“Sente minha presença de um jeito surreal”: Tutora mostra como cão cego e surdo percebe que ela chegou em casa

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em Aqueça o coração

A chegada em casa após um dia de trabalho costuma ser o momento de maior euforia para cães e seus proprietários. Mas para Blink, um Border Collie Blink que nasceu cego e surdo, a rotina é um pouco diferente.

Um recente feito por sua tutora, a médica veterinária Patrine Thiele, alcançou repercussão ao mostrar como o animal utiliza outros sentidos para compensar a falta de visão e audição.

Blink estava deitado em uma varanda, aparentemente alheio ao que acontece ao redor. É quando Patrine chega em casa e observa que ele ainda não havia percebido sua entrada.

Mas então conforme ela se aproxima, em poucos segundos, a postura do cão muda radicalmente. Ele levanta a cabeça e começa a farejar o ar de forma intensa.

Sem ouvir passos ou ver a silhueta da tutora, o cachorro se levanta e percorre a casa com agitação, abanando o rabo e procurando a origem do odor familiar.

A busca termina quando ele literalmente esbarra em Patrine. A reação é de alegria imediata, com o animal pulando e recebendo carinhos enquanto a veterinária o acalma.

Esse comportamento, que parece surreal para muitos espectadores, é na verdade uma demonstração prática de como o sistema sensorial canino se adapta a limitações severas.

O que é o cão duplo merle

A condição de Blink não é um acidente isolado, mas sim o resultado de um cruzamento genético específico que Patrine Thiele tenta combater através da conscientização nas redes sociais.

Em suas publicações, a veterinária explica que Blink possui a pelagem conhecida como Duplo Merle.

Essa característica ocorre quando dois cães que já possuem o padrão de cor "Merle" (aquelas manchas irregulares e diluídas na pelagem) são colocados para reproduzir entre si.

Segundo a explicação técnica de Patrine, existe uma probabilidade de pelo menos 25% de que os filhotes desse tipo de cruzamento nasçam com a condição Duplo Merle.

Do ponto de vista genético, o animal herda duas cópias do gene dominante e a consequência prática é frequentemente devastadora para a saúde do pet.

Cães que herdam essa carga genética duplicada costumam apresentar pelagem predominantemente branca e, em grande parte dos casos, deficiências graves como cegueira, surdez ou ambas.

Patrine enfatiza que este é exatamente o caso de Blink, que vive com essas limitações desde o nascimento devido a uma falha no planejamento reprodutivo de seus criadores originais.

Assista abaixo:

A importância dos testes e o gene oculto

Um dos pontos de maior relevância trazidos pela médica veterinária em seu trabalho de educação digital é a existência do "gene oculto".

Muitas pessoas acreditam que apenas cães com manchas visíveis podem transmitir a condição Merle, mas isso é um equívoco perigoso para a preservação das raças.

Patrine alerta que mesmo cães com pelagem sólida, como os exemplares pretos e brancos, podem carregar a genética necessária para gerar descendentes Duplo Merle.

Isso significa que um cruzamento aparentemente seguro entre dois animais sem manchas pode resultar em filhotes com deficiências sensoriais se os pais forem portadores do gene de forma não aparente.

A recomendação profissional é clara quanto à prevenção. Nenhuma cruza de animais que possuam essa linhagem deve ser realizada sem que os tutores façam testes genéticos prévios.

Esses exames são as únicas ferramentas capazes de garantir que o cruzamento não resulte em animais que enfrentarão as dificuldades de viver sem dois dos sentidos primordiais para a espécie canina.

Veja a explicação:

Rotina e adaptação

Viver com um cão como Blink exige paciência e adaptações no ambiente doméstico. Como visto no vídeo compartilhado, a comunicação se baseia inteiramente no toque e no olfato.

A tutora utiliza o compartilhamento da rotina para desmistificar a ideia de que cães com deficiência não podem ter qualidade de vida, embora reitere que a condição deve ser evitada a todo custo por meio da posse responsável e do controle genético.

Conheça Soldier um cão cego e vai à praia todos os dias:

De acordo com a CNN Brasil, Soldier é um cachorro de aproximadamente 12 anos que se tornou o mascote oficial de uma hospedagem nas Ilhas Turcas e Caicos, no Caribe.

Ele chegou à vida dos seus tutores, Karen e John Lawson, em 2011, quando simplesmente apareceu na porta do casal e os "adotou".

Embora seja totalmente cego e possua uma audição bastante reduzida, ele vive de forma plena e independente, sendo frequentemente visto sorridente em seu lugar favorito no mundo: a praia.

A rotina do animal impressiona por sua autonomia, já que ele atua como guia para os hóspedes das cabanas, conduzindo-os pelo caminho até o mar.

Confira:

Essa paixão e o conhecimento do trajeto foram cultivados ao lado de seu falecido irmão, Skipper, que o acompanhava diariamente em caminhadas matinais para se refrescar na água.

Mesmo com as limitações sensoriais, >Soldier às vezes vai sozinho para nadar e demonstra grande habilidade em navegar pelo ambiente que conhece tão bem.

Seus tutores utilizam essa visibilidade para mostrar que cães com deficiência podem ter uma vida feliz e para incentivar a adoção de outros animais em abrigos.

Beatriz é jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, com especialização em Escrita Criativa e Editoração pela Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera. Apaixonada por narrativas envolventes e pelo universo pet, ela também possui certificação em Storytelling para Marketing Digital pela Santander Open Academy, o que complementa sua habilidade de transformar histórias reais em conteúdos informativos e inspiradores. Dedica-se à produção de reportagens que valorizam a convivência ética e afetiva entre humanos e animais de estimação, promovendo empatia, informação de qualidade e o respeito aos animais.