“Esses filhotes foram a cura”: Jumenta que perdeu bebê no parto volta a se alegrar ao 'adotar' cãezinhos
Por Larissa Soares em Mundo Animal
A dor da perda mudou completamente a vida da jumenta Marinella. Depois de um parto longo e complicado, ela perdeu o filhote logo ao nascer e passou dias abatida, sem o mesmo brilho de antes.
Foi então que um grupo de filhotes de Bracco Italiano começou a ocupar o espaço ao redor dela e, aos poucos, transformou a tristeza em companhia.
“Esses filhotes foram a cura”
A história foi compartilhada pela adestradora Maria Bombonato nas redes sociais. Nas imagens, Marinella aparece deitada enquanto os pequenos cães sobem nela, brincam, puxam seu rabo e se acomodam junto ao corpo dela para cochilar.
Um dos filhotes chega a ficar completamente aconchegado na barriga da jumenta, como se tivesse encontrado ali o lugar mais confortável do mundo.
Segundo Maria, o veterinário tentou salvar o potro, mas ele nasceu sem vida depois de um parto muito difícil.
Ela contou que sentiu toda a dor da jumenta naquele momento e descreveu a situação como extremamente triste.
Pouco tempo depois, os filhotes passaram a acompanhar Marinella diariamente e a mudança de comportamento ficou evidente.
“Esses filhotes foram a cura para ela”, escreveu.
Marinella parece aceitar cada aproximação com muita paciência. Enquanto os cães pulam em cima dela, mordiscam os pelos do rabo e se espalham ao redor de seu corpo, a jumenta permanece tranquila.
Nos comentários, muita gente confessou ter ficado emocionada com a cena.
“Mas e aquele bichinho fofinho aconchegado contra uma barriguinha grande e quentinha”, escreveu uma pessoa.
“Isso me derrete o coração”, comentou outra.
“Meu Deus, quanta fofura!”, disse mais uma internauta.
Bracco Italiano
Além da história da jumenta, muita gente também ficou encantada com os filhotes da raça Bracco Italiano.
Conhecido como um dos cães de aponte mais antigos do mundo, o Bracco Italiano é descrito pelo American Kennel Club como um animal inteligente, afetuoso e cheio de entusiasmo.
A raça foi desenvolvida originalmente para caça e tem bastante energia. Apesar disso, costuma formar laços muito fortes com a família e gosta de estar sempre perto das pessoas e de outros animais.
Segundo o AKC, eles são cães dóceis dentro de casa, mas precisam de exercícios diários e estímulos mentais para gastar energia de maneira saudável.
No vídeo compartilhado por Maria, os filhotes parecem ter encontrado em Marinella uma mistura de parque de diversões e cama gigante.
O luto animal
Por muitos anos, acreditou-se que apenas humanos fossem capazes de sofrer emocionalmente pela perda de alguém próximo.
No entanto, diversos estudos e observações mostram que outros animais também apresentam mudanças comportamentais após a morte de companheiros.
Em uma reportagem publicada pela BBC, pesquisadores explicam que espécies como elefantes, chimpanzés, baleias, golfinhos e aves já foram vistas demonstrando sinais associados ao luto.
A filósofa Becky Millar, pesquisadora da Universidade de Cardiff, explicou que muitos animais passam por um período de readaptação após perder um companheiro.
Alguns procuram pelo animal ausente, ficam desanimados, deixam de comer ou mudam completamente o comportamento.
Alguns casos já observados
A reportagem também cita exemplos impressionantes. Uma chimpanzé do zoológico de Edimburgo carregou seu filhote natimorto pelo recinto e se recusava a soltá-lo.
Jane Goodall observou um jovem chimpanzé apresentar sinais semelhantes à depressão depois da morte da mãe. Há ainda relatos de elefantes permanecendo próximos aos ossos de familiares falecidos por longos períodos.
Em animais domésticos, tutores frequentemente relatam mudanças parecidas. Cães e gatos podem ficar mais quietos, procurar o companheiro que morreu, perder o apetite ou se tornarem mais carentes.
No caso de Marinella, os filhotes parecem ter ajudado bastante no processo. Ela voltou a conviver de forma próxima com outros seres vivos, receber estímulos constantes, contato físico e atenção.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.







