“Minha Mel”: Mesmo após 7 anos separadas, cachorra reconhece ex-tutora na hora e reação no portão emociona milhões

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em Cães

Após sete anos de distância, a internauta Aline passou em frente à casa onde Mel, sua antiga cachorrinha, mora até hoje.

O reencontro, registrado em vídeo e publicado no Instagram, emocionou milhares de pessoas, mas também dividiu opiniões.

“Alguns amores nunca se despedem”

Na gravação, Aline se aproxima do portão e chama baixinho. Do outro lado, Mel aparece chorando, num misto de alegria e saudade.

Aline faz carinho pela grade. Mel encosta o focinho, como se tentasse diminuir o espaço físico que as separa.

“Minha Mel. O tempo passou, a vida mudou… mas o amor não. Foram 7 anos longe, sem conviver, sem cuidar no dia a dia. Mas bastou rever pra entender que alguns laços não se explicam, só se sentem.”

Uma decisão difícil

Depois da repercussão, Aline explicou o contexto da separação.

“Mel entrou na minha vida em 2014. Ela cresceu comigo, me acompanhou por anos e foi amor desde o primeiro dia. Mas há 7 anos, a vida me colocou numa situação muito difícil.”

Segundo ela, por motivos familiares, precisou sair de casa e não tinha para onde ir e não aceitaram que levasse a cachorrinha.

Mel havia sido adotada por Aline e pelo então namorado. Quando o relacionamento terminou, a cadela ficou com ele.

“Ela tem rotina, ela tem cuidado e o principal de tudo: ela é amada. E ela não foi abandonada. Abandono seria deixar ela sem cuidado. E isso nunca aconteceu.”

Aline reconhece a dor da distância, mas afirma que a decisão foi tomada pensando no bem-estar da cachorrinha.

“Aprender a viver com a saudade é um tipo de maturidade que ninguém ensina.”

Amor ou abandono? A internet reage

O vídeo ultrapassou o campo da emoção e entrou no território do debate.

“Ela te ama muito… como ela chorou sentida”, escreveu uma pessoa.

Outros foram mais críticos:

“Você vai lá e mata a sua saudade, mas ela não entende.”
“Ou pega ela para passar os fins de semana, ou não alimenta esse sentimento.”
“Existem vários tipos de abandono… emocional é um deles.”

Alguns sugeriram guarda compartilhada. Outros argumentaram que visitas pontuais poderiam reabrir feridas na cadela.

Uma amiga de Aline saiu em defesa:

“Quem julga não sabe a sua história. Foi uma separação, ele ficou na casa e tinha mais condições de cuidar da Mel. Você foi morar na casa dos outros e não deixaram levar.”

Entre julgamentos e apoio, uma pergunta ficou no ar: o que é melhor para o pet quando um relacionamento termina?

Quem fica com o cachorro em um divórcio?

A resposta não é simples.

A especialista em comportamento canino e mediadora familiar Karis Bryen, fundadora da Who Keeps the Dog, atua justamente em casos de guarda de animais em processos de separação.

Segundo ela, muitos problemas comportamentais em cães tinham origem em decisões mal planejadas durante separações.

Segundo Bryen, existem dois cenários principais: divórcios amigáveis e litigiosos.

Nos amigáveis, há espaço para negociação e foco no bem-estar do animal. Já nos litigiosos, o pet pode acabar sendo usado como “moeda de troca” ou instrumento de vingança.

E o que diz a lei?

A forma como os animais são tratados juridicamente varia de país para país.

Espanha, Portugal, França e alguns estados dos Estados Unidos já reconhecem animais como seres sencientes, permitindo que juízes considerem o bem-estar do pet ao decidir sobre guarda.

No Brasil, porém, ainda não há uma legislação específica consolidada para guarda de animais em casos de divórcio.

Em muitos processos, eles acabam sendo enquadrados como bens, cabendo ao juiz decidir com base em critérios como registro, comprovação de compra, documentos veterinários e microchip.

Especialistas recomendam que, em contratos de união estável ou casamento, os tutores incluam cláusulas específicas sobre os animais de estimação.

Se o cachorro possui pedigree, por exemplo, o registro pode influenciar na definição de responsabilidade legal.

Guarda compartilhada funciona?

A ideia de guarda compartilhada pode parecer ideal, mas não é adequada para todos os cães.

De acordo com Bryen, nem todos os animais lidam bem com a alternância constante entre casas.

Cães idosos, muito apegados à rotina ou com histórico de ansiedade podem sofrer com transições frequentes.

Por outro lado, cães jovens, confiantes e bem-adaptados podem se ajustar melhor a esse modelo.

Um ponto crucial é a dinâmica entre os ex-parceiros. Se as trocas são tensas e conflituosas, o estresse pode afetar diretamente o animal.

A especialista também alerta: embora humanos projetem nos cães a dificuldade de “superar” a ausência de um tutor, muitos animais conseguem se adaptar a um novo lar estável com mais facilidade do que imaginamos.

Mas, claro, desde que recebam amor, rotina e segurança.

O impacto emocional nos pets

Mudanças bruscas, como separações, mudanças de casa ou alteração na rotina, podem provocar reações comportamentais.

Latidos excessivos, mastigação destrutiva, ansiedade de separação e alterações no apetite são algumas manifestações comuns.

Por isso, durante processos de divórcio, recomenda-se:

  • Manter a rotina do animal o mais estável possível;
  • Garantir exercícios adequados à idade e raça;
  • Oferecer estímulos positivos e atividades já conhecidas pelo pet;
  • Evitar introduzir treinamentos complexos em momentos de estresse;
  • Buscar apoio profissional, se necessário.

O foco deve ser sempre o bem-estar do cão, não a compensação emocional dos tutores.

Entre o certo e o possível

No caso de Aline e Mel, o cenário não envolveu disputa judicial. A cadela permaneceu na casa onde já vivia, com alguém que também a ama.

O reencontro pelo portão despertou questionamentos legítimos, mas também revelou algo inegável: o vínculo permanece.

A grande discussão talvez não seja se há amor. Isso está claro.

A questão é como equilibrar esse amor com estabilidade emocional para o animal.

Nem sempre o que é possível para o tutor é o ideal em termos de convivência diária. Às vezes, maturidade é aceitar que amar também significa abrir mão da presença constante.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.