Abandonado há dois meses, pitbull lança olhar suplicante por ajuda e emociona protetora

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em Cães

Argus é um pitbull que, infelizmente, conheceu de perto a maldade humana, ao ver sua própria família partir e deixá-lo para trás.

Sozinho, em uma casa vazia, ele poderia ter sido esquecido… mas não foi.

Vizinhos bondosos perceberam sua situação e, com gestos simples, fizeram o possível para cuidar dele e garantir que não faltasse o básico.

Foi então que Bia Sanchez, responsável pelo Projeto Entre Patas, em Peruíbe, São Paulo, soube da história e decidiu agir para transformar completamente o destino desse lindinho.

Agora, Argus está em busca de uma família para sempre.

O resgate de Argus

Argus vivia com uma família que, além dele, tinha mais dois pitbulls. Mas, quando se mudaram, ele foi simplesmente deixado para trás.

Por cerca de dois meses, Argus permaneceu em uma casa fechada, sobrevivendo apenas graças à bondade dos vizinhos, que perceberam sua presença dias depois. Ele não latia, não fazia barulho — como se tivesse se calado diante do abandono.

Quando notaram algo estranho, os vizinhos pegaram uma escada e olharam por cima do muro. Foi então que o viram: Argus estava ali, magro, debilitado e quase sem forças, mas ainda resistindo.

Sem conhecer o temperamento do animal, eles não se arriscaram a entrar no quintal. Ainda assim, não viraram as costas.

Todos os dias, garantiam comida e água, e, com a ajuda de uma lavadora, mantinham o ambiente o mais limpo possível. Também buscaram apoio de um veterinário, que pôde avaliar sua condição à distância.

Foi nesse cenário que Bia entrou na história. Em janeiro deste ano, ela estava em um pet shop levando uma de suas resgatadas para banho quando foi chamada para ver um pitbull, o Argus, abandonado em uma casa em frente ao local.

Sem hesitar, ela foi até lá — e o que encontrou foi impossível ignorar. Diante dela estava um cão doce e de olhar triste, que parecia apenas esperar por alguém que finalmente lhe oferecesse uma família de verdade.

Confira:

Bia divulgou a história de Argus em seu perfil no Instagram, @projetoentrepatas, e conseguiu mobilizar pessoas dispostas a ajudar.

Com isso, arrecadou fundos suficientes para realizar o resgate — e, já no dia seguinte, tirou o pitbull daquele cenário de abandono, dando início a um novo capítulo em sua vida.

Em março, veio o que parecia ser o tão esperado final feliz. Uma família se interessou por Argus e decidiu adotá-lo, enchendo o coração de Bia de esperança.

No entanto, a alegria durou pouco: em menos de 30 horas, a família entrou em contato pedindo a devolução do cão.

Bia não entrou em detalhes sobre a justificativa, mas transformou a situação em um importante aprendizado:

“Não vamos entrar no mérito da justificativa. Mas isso acende um alerta importante pra gente: a adaptação não acontece da noite para o dia. Ela exige tempo, paciência e responsabilidade. E, a partir disso, nosso processo de adoção também se torna ainda mais criterioso.”

Assista:

Diante do relato, internautas se manifestaram com mensagens de apoio, empatia e muita esperança para o futuro de Argus.

“Foi livramento! Uma família especial e incrível vai aparecer para ele. Deus está preparando isso, eu acredito.”
“A adoção requer maturidade, paciência e muito amor. É uma nova vida: ele precisa se adaptar à família, e a família a ele também. Nem todos têm essa consciência. Que ele encontre uma família linda e disposta para esse anjinho logo logo!”

Em busca de um lar para Argus

Depois do baque de ser novamente rejeitado por uma família, Argus está sob os cuidados do Resort Mágico, que atua em parceria com o Projeto Entre Patas.

Agora, o objetivo é encontrar uma família onde ele possa ser filho único, em um ambiente tranquilo, com pessoas que compreendam seus cuidados especiais e estejam dispostas a oferecer o tempo e a atenção que ele merece.

Argus tem uma limitação em uma das patinhas e realiza sessões de acupuntura para auxiliar na mobilidade das patas traseiras. Segundo Bia, esse tratamento pode continuar normalmente em um lar, com o acompanhamento adequado.

Esse lindinho já está castrado, vacinado e tem cerca de oito aninhos. E, apesar de tudo, ainda guarda dentro de si uma alegria que emociona:

“Ele está muito feliz no hotel! Ele ama brincar com sua bolinha, correr, passear… mas falta o amor de uma família de verdade.”

E é justamente isso que Argus ainda espera. Não mais um lugar temporário, mas um lar onde possa, enfim, se sentir seguro, amado e pertencente.

Assista:

Se você é de Peruíbe ou região e se sentiu tocado a adotar o Argus, entre em contato com a Bia pelo direct do Instagram, @projetoentrepatas.

E, caso não possa adotar, você ainda pode ajudar de uma forma muito importante: compartilhando essa história para que ela alcance a pessoa certa — aquela que vai mudar, de uma vez por todas, o destino desse guerreiro.

Abandono de animais é crime no Brasil

De acordo com a legislação brasileira, abandonar um animal se enquadra como maus-tratos, uma infração penal que pode gerar consequências sérias para quem comete esse ato.

A base legal está na Lei de Crimes Ambientais, que prevê punições para quem pratica abuso, negligência ou crueldade contra animais.

Com o avanço das leis de proteção animal, as penalidades ficaram ainda mais rígidas. Em 2020, a Lei Sansão aumentou a punição para casos envolvendo cães e gatos, podendo chegar a 2 a 5 anos de prisão, além de multa e proibição de guarda.

E é importante deixar claro: abandonar também é maltratar. Quando uma pessoa deixa um animal para trás, ela o expõe a fome, sede, doenças, acidentes e sofrimento emocional. Ou seja, mesmo sem agressão física direta, há negligência e crueldade, o que configura crime.

Outro ponto relevante é que o abandono pode ser denunciado. Casos podem ser reportados à polícia, órgãos ambientais ou até ao Ministério Público. Hoje, inclusive, vídeos, fotos e testemunhas têm sido fundamentais para responsabilizar infratores.

Apesar disso, muitos ainda acreditam que abandonar um animal “não dá em nada”. Essa percepção contribui para a continuidade do problema. A lei existe, mas precisa ser conhecida, aplicada e, principalmente, respeitada.

Por isso, mais do que um apelo emocional, é uma questão de responsabilidade legal: quem decide ter um animal assume um compromisso. E romper esse compromisso por meio do abandono não é apenas injusto — é crime.

Redatora e apresentadora do Canal Amo Meu Pet.

Com formação em Design de Produtos e especialização em Design de Interiores pela Universidade de Passo Fundo, a Ana encontrou sua verdadeira paixão ao unir criatividade, comunicação e o amor pelos animais.

Apaixonada por contar histórias que tocam o coração, ela estudou Escrita Criativa com o escritor Samer Agi e participa do programa JournalismAI Discovery, organizado pela Escola de Economia e Ciências Políticas de Londres e a Iniciativa de Notícias do Google, buscando se aprofundar no universo digital.

Hoje, dedica-se a produção de conteúdos que informam, emocionam, conscientizam e arrancam sorrisos.