“Eles não entendem por que estão voltando para o abrigo”: Cães adotados juntos são devolvidos dois dias antes do feriado

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O que parecia ser um milagre de Natal se mostrou apenas uma ilusão quando dois vira-latas que haviam sido adotados foram devolvidos 2 dias antes da data comemorativa.

O caso aconteceu com um cão caramelo e uma cachorrinha de pelagem preta que estavam sob os cuidados do Pet Catanduva, uma ONG de São Paulo fundada por Rafaela Guardia.

Em 22 de novembro o perfil de Instagram @petcatanduva publicou em conjunto com Laura Luiza que é protetora e vereadora em Catanduva/SP um desabafo sobre a situação.

Nina e Caramelo foram adotados e acreditaram que tinham encontrado um lar seguro, estável e amoroso, no entanto isso foi uma mera ilusão.

Em 22 de dezembro os dois retornaram para os cuidados do abrigo e voltaram com um semblante extremamente triste.

“Esses animais acabaram de ser devolvidos e acho que é nítido, claro, cristalino a tristeza deles. Desde que eles foram devolvidos não se alimentaram, não brincam, não saíram da carinha de triste e abandonados. É a dor do abandono”, ressaltou Laura.

A preferência é para que os dois sejam adotados em conjunto, ambos têm seis meses e serão castrados logo.

Em 03 de janeiro a vereadora publicou vídeos de atualização sobre a dupla:

“Eles estão tão felizinhos, nem imaginam o quanto estamos lutando para que sejam adotados, aceitos… Que neste ano de 2026 o amor fale mais alto! Que as pessoas olhem para os nossos animais com compaixão e adotem. A adoção é o único caminho que pode salvar tantas vidas abandonadas”.

O primeiro vídeo que conta a devolução dos cães obteve 18,4 mil visualizações, 1308 curtidas e 114 comentários.

“Devolver deveria ser considerado também como maus-tratos, afinal não são objetos como essa gente acha. Brincam com os sentimentos dessas vidinha”.
“Inacreditável”.
“Tadinhos, às vezes foi um livramento, com certeza eles irão ser adotados por uma família de verdade”.

Comentaram alguns internautas.

Confira o vídeo abaixo:

Quando adotar em conjunto?

Adotar um cão é uma decisão que transforma a vida, mas a escolha entre um ou dois animais exige uma análise profunda do seu estilo de vida e objetivos.

Ter dois cães oferece a vantagem do companheirismo mútuo, o que ajuda a prevenir o tédio, a ansiedade de separação e comportamentos destrutivos quando você não está em casa. Além disso, eles se exercitam brincando juntos e tendem a ser mais socializados.

No entanto, é fundamental garantir que as personalidades sejam compatíveis, pois sinais de ciúme ou agressão podem exigir a intervenção de um adestrador profissional ou até uma separação definitiva.

O impacto financeiro e logístico é um fator determinante, já que os custos com alimentação, vacinas e consultas veterinárias praticamente dobram.

Além das despesas de rotina, é preciso considerar imprevistos médicos e a dificuldade adicional para planejar viagens, uma vez que hospedar ou encontrar alguém que cuide de dois cães simultaneamente pode ser caro e complexo.

Embora itens como brinquedos e camas possam ser compartilhados, a proteção de recursos por um dos animais pode exigir que você invista em acessórios individuais para evitar conflitos territoriais.

Ao optar por adotar dois cães ao mesmo tempo, especialmente se forem da mesma ninhada ou um par já unido no abrigo, a transição para o novo lar costuma ser menos estressante para eles.

Nesses casos, o adestramento conjunto é essencial para que ambos aprendam as regras da casa simultaneamente, permitindo que um observe o redirecionamento de comportamento do outro.

Adotar um par já formado em abrigos é uma excelente estratégia para tutores iniciantes, pois elimina os problemas de socialização inicial e garante que os animais já possuam um vínculo afetivo estabelecido.

Por outro lado, adotar cães em momentos diferentes pode ser uma abordagem mais manejável para quem deseja ganhar experiência gradualmente.

O ideal é treinar o primeiro cão até que ele domine os comandos básicos para que, ao chegar o segundo animal, este possa seguir o exemplo do veterano, facilitando o aprendizado.

De acordo com o Hills Pet, especialistas recomendam que o par não tenha uma diferença de idade muito grande e que possuam tamanhos semelhantes para minimizar disputas de dominância.

Você sabe quais são os cães menos adotados no Brasil?

A revista Cães e Gatos afirma que no Brasil, a maioria das pessoas ainda prefere comprar cães de raça, como o famoso Shih Tzu, ou ganhar de conhecidos, deixando os abrigos cheios.

Segundo pesquisas, a adoção em abrigos é a escolha menos comum, o que acaba prejudicando os cães sem raça, que são os que mais precisam de um lar.

Apesar de estarmos mais conscientes sobre o abandono, a aparência, a idade e até a cor do pelo ainda pesam muito na hora de alguém decidir qual animal levar para casa.

Um exemplo curioso é o vira-lata caramelo que é um sucesso na internet, estrela de memes e quase um símbolo do Brasil, mas, na vida real, é um dos que mais sofre para ser adotado.

Por serem muito comuns, eles acabam sendo "esquecidos" nos abrigos. Existe um preconceito injusto de que o vira-lata é um animal de "segunda classe", quando, na verdade, eles são extremamente inteligentes, leais e carinhosos.

Outro grupo que enfrenta dificuldades são os cães pretos e os idosos. Muitas pessoas evitam cães de pelagem escura por causa de superstições bobas ou pela ideia errada de que são mais bravos.

Já os cães velhinhos são ignorados porque os tutores têm medo de gastos médicos ou querem um animal que viva por mais tempo.

Mas adotar um cão idoso é garantia de uma amizade tranquila, pois eles já são calmos, educados e muito gratos.

Para mudar essa realidade, o segredo é a adoção responsável. Em vez de olhar apenas para a raça ou para a cor, o ideal é buscar um animal que combine com o seu estilo de vida.

Quem adota sente uma satisfação enorme: metade dos tutores afirma que o amor incondicional é o que mais vale a pena.

No fim das contas, todo cão, seja ele caramelo, preto, jovem ou velhinho, só precisa de uma chance para ser o melhor amigo de alguém.

Se você é de São Paulo e quer adotar Nina e Caramelo, entre em contato com o Pet Catanduva pelo Instagram!

Beatriz é jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, com especialização em Escrita Criativa e Editoração pela Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera. Apaixonada por narrativas envolventes e pelo universo pet, ela também possui certificação em Storytelling para Marketing Digital pela Santander Open Academy, o que complementa sua habilidade de transformar histórias reais em conteúdos informativos e inspiradores. Dedica-se à produção de reportagens que valorizam a convivência ética e afetiva entre humanos e animais de estimação, promovendo empatia, informação de qualidade e o respeito aos animais.