não possam fazer. Estão 100% no ponto com sua casa, não têm nenhum problema em encontrar comida e água. Eles brincam como gatinhos normais e, aparentemente, são diabinhos ousados", comenta.
"Saí da sala para fazer algumas tarefas e, quando voltei, as duas estavam sentadas em cima da árvore dos gatos parecendo extremamente satisfeitas consigo mesmas", acrescentou.

Além disso, Kerry destacou que apesar de Pearl e Miley serem completamente cegas, elas são destemidas e curiosas, assim nada parece atrasá-las.

"Ao ver esses bebês brincando uns com os outros e navegando pela sala, você não saberia que eles eram cegos se não visse seus rostos. Eles são tão incríveis e trazem um sorriso ao meu rosto enquanto os assisto", lembra a tutura adotiva.

Ainda na primeira semana, Kerry notou que além da autonomia das felinas, elas são extremamente unidas.

"Elas estão quase sempre juntas (muitas vezes elas estão se tocando), e quando um vai um pouco longe demais, o outro se irrita. Isso ficou muito claro quando estávamos no veterinário", pontua.

Nesse sentido, a mulher contou que quando pegou Miley para ser examinada, em dois minutos, Pearl estava tentando sair da caixa transportadora para encontrar sua irmã.

De acordo com ela, em seus 15 anos na profissão nunca viu uma amizade tão forte como a delas.

“Elas confiam uma na outra mais do que gatinhos com visão jamais poderiam, então elas definitivamente serão mantidas juntas”, detalha.

Agora, bem mais saudáveis, Miley e Pearl estão aptas para conhecer toda a casa.

"Acabamos de começar a manter a porta do quarto dos gatinhos aberta durante o dia para dar a eles a oportunidade de começar a explorar fora dos limites de seu quarto. Elas ainda não se aventuraram muito longe, mas certamente estão curiosos”, finaliza.

Microftalmia e anoftalmia

Conforme esclarece o artigo “distúrbios neurológicos em gatos filhotes e adultos jovens”, a microftalmia é um defeito congênito no desenvolvimento completo do globo ou bulbo ocular.

Este pode se apresentar com uma redução unilateral ou bilateral no tamanho da estrutura.

Por outro lado, o estudo “Anoftalmia bilateral em um cão sem alterações congênitas associadas relato de caso” explica que a anoftalmia é definida como a ausência completa do bulbo ocular.

Ela deriva do crescimento inadequado da vesícula ou cúpula óptica em estágio precoce da gestação ou por falha posterior da expansão desse elemento óptico.

O distúrbio é muito raro em cães e gatos, e geralmente está associada a outras anormalidades congênitas.

Uma jornalista quase formada de 21 anos, completamente apaixonada por futebol e animais. É daquelas pessoas que não podem ver um cachorro ou gato na rua que já quer fazer carinho... Do tipo curiosa, gosta de contar boas histórias e aquecer o coração de seus leitores. Um pouco indecisa para os títulos das matérias, confesso, mas dedicada ao ponto de procurar sempre escolher as melhores palavras. Prazer, sou Letícia Michele Schneider, atualmente moradora de Passo Fundo (RS), tenho o sonho de deixar o mundo um pouquinho melhor e quem sabe um dia estar à beira do gramado entrevistando os jogadores da dupla Grenal.