Estudante cria café da manhã de hotel de luxo para aves livres, e se impressiona com a quantidade de espécies que aparecem
Por Beatriz Menezes em Mundo Animal
Uma rotina de cuidado com a fauna local iniciada há uma década se transformou em um movimento de preservação ambiental no interior de São Paulo.
A pedagoga e estudante de ciências biológicas Graciela Santos utiliza o quintal de sua chácara em Porangaba para oferecer frutas e cereais a diversas espécies de pássaros.
Os registros desses momentos alcançaram a marca de 7 milhões de visualizações no Instagram e têm como objetivo principal o alerta sobre a perda de habitat natural das aves brasileiras.
O projeto ganhou força em 2021 com a aquisição da propriedade rural. Em entrevista ao portal G1, a idealizadora explicou que a motivação para expor o conteúdo surgiu da preocupação com o avanço do desmatamento.
Graciela Santos afirmou que seu intuito é conscientizar as pessoas sobre a importância de ajudar os passarinhos porque eles enfrentam dificuldades para encontrar alimento na natureza.
A iniciativa propõe que a população atue de forma direta na manutenção das espécies que perderam recursos com a redução das florestas.
A estrutura do comedouro é montada diariamente com itens simples. O cardápio inclui frutas cortadas, alpiste, quirera e néctar específico para beija-flores.
O aroma dos alimentos atrai as aves para uma caixa de madeira onde a câmera fica posicionada para captar a diversidade da fauna local.
Segundo a estudante, o engajamento do público superou as expectativas iniciais. Ela relatou que muitas pessoas passaram a segui-la e decidiram instalar comedouros semelhantes em suas casas após assistirem aos vídeos.
A diversidade de espécies que frequentam a chácara é um dos pontos que mais despertam o interesse dos seguidores.
Em um registro publicado em junho de 2024, que atingiu quase um milhão de curtidas, é possível observar a presença de aves como o Sabiá-laranjeira e o Sabiá-parda.
O banquete também recebeu a visita do João-de-barro, da Pipira-vermelha e da Rolinha-roxa. Espécies de cores vibrantes como o Sanhaço-cinzento, o Tiê, o Canário-da-terra e a Sairá-amarela também dividiram o espaço com a pequena Cambacica e o Beija-flor-verde.
O comportamento dos animais durante as refeições permite identificar preferências alimentares. No vídeo mencionado, o mamão e a pitaya foram as frutas mais procuradas pelos visitantes.
Além da observação biológica, Graciela Santos utiliza o alcance das plataformas digitais para combater o hábito de manter pássaros em cativeiro.
““Me surpreendi com a resposta do público, viram em mim uma força para influenciar sobre os pássaros livres, e era justamente essa a idéia que eu queria transmitir através dos vídeos, que não precisa prender para termos eles por perto”, comentou.
Graciela orienta que o melhor período para servir o banquete é durante a manhã em dias de temperatura amena. Entre as frutas prediletas das aves estão a banana, o mamão, a maçã, a manga e a laranja-lima.
A pedagoga ressalta que a prática deve ser acompanhada de responsabilidade e limpeza dos recipientes para evitar a proliferação de fungos ou doenças.
Para quem deseja iniciar a prática, a recomendação é começar com pequenas quantidades de frutas e observar quais espécies habitam a região.
O uso de sementes como o alpiste ajuda a atrair pássaros granívoros, enquanto as frutas são essenciais para os frugívoros. A constância é um fator importante, pois as aves passam a incluir o local em sua rota diária de busca por energia.
Confira o vídeo abaixo:
É um vídeo melhor que outro:
Não tem espaço em casa para fazer a mesma coisa que Graciela? Então experimente o birdwatching.
O birdwatching, conhecido popularmente como passarinhada, consiste na prática de observar aves em seu habitat natural e tem registrado crescimento constante no setor turístico brasileiro.
O país ocupa o segundo lugar no ranking mundial de diversidade de aves, sendo superado apenas pela Colômbia.
A atividade vai além da contemplação estética e oferece benefícios comprovados para a saúde física e mental dos praticantes através do contato direto com a natureza.
A prática não exige regras rígidas ou equipamentos profissionais de última geração. O observador pode percorrer trilhas de forma solitária ou em grupos com o objetivo de registrar imagens, gravar vocalizações ou apenas guardar a memória visual do encontro.
Segundo especialistas do Instituto Libio a atividade estimula o condicionamento físico por meio de caminhadas ao ar livre e ajuda na redução de sintomas de estresse, pressão alta e na regulação hormonal.
Gabriela Rodrigues França, assistente de projetos da SAVE Brasil, atua no Projeto Jacutinga em São Francisco Xavier (SP) e observa os impactos positivos nos participantes.
Ela relatou ao Instituto que muitas pessoas que enfrentam momentos difíceis conseguem focar integralmente na observação, deixando distrações de lado e aguçando os sentidos.
Em um dos casos citados pela assistente, a passagem de uma coruja sobre um grupo de observadores causou forte impacto emocional em uma senhora que nunca havia visto o animal em liberdade.
Ao contrário do que o senso comum sugere, a observação de aves é uma atividade acessível e não requer incursões em matas fechadas de difícil acesso.
Áreas abertas e bordas de parques urbanos são locais propícios para iniciantes, pois facilitam a visualização dos animais que não ficam tão escondidos entre a vegetação densa.
Para começar, recomenda-se o uso de roupas confortáveis em tons neutros, que evitam espantar as aves, além de binóculos ou câmeras fotográficas.
Assista abaixo:
A tecnologia tem sido uma aliada fundamental para a democratização do hobby. Atualmente, o uso de guias impressos pesados foi substituído por aplicativos gratuitos que auxiliam na identificação das espécies em tempo real.
O Merlin é apontado como a principal ferramenta para iniciantes, permitindo identificar aves por meio de fotos, sons ou características físicas como cor e silhueta.
O aplicativo fornece listas personalizadas baseadas na localização geográfica do usuário. Outras plataformas como o eBird e o Wiki Aves funcionam como redes de ciência cidadã.
No eBird, o praticante constrói um histórico pessoal de avistamentos e compartilha dados que são utilizados em pesquisas científicas sobre migração e conservação.
O Wiki Aves atua como uma enciclopédia colaborativa onde especialistas ajudam na identificação de fotos enviadas pelos usuários.
Esses dados alimentam planos de manejo e ajudam a definir áreas prioritárias para a proteção da fauna.











