"A bichinha tá procurando os filhos dela": Cadelinha emociona ao pedir ajuda para libertar filhotes soterrados

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em Proteção Animal

O choro insistente de uma cadela de rua foi o que chamou a atenção da ativista Ivone Dias no dia 20 de março, em Itaquaquecetuba, São Paulo.

Ela havia ido ao local apenas para deixar comida, como fazia com frequência, mas encontrou uma cena que exigia muito mais do que isso.

A cachorrinha estava agitada, cavando sem parar em meio a um monte de entulho de uma construção demolida.

Ao observar melhor, Ivone percebeu que não era um comportamento comum. A cadela havia parido ali mesmo e, ao que tudo indicava, os filhotes estavam soterrados.

Desesperada, a mãe cavava com as próprias patas e chorava. Ivone tentou ajudar com as mãos, mas a quantidade de entulho e a profundidade dificultavam qualquer avanço.

“A bichinha tá procurando os filhos dela”, relatou, em um vídeo compartilhado no TikTok.

Tentativa de resgate

Na tentativa de resolver a situação, ela buscou ajuda de diferentes entidades, até conseguir contato com o Corpo de Bombeiros. A equipe foi até o local e realizou buscas na área, mas não encontrou os filhotes naquele primeiro momento.

Mesmo após a saída dos profissionais, Ivone não conseguiu ir embora. Já à noite, voltou ao terreno e continuou tentando ajudar a cadela.

Com as mãos já machucadas de tanto cavar, ela insistia. O choro da mãe ainda podia ser ouvido, o que aumentava a angústia.

“Olha como eu cavei aqui pra ajudar essa cachorra. Olha o sofrimento dessa cachorra”, disse, mostrando as mãos sujas e feridas. “Os cachorrinhos tão chorando aqui… eu preciso de ajuda.”

Final feliz

A mobilização continuou até o dia seguinte. Com novas buscas, os bombeiros finalmente conseguiram localizar um dos filhotes soterrados.

Assim que recebeu a notícia, Ivone voltou rapidamente ao local. O filhote estava vivo.

O reencontro com a mãe foi emocionante. Ainda presa por segurança, já que estava assustada e protetora, a cadela reagiu de forma comovente. Chorava baixo, lambia o filhote e tentava aconchegá-lo.

“Ela tá amarrada porque ela tá braba ainda”, explicou Ivone, ao mostrar a reação da mãe.

Em seguida, a ativista levou os dois para casa e preparou um espaço seguro, com abrigo e conforto, onde a cadela pudesse cuidar do filhote com tranquilidade.

No dia seguinte, o comportamento da mãe já era outro. Ao sair da rua e seguir até a casa de Ivone, ela demonstrava mais leveza. Pulava, abanava o rabo e parecia reconhecer o ambiente como seguro.

Ainda assim, o instinto de proteção permanecia. Ao se aproximar de outros cães, ela mostrava os dentes, deixando claro que continuava atenta quando o assunto era o bem-estar do filhote.

Outra vez que uma mãe canina precisou de ajuda

Em fevereiro de 2025, um caso semelhante mobilizou o Corpo de Bombeiros Militar de Alagoas. Na ocasião, uma cadela de rua tentou proteger seus filhotes escondendo-os entre pedras, em um espaço estreito.

A escolha, feita por instinto, acabou colocando os pequenos em risco. Sem enxergar, os filhotes se deslocaram e caíram em uma fresta ainda mais profunda, ficando presos.

O choro de um acabou atraindo os outros, que seguiram pelo mesmo caminho, transformando o esconderijo em uma armadilha.

Resgate

O resgate aconteceu durante a noite e exigiu mais de quatro horas de trabalho. Inicialmente, a equipe foi acionada para retirar dois filhotes, mas ao chegar ao local percebeu que havia mais um preso.

Com acesso difícil, os bombeiros precisaram agir com precisão. Utilizaram equipamentos específicos e removeram pedras com cuidado para evitar qualquer ferimento.

A operação contou com a atuação de profissionais experientes, que trabalharam de forma coordenada para garantir a retirada segura dos animais.

“Foi um trabalho minucioso, que exigiu paciência e entrosamento da equipe. Nosso foco foi garantir a segurança dos filhotes”, explicou um dos envolvidos na ação.

Ao final, todos os filhotes foram retirados sem ferimentos e devolvidos à mãe, que aguardava nas proximidades.

Sem um tutor, a família canina recebeu acolhimento temporário de moradores da região, que se comprometeram a cuidar dos animais até que pudessem seguir para adoção.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.