"É um sobrevivente": Homem adota Caramelo, cão comunitário que escapou de tentativa de afogamento na Praia Brava
Por Larissa Soares em Proteção Animal
Em meio à indignação nacional causada pela morte do cão comunitário Orelha, um gesto de acolhimento e compaixão ganhou destaque nas redes sociais.
O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, anunciou que adotou Caramelo, um dos cães vítimas dos mesmos adolescentes suspeitos de terem espancado Orelha até a morte, em Florianópolis.
A história foi compartilhada pelo perfil floripamilgrau, junto a uma imagem criada por inteligência artificial que mostra o delegado com o cão no colo.

A publicação rapidamente viralizou, trazendo um respiro de esperança em meio a um caso marcado por violência e revolta.
Tentativa de afogamento e sobrevivência
Caramelo havia sido levado ao mar pelo grupo de adolescentes e sofreu uma tentativa de afogamento. Diferente de Orelha, ele conseguiu escapar da água e fugir. Dias depois, foi localizado e, felizmente, estava em boas condições de saúde.

As investigações da Polícia Civil apontam que o crime contra Caramelo aconteceu no mesmo local e no mesmo período das agressões que levaram à morte de Orelha. As ações foram registradas por câmeras de monitoramento da região.
“Viva, o Caramelo da Brava está vivo. Tentaram afogá-lo. Como o Mirolho, que foi adotado, é um sobrevivente”, escreveu Ulisses Gabriel em suas redes sociais.
Orelha: o caso que comoveu o país
Orelha era um cão comunitário de cerca de 10 anos, conhecido e querido por moradores da Praia Brava. No início de janeiro, ele foi encontrado gravemente ferido, agonizando, após sofrer agressões violentas, principalmente na região da cabeça.
Mesmo com atendimento veterinário, o quadro era irreversível, e o cão acabou sendo eutanasiado para interromper o sofrimento. O caso gerou revolta no Brasil e fora dele, com manifestações, protestos e pedidos de justiça.
A Polícia Civil identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos de envolvimento direto nas agressões.
Dois deles já prestaram depoimento; outros dois estavam em viagem aos Estados Unidos, já programada, e devem retornar ao Brasil nos próximos dias.
O Ministério Público de Santa Catarina acompanha o caso, que envolve também um inquérito por coação de testemunhas.
Um histórico de adoção e afeto
A adoção de Caramelo não foi um gesto isolado na vida do delegado. Em um longo relato publicado no Instagram, Ulisses Gabriel compartilhou sua história com cães ao longo da vida.
“Era pequeno quando tive uma Pastora chamada ‘Matraca’. Depois veio uma guapeca chamada ‘Tita’ e outro Pastor chamado ‘Jerry Lee’. Eu e a @thayni_librelato tiveram o Beagle ‘Marley’, que viveu dez anos conosco e, num triste episódio de fuga, foi atropelado por um veículo. Chorando, juntei ele nos braços e enterrei.”

Após essa perda, outro cão entrou em sua vida: o Chow Chow que passou a ser chamado de Mirolho, por não ter um dos olhos, e que também foi adotado. Agora, o destino colocou Caramelo em seu caminho.
“‘A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de caráter, e quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem.’ (Arthur Schopenhauer)”, escreveu.
“Carta aberta ao meu novo dono”
Em uma publicação emocionante, o delegado também compartilhou uma “carta aberta” escrita do ponto de vista de Caramelo. No texto, o cão narra o medo, a violência e a esperança de um recomeço, pedindo não pena, mas uma chance.
O relato fala sobre aprender a se encolher diante de mãos levantadas, sobreviver às marcas invisíveis e continuar acreditando no amor, mesmo depois de tudo.
A publicação tocou milhares de pessoas e reforçou a importância do acolhimento para animais vítimas de maus-tratos.
Maus-tratos contra animais é crime
No Brasil, maus-tratos contra animais são crime previsto na Lei nº 9.605/98. A legislação foi atualizada para prever penas mais severas em casos envolvendo cães e gatos, com reclusão e multa.
Abandono, agressões físicas, tentativa de afogamento, envenenamento e qualquer ato que cause sofrimento, dor ou risco à vida do animal se enquadram como crime.
Como denunciar maus-tratos
Qualquer pessoa pode — e deve — denunciar maus-tratos contra animais. As denúncias podem ser feitas:
- Em delegacias de Polícia Civil, presencialmente ou online
- Ao Ministério Público
- A órgãos municipais de proteção e bem-estar animal
- Pelo telefone 190, em casos de flagrante
- Fotos, vídeos, localização, data, horário e relatos de testemunhas ajudam a fortalecer a denúncia.
A adoção de Caramelo não apaga a dor causada pela morte de Orelha, mas mostra que a crueldade não venceu completamente. Em meio à violência, mais um cão sobreviveu e encontrou um lar.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.










