“Não é um adeus…”: Cão Fred se torna o ursinho mais fofo em lar temporário, mas chega a hora de difícil decisão
Por Larissa Soares em Proteção Animal
Depois de meses de luta, noites sem dormir e uma rotina de cuidados intensivos, chegou o momento que toda ‘mãe’ de lar temporário sabe que vai chegar. Mas nunca é fácil.
Freddy, um cão idoso que foi resgatado em estado crítico, finalmente estava pronto para seguir para seu lar definitivo.
Para Caitie, fundadora da ONG Caitie’s Foster Fam Rescue, em Houston, nos Estados Unidos, a despedida foi inevitavelmente emocionante.
“Como mãe adotiva temporária, ‘adeus é o objetivo’”, escreveu ela nas redes sociais.
Mas, ainda que o coração apertasse, havia uma certeza. Era exatamente isso que Freddy merecia.
O resgate
Freddy foi resgatado em 31 de outubro, quando um homem ouviu um choro vindo da floresta. Ao se aproximar, encontrou um cachorro sozinho e muito debilitado.
Sem pensar duas vezes, ele o levou até o abrigo. E foi assim que a ONG assumiu os cuidados dele.
Estimado entre 9 e 10 anos, ele não tinha microchip e não deixava dúvidas de que havia um histórico de negligência.
O cão estava praticamente sem pelos, e os poucos que restavam estavam embolados em tufos. Por baixo deles, feridas graves se espalhavam pela pele.
O diagnóstico também não era simples. Havia infecções duplas nos ouvidos, problemas oculares severos com risco de perder um dos olhos, sarna sarcóptica em estágio avançado, dirofilariose (verme do coração), infestação por ancilostomídeos e um quadro de anemia.
“Seu corpo não ficou assim da noite para o dia”, relatou Caitie.
Freddy precisou ser sedado logo nos primeiros atendimentos para a limpeza das feridas. Recebeu analgésicos fortes, antibióticos e fluidos.
“Cada dia é uma batalha, mas ele não está mais sozinho”, escreveu.
Meses de recuperação e um recomeço
O que veio depois foi um processo longo e delicado. Freddy permaneceu hospitalizado inicialmente, e depois seguiu em recuperação sob os cuidados diretos de Caitie, como lar temporário.
Foram meses de reabilitação, com acompanhamento veterinário, tratamentos e, acima de tudo, muito carinho.
E, aos poucos, o cachorro que mal conseguia reagir começou a mostrar sinais de vida.
“Houve dias em que eu não sabia se ele andaria de novo. Dias em que me perguntei se ele sobreviveria”, contou Caitie em um vídeo publicado posteriormente.
Mas ele não só sobreviveu, como se transformou. Seus pelos cresceram novamente, o corpo ganhou força e o comportamento também mudou.
“Fred passou de um cão derrotado, apenas sobrevivendo dia a dia, para um cão que adora explorar. Que ama a hora da refeição quase tanto quanto ama carinho”, descreveu.
Segundo Caitie, era como se ele tivesse “rejuvenescido 10 anos”.
O papel do lar temporário na transformação
Durante cerca de quatro meses, Freddy viveu como parte da casa de Caitie. E foi nesse ambiente que ele teve a chance de, pela primeira vez em muito tempo, se sentir seguro.
Segundo a organização Four Paws, o lar temporário oferece benefícios essenciais para a recuperação. Animais que passaram por abandono ou maus-tratos, frequentemente chegam extremamente fragilizados.
No entanto, em um ambiente doméstico, eles conseguem receber atenção individualizada, recuperar a confiança em humanos e aprender a viver na rotina de uma casa, o que aumenta significativamente as chances de adoção.
Foi isso que aconteceu com Freddy. Caitie não apenas ajudou a curar suas feridas, mas também o preparou para um futuro.
A decisão mais difícil
Com o passar do tempo, ficou claro que Freddy não apenas sobreviveria, mas ele teria qualidade de vida. E foi nesse momento que Caitie começou a pensar no próximo passo.
Apesar do vínculo criado, ela sabia que não poderia ficar com ele. Não por falta de amor, mas justamente por entender o que seria melhor para o cão.
Freddy precisava de um ambiente mais tranquilo, com menos estímulos e mais conforto. Em sua casa, a rotina envolvia outros resgates, incluindo um Dogue Alemão cheio de energia, o que exigia atenção constante.
“Ele merece um lar mais calmo, onde possa ser mimado como um bebê”, explicou.
Além disso, Freddy ainda exigia cuidados contínuos, como fisioterapia e acompanhamento para suas articulações. Ele também tinha limitações, como a visão comprometida, o que exigia um ambiente adaptado.
Novo capítulo
A escolhida foi Patti, uma mulher experiente no resgate de cães idosos. Com uma casa tranquila, quintal e um outro cachorro calmo, ela oferecia exatamente o que Freddy precisava.
O encontro entre eles não foi por acaso. Patti já conhecia Freddy de visitas anteriores e chegou a ajudar a ONG em outras ocasiões.
“Cada detalhe combinava perfeitamente com ela”, contou Caitie.
No dia 9 de março, a adoção foi oficializada nas redes sociais:
“Não é um adeus, é um até logo”, escreveu a cuidadora.
Adaptação e novos desafios
Hoje, semanas após a adoção, Freddy segue se adaptando muito bem à nova vida.
No dia 26 de março, a ONG atualizou que ele está “realmente prosperando com sua família adotiva”.
E, como parte do processo contínuo de cuidados, ele passou recentemente por uma cirurgia importante.
Freddy realizou a enucleação do olho direito, que estava rompido desde o resgate, além de ter sido castrado. A cirurgia, que antes era impossível devido ao estado crítico, só pôde acontecer após a recuperação.
“Não tínhamos certeza se esse dia chegaria”, admitiu a equipe.
Agora, livre de dores e riscos de infecção, ele segue recebendo todo o cuidado necessário para se recuperar plenamente. "Nosso garoto provando, mais uma vez, o quão forte ele é", concluiu.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.













