"Deixa eu ser sua mamãe?": Ao ver gatinho órfão resgatado, cachorrinha faz de tudo para que ele a aceite como mãe

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em Aqueça o coração

Um vídeo publicado recentemente no Instagram capturou um momento de puro instinto e solidariedade animal.

Uma cachorrinha vira-lata de cor caramelo surpreendeu seus tutores ao manifestar um comportamento maternal imediato diante de um filhote de gato recém-resgatado.

A cena começa no exato instante em que o pequeno felino preto sai de uma caixa de transporte plástica.

Com aparentemente apenas duas semanas de vida, o gato ainda apresentava sinais claros de carência por uma figura materna.

No vídeo, a cachorrinha deita no chão e vira de barriga pra cima como se fosse amamentar o felino. Esse gesto é uma oferta direta de amamentação e proteção.

Especialistas em comportamento animal explicam que a liberação de hormônios como a ocitocina pode ser desencadeada pela vulnerabilidade de um filhote, independentemente de ser um cão ou um gato.

A cadela agia como se estivesse diante de sua própria ninhada. Ela perseguia o gatinho pela sala para garantir que ele estivesse seguro enquanto explorava o ambiente.

O gatinho demonstrou curiosidade pelo contato, mas manteve o foco em reconhecer o território do seu lar temporário.

O vídeo acumulou números expressivos de engajamento desde sua publicação em 18 de janeiro pelo perfil @miaudoteudi, alcançando a marca de 203 mil visualizações e 31 mil curtidas.

Assista o vídeo abaixo:

"Que gracinha, ela querendo por tudo dar mamazinho para o nenê gato!"
"Ela pedindo pra ser adotada como mãe kk"
"Expectativa: adotar um gato/ Realidade: a cadela que adotou o gato e você virou avó"

Foram alguns dos comentários.

Instinto materno em cadelas:

Segundo a Folha de Londrina, entre os animais domésticos as cadelas são campeãs em adotar filhotes de outras mães que rejeitam seus próprios, até mesmo de outras espécies.

Esse comportamento altruísta, ou a habilidade de cuidar de uma cria que não é a sua, é instintivo nas fêmeas, tem a ver com elementos hormonais e em várias espécies é um comportamento natural.

''Em lobas e cadelas, no ambiente de matilha, esse comportamento é muito comum. Normalmente, as fêmeas alfa se reproduzem e as outras ajudam a criar, amamentando. Há um estímulo muito forte na produção do leite, que são as crias das outras fêmeas e a predisposição hormonal. É a dedicação da sobrevivência da espécie'', explica a médica veterinária Rúbia Burnier, especialista em comportamento animal.

Ainda de acordo com a veterinária não há problema, mesmo entre espécies diferentes. É melhor o leite de uma cadela do que a mamadeira.

Quando ela está apta e saudável o leite pode ser uma alternativa, mas não se deve criar uma situação por causa de gravidez psicológica. Também existe a chance de recusa.

Se a sua cadela apresentar sinais de gravidez psicológica (pseudociese), a recomendação principal é buscar auxílio veterinário para aliviar o desconforto físico e hormonal.

Abaixo, as orientações fundamentais sobre como proceder:

O que fazer

  • Não estimule as mamas: Evite massagear ou espremer as glândulas mamárias para retirar o leite, pois isso estimula o corpo a produzir ainda mais.
  • Retire "objetos-filhotes": É comum a cadela adotar brinquedos ou sapatos como se fossem crias. O tutor deve remover esses objetos do alcance dela para interromper o comportamento de "ninho" e não prolongar o distúrbio.
  • Aumente as atividades: Estimule o pet com passeios e exercícios físicos para distraí-la e ajudar a reduzir a ansiedade.
  • Avaliação veterinária: O profissional poderá receitar medicamentos específicos para secar o leite e controlar os hormônios, além de descartar doenças graves como infecções uterinas ou inflamações mamárias (mastite).
  • Considere a castração: Após a resolução do quadro, a castração é o método definitivo para evitar que a condição se repita em ciclos futuros.

Adotar um filhote ajuda?

De acordo com a Clínica Inova Veterinária, não. Embora pareça uma solução generosa, a adoção de um filhote real durante esse período não é recomendada.

A presença de um filhote pode intensificar o instinto materno e os comportamentos causados pelo desequilíbrio hormonal, agravando e prolongando o quadro de gravidez psicológica em vez de resolvê-lo.

Beatriz é jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, com especialização em Escrita Criativa e Editoração pela Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera. Apaixonada por narrativas envolventes e pelo universo pet, ela também possui certificação em Storytelling para Marketing Digital pela Santander Open Academy, o que complementa sua habilidade de transformar histórias reais em conteúdos informativos e inspiradores. Dedica-se à produção de reportagens que valorizam a convivência ética e afetiva entre humanos e animais de estimação, promovendo empatia, informação de qualidade e o respeito aos animais.