“Essa eu nunca tinha visto”: Passarinho fica preso em teia, se cansa de tanto se debater e mobiliza resgate
Por Larissa Soares em Proteção Animal
Na primeira semana de janeiro, os produtores de cachaça João Fernando Chaves e Francisco Chaves estavam trabalhando no campo, quando uma cena fez tudo parar.
Um pequeno passarinho se debatia, preso por um único fio de teia de aranha, em Coronel Xavier Chaves/MG.
Não era um galho, não era uma linha. Era uma teia de aranha fina, mas forte o suficiente para impedir o voo.
Impressionado com a cena, Francisco começou a registrar: “Passarinho, bico-de-lacre, preso na teia de aranha…”, disse. João Fernando, igualmente surpreso com a situação, comentou:
“Essa é novidade viu, essa eu nunca tinha visto não.”
Mas, apesar da surpresa dos dois, a prioridade máxima era só uma: ajudar.

O registro foi compartilhado no Instagram da Cachaça Século XVIII e chamou atenção não só pela delicadeza do resgate, mas também pela raridade da cena.
Um bico-de-lacre preso em uma teia não é algo que se vê todos os dias.
Preso por um fio... literalmente
No vídeo, Francisco mostra que apenas um fio da teia se enrolou na asa do passarinho. Ainda assim, foi o suficiente para deixá-lo exausto.
Aos poucos, com cuidado para não machucar nem a ave nem piorar a situação, ele desfaz a armadilha.
O bico-de-lacre permanece quieto por alguns instantes, como se estivesse recuperando o fôlego depois da luta contra a teia.
“Paramos tudo, ajudamos e devolvemos ele pra natureza — porque aqui o cuidado vem antes de qualquer coisa”, diz a legenda do vídeo, que também convida o público a identificar a espécie do passarinho.
“Esse passarinho é muito lindo”, escreveu uma pessoa nos comentários. Outra elogiou a atitude: “Parabéns! Eu faria a mesma coisa”.
E, como era de se esperar, internautas também não perderam tempo em fazer piada com a situação.
“E a aranha preparando a ceia… como ficou?”, brincou uma pessoa.
A resposta veio logo abaixo, lembrando que a natureza nem sempre funciona como esperamos:
“Dependendo do tipo de aranha elas até soltam, mas dependendo da aranha o que caiu na teia é lanche”.
Quem é o bico-de-lacre?
O bico-de-lacre é uma ave passeriforme da família Estrildidae, bastante conhecida em áreas urbanas e terrenos baldios do Brasil.
De acordo com o WikiAves, a espécie mede entre 10 e 13 centímetros e pesa de 7 a 10 gramas, o que ajuda a entender por que até um único fio de teia pode se tornar um problema.
Também chamado de mandarim, biquinho, beijo-de-moça, bombeirinho ou bico-de-fogo, dependendo da região do país, o bico-de-lacre é uma espécie exótica, originária do sul da África.
Ele foi introduzido no Brasil ainda no período do Império, trazido em navios negreiros durante o reinado de D. Pedro I.
Com capacidade de voo reduzida, espalhou-se pelo território brasileiro principalmente com ajuda humana, escapando de gaiolas e sendo transportado entre regiões.
Hoje, é comum vê-lo em bandos pequenos, especialmente em áreas abertas das cidades.
A alimentação do bico-de-lacre é baseada principalmente em sementes de gramíneas, como capim-colonião e capim-elefante, mas ele também pode capturar pequenos insetos de forma ocasional.
Vive em grupos e costuma aproveitar poças de água, fontes artificiais e áreas próximas a rios.
Teias de aranha: armadilhas, riscos e até abrigo
Embora pareçam frágeis, teias de aranha são obras de engenharia natural. Algumas espécies produzem fios tão resistentes que podem sustentar pequenos vertebrados, inclusive aves.
Um estudo citado pela National Geographic trouxe à tona um registro inédito: um pássaro empoleirado em uma teia de aranha do tipo jorō (Trichonephila clavata), uma espécie invasora nos Estados Unidos.
O animal não estava preso, mas usava a teia como apoio enquanto se alimentava dos insetos capturados ali.
Apesar disso, em muitos casos, pássaros acabam presos ao tentar atravessar uma teia durante o voo, especialmente espécies leves.
Quando não conseguem se soltar, podem morrer de exaustão ou se tornar presa da própria aranha.
Por outro lado, aves também utilizam teias de forma estratégica: muitas espécies coletam fios para reforçar ninhos, aproveitando a elasticidade e resistência do material.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.







