Pitbull uiva desesperado de saudade após desaparecimento da gatinha que criou como filha adotiva

Vídeo emocionante mostra sofrimento de pitbull após desaparecimento da gatinha que ele criou como filha adotiva

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O que começou como um perfil cheio de humor, vídeos fofos e cenas divertidas entre um pitbull e uma gatinha adotada da rua, acabou se transformando em um relato de dor que emocionou milhares de pessoas nas redes sociais. Depois de três anos inseparáveis, a gata Lua desapareceu, deixando não apenas uma família devastada, mas também Scott, o pitbull que praticamente a criou como filha.“Foi a coisa mais difícil que já passamos como família”, desabafa a tutora em um vídeo publicado no perfil do Instagram chamado @turma_da_naza. Pela primeira vez, ela decidiu mostrar um lado que até então tentava esconder dos seguidores: o sofrimento causado pelo desaparecimento de Lua.

Segundo o relato, a gatinha desapareceu no dia 15 de março. Nos primeiros dias, Scott passava horas olhando para o portão e uivando, como se tentasse chamá-la de volta para casa. A cena mexeu profundamente com a família.

“Ver ele assim e não poder fazer nada”, contou a tutora, emocionada.

Nas imagens, o pitbull aparece abatido, quieto e claramente diferente do cachorro brincalhão que costumava aparecer nos vídeos ao lado da companheira felina. A tutora relata que ele também perdeu o apetite e ficou triste durante semanas.

Uma amizade improvável que virou amor de família

A relação entre Scott e Lua já era conhecida por quem acompanhava o perfil da família. Lua era uma gatinha resgatada das ruas e, desde os primeiros dias, foi acolhida pelo pitbull de uma forma que surpreendeu até os próprios tutores.

“Tá cuidando dela como se fosse uma filha”, dizia a dona em um vídeo antigo.

E realmente parecia isso. Lua seguia Scott pela casa inteira, dormia grudada nele e recebia até “banho de baba”, como a família brincava nas gravações. Em uma das cenas mais marcantes compartilhadas nas redes sociais, a gatinha chegou a tentar mamar no cachorro nos primeiros dias após o resgate.

“Ele já deu até as tetas dele pra ela mamar. Pra mim, foi a cena mais linda da minha galeria”, contou a tutora em outro vídeo publicado antes do desaparecimento.

Scott também demonstrava um comportamento extremamente protetor. Sempre que Lua se escondia embaixo da cama ou em algum local onde ele não conseguia entrar, o cachorro começava a chorar e ficava inquieto, como se acreditasse que ela estivesse em perigo.

Com o tempo, os seguidores passaram a acompanhar a rotina dos dois como uma verdadeira relação de pai e filha.

Ciência explica: cães podem sentir saudade e sofrimento emocional

O comportamento de Scott emocionou justamente porque muita gente se reconheceu naquela dor silenciosa que os animais demonstram quando perdem alguém importante. E a ciência já indica que cães realmente podem sofrer emocionalmente com separações.

Pesquisas sobre cognição e comportamento animal mostram que os cães criam vínculos afetivos profundos tanto com humanos quanto com outros animais da casa. Estudos publicados por pesquisadores da Universidade de Emory, nos Estados Unidos, identificaram inclusive respostas cerebrais associadas ao apego e às emoções positivas quando cães entram em contato com cheiros de indivíduos com quem possuem forte ligação emocional.

Além disso, especialistas em comportamento animal explicam que mudanças bruscas na rotina podem causar sintomas semelhantes ao luto: perda de apetite, apatia, vocalização excessiva, ansiedade e comportamento depressivo.

No caso de Scott, a ligação parecia ainda mais intensa porque o pitbull assumiu um comportamento de proteção desde que Lua chegou à família. Ele acompanhava cada movimento da gatinha, dormia ao lado dela e demonstrava preocupação sempre que não conseguia encontrá-la.

“Uns demonstram mais, outros menos, mas eles sentem tudo”, disse a tutora em um dos vídeos mais emocionantes publicados nas redes sociais.

Muito além dos estigmas: o lado afetivo dos pitbulls

A história também chamou atenção por quebrar uma imagem que ainda existe em torno dos pitbulls. Frequentemente associados apenas à força ou agressividade, cães da raça acabam sendo julgados por estereótipos que ignoram completamente a criação, o ambiente e os vínculos afetivos construídos ao longo da vida.

Nas imagens compartilhadas pela família, Scott aparece justamente no extremo oposto dessa visão. Ele surge como um cachorro sensível, cuidadoso e extremamente apegado à gata que ajudou a criar.

Especialistas em comportamento animal reforçam que agressividade não é uma característica exclusiva de uma raça específica e que fatores como socialização, treinamento, ambiente e experiências vividas influenciam diretamente no comportamento dos cães.

Casos como o de Scott viralizam justamente porque mostram um lado que muitos tutores já conhecem: cães considerados “fortes” também podem ser extremamente dóceis, protetores e emocionalmente sensíveis.

Recuperação veio aos poucos

A família conta que demorou quase dois meses para conseguir falar publicamente sobre o desaparecimento. Segundo a tutora, toda tentativa de editar o vídeo terminava em crise de choro.

Enquanto isso, Scott tentava lidar da própria maneira com a ausência de Lua. Ele continuava esperando próximo ao portão e demonstrava tristeza constantemente.

Com o passar do tempo, porém, o cachorro começou a melhorar aos poucos. Muito disso, segundo a família, aconteceu graças ao carinho recebido dentro de casa. Teresa, outra gatinha da família, passou a ficar mais próxima dele, ajudando emocionalmente na recuperação. O bebê da casa também teve papel importante nesse processo.

“Hoje Scott está bem, graças a Deus”, contou a tutora.

Ele voltou a comer normalmente, está mais animado e já não apresenta a mesma expressão triste dos primeiros dias. Ainda assim, a esperança de reencontrar Lua permanece viva.

Jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, apaixonada pela comunicação e pela arte de contar histórias. Escolheu o jornalismo justamente por acreditar no poder da informação e na importância de dar voz às pessoas e aos acontecimentos que marcam a comunidade.

Curiosa por natureza e movida pelo compromisso com a verdade, busca transformar fatos em narrativas claras, humanas e relevantes.

Acredita que comunicar vai muito além de informar: é conectar realidades, aproximar pessoas e registrar momentos que fazem parte da história de uma comunidade.