“Será que alguém vai me amar?”: Com olhar triste, filhote para adoção comove ao pedir uma família
Por Larissa Soares em Aqueça o coraçãoNariz manchadinho, orelhas caídas e um olhar que parece carregar todas as dores do mundo.
Foi assim que Narizinho conquistou milhares de pessoas nas redes sociais e arrancou suspiros, lágrimas e uma enorme vontade coletiva de abraçá-lo.
O filhote para adoção foi apresentado recentemente pela protetora Deise Falci, de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
O charme do nariz pintadinho já chamava atenção, mas foi a expressão do pequeno que realmente derreteu corações.
Encolhido em um cantinho, tentando ocupar o menor espaço possível, Narizinho parecia pedir desculpa por existir. Ainda assim, seus olhos carregavam a esperança de ser amado.
Um olhar que diz tudo, sem precisar de palavras
No vídeo compartilhado por Deise no Instagram, o filhote aparece visivelmente assustado.
O corpinho encolhido denuncia o medo, enquanto o olhar parece perguntar se, em algum momento, alguém vai enxergá-lo de verdade.
“O medo da rejeição. Eles sentem tudo”, escreveu a protetora na legenda, resumindo em poucas palavras aquilo que quem convive com animais resgatados conhece bem.
Em seguida, Deise decidiu dar voz ao próprio Narizinho, escrevendo o texto do ponto de vista do filhote:
“Será que um dia vou ser amado? Alguém vai me amar um dia? Queria estar brincando, dinda.”
Na sequência, ela pergunta: “quem é que vai adotar ele pra não ficar com essa cara de tristonho?”
A internet respondeu… e respondeu rápido
Se a intenção era tocar o coração das pessoas, deu muito certo.
A publicação rapidamente viralizou e já soma mais de 53,9 mil curtidas e 2,4 mil comentários, com uma enxurrada de mensagens de amor e pessoas interessadas em adotar.
“Ô, meu deuzuduceu! Coisa mais amada! Vai chover adotantes!!!!”, escreveu uma internauta. E a previsão parecia correta.
“Como dói ver esses olhinhos tristes!”, disse uma pessoa.
“Meu Deus, como é lindo! Esse nariz pintadinho”, escreveu outra.
“Narizinho, nós te amamos e torcemos pra que tenhas uma família muuuuuuuito especial”, desejou mais alguém.
Na legenda, Deise apresentou as informações básicas do cãozinho:
“Eles sentem tudo! Quem vai mudar o destino do Narizinho?
- Bebê mix collie super calmo e tranquilo
- 3 meses
- Vacinado
- Porte M”
Agora, a esperança é que, muito em breve, aquele olhar vindo diretamente da “Coitadolândia” dê lugar a um sorriso de cachorro seguro, amado e em casa.
O impacto emocional do abandono
Apesar da fofura, o caso de Narizinho também escancara uma realidade dura. Filhotes resgatados, mesmo muito novos, carregam marcas emocionais.
O medo, a insegurança e o receio de rejeição fazem parte do processo e isso não desaparece magicamente no primeiro dia em um novo lar.
É justamente aí que entra um ponto fundamental para quem se encanta com histórias como essa: a adaptação leva tempo.
Regra 3-3-3: entendendo o tempo do cachorro adotado
Segundo a treinadora Jess, do projeto Jess’ Dog Training, a chamada regra 3-3-3 ajuda tutores a entenderem melhor o que um cão, seja ele filhote ou adulto, passa após a adoção.
A regra funciona como uma diretriz geral e representa três fases importantes: 3 dias, 3 semanas e 3 meses após a chegada ao novo lar.
Cada cão tem seu próprio ritmo, mas esses marcos ajudam a criar expectativas realistas.
Nos primeiros 3 dias: medo e sobrecarga
Nos primeiros dias, o cachorro costuma estar sobrecarregado emocionalmente. É comum que ele:
- Se mostre assustado ou retraído
- Evite contato
- Não coma ou beba direito
- Durma bastante
- Procure um espaço seguro
- Teste limites
Nessa fase, o cão ainda não se sente à vontade para ser ele mesmo.
Após 3 semanas: começando a baixar a guarda
Com cerca de três semanas, o cachorro começa a entender a rotina da casa. Ele passa a:
- Se sentir mais confortável
- Reconhecer horários e pessoas
- Mostrar pequenos traços de personalidade
- Entender que aquele lugar pode ser definitivo
É também nessa fase que alguns comportamentos indesejados podem surgir, como xixi fora do lugar ou desobediência básica.
Após 3 meses: confiança e vínculo
Depois de três meses, o cachorro geralmente se sente em casa. Ele já:
- Confia no tutor
- Desenvolveu um senso de segurança
- Está confortável para ser quem realmente é
- Criou vínculo com a família
Segundo Jess, é comum que tutores confundam esse momento com “regressão”, quando, na verdade, o cão só se sente seguro o suficiente para se mostrar por completo.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.
