“Por três dias, ele ficou ali, uivando e esperando”: Após 7 anos com uma família, cão de 60 kg é deixado na estrada
Por Larissa Soares em Cães
Durante três dias, um cão de quase 60 kg permaneceu à beira de uma estrada, uivando e esperando por alguém que nunca voltou.
A cena, registrada pela Sociedade Viçosense de Proteção aos Animais (SOVIPA), em Viçosa (MG), comoveu quem acompanhou a história.
Mas o que poucos sabiam naquele momento era que, por trás daquele olhar perdido, havia uma vida inteira marcada por lealdade e uma ruptura difícil de compreender.
Golias não era um cão de rua. Ele havia passado sete anos com uma família antes de ser doado e, por algum motivo, acabar sozinho naquele local. “Ele não entendia o abandono”, resumiram os voluntários.
O resgate de um coração partido
Resgatar Golias não foi uma tarefa simples. Além do porte grande, havia a desconfiança e o sofrimento de um animal que parecia emocionalmente paralisado.
Segundo os relatos, ele não queria sair da estrada. Era como se ainda acreditasse que alguém voltaria para buscá-lo.
Com paciência e ajuda, os voluntários conseguiram colocá-lo no carro. Mas o desafio estava apenas começando.

Nos primeiros dias, Golias demonstrava sinais de tristeza profunda. Durante o banho, nas tentativas de interação e até na hora de se alimentar, ele permanecia apático. Ele não reagia, não demonstrava interesse e evitava até comer quando havia alguém por perto.
“Mas ele tá muito triste esse cachorro”, diz uma das voluntárias no vídeo compartilhado pela ONG.
O momento em que o amor começou a transformar
Com o passar dos dias, alguns pequenos sinais começaram a surgir. Primeiro, uma leve curiosidade. Depois, um pouco mais de disposição. Até que, finalmente, Golias começou a mostrar quem realmente era.
As imagens seguintes mostram uma transformação comovente. O cão antes abatido agora aparece correndo, brincando, rolando na grama e interagindo com outros cães.
O contraste emocionou milhares de pessoas nas redes sociais.
“O amor transforma, e Golias sorriu!”, escreveu a SOVIPA.
A mudança não aconteceu da noite para o dia. Ela foi construída com cuidado, paciência e, principalmente, respeito ao tempo do animal.
Golias passou por lares temporários, hotéis para pets e conquistou todos por onde passou. Faltava apenas uma coisa: um lar definitivo.
Um final feliz
A história ganhou um novo capítulo quando Fabíola conheceu Golias. Encantada com o cão, ela decidiu abrir as portas de casa para ele.
Hoje, Golias vive em um ambiente onde tem espaço, companhia e, acima de tudo, segurança emocional. Depois de tudo o que viveu, Golias finalmente está em casa.
“Receber Golias foi acolher uma alma que já viu muito do mundo”, escreveu sua nova tutora.
A adaptação foi tão positiva que o cão, antes retraído, agora demonstra alegria e confiança. O olhar, antes vazio, passou a refletir tranquilidade.
Cães também sofrem com a depressão
O comportamento de Golias após o abandono não é incomum. De acordo com a PetMD, cães podem desenvolver um quadro semelhante à depressão, caracterizado por mudanças significativas de humor e comportamento.
A depressão canina geralmente se manifesta por meio de sinais como:
- Falta de interesse em atividades que antes eram prazerosas
- Isolamento e apatia
- Olhar triste e orelhas para trás
- Diminuição do apetite
- Baixa energia e letargia
- Alterações no sono
O que pode causar depressão em cães?
Assim como acontece com humanos, a depressão em cães costuma estar ligada a mudanças importantes ou situações traumáticas.
Segundo a PetMD, algumas das principais causas incluem:
- Perda de um tutor ou mudança de família
- Mudanças no ambiente, como mudança de casa
- Falta de estímulos físicos e mentais
- Problemas de saúde
- Solidão ou abandono
Como ajudar um cão deprimido
A recuperação de Golias mostra que, com o suporte adequado, é possível reverter quadros de tristeza profunda em cães. Veja algumas medidas:
- 1. Estimulação mental e física
Passeios, brincadeiras e interação ajudam a reativar o interesse do animal pelo ambiente.
- 2. Rotina estável
Manter horários previsíveis para alimentação, passeios e descanso traz segurança.
- 3. Atenção e carinho
O vínculo com humanos é essencial para a recuperação emocional.
- 4. Avaliação veterinária
É fundamental descartar problemas de saúde que possam estar contribuindo para o quadro.
- 5. Tempo e paciência
Cada cão tem seu próprio ritmo de recuperação.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.









