“Ele só queria ficar perto dela”: cão passa dois dias na porta da enfermaria sem saber que tutora havia partido
Por Larissa Soares em Aqueça o coração
Um cãozinho chamado Hachiko passou dois dias sentado na porta de uma enfermaria, esperando pela única pessoa que tinha no mundo. Ele não sabia que sua tutora não voltaria mais.
Enquanto médicos, enfermeiros e funcionários seguiam a rotina do hospital, ele permanecia fiel, aguardando alguém que já havia partido.
Leal até o fim
O resgate foi realizado pela protetora Estefanía Grados, responsável pelo projeto Rescate Animal, em Lima, no Peru.
Segundo ela, o cachorro entrou no hospital junto com a mulher e chegou até a subir na maca para não se separar dela.
Quando a paciente foi encaminhada para a unidade de trauma, Hachiko ficou do lado de fora, esperando pacientemente. Os dias passaram, mas ele continuou ali.

Infelizmente, a tutora faleceu durante a internação. Sem entender o que havia acontecido, o cachorro permaneceu no local por dois dias.
Os profissionais do Hospital María Auxiliadora ficaram comovidos com a situação. Em vez de simplesmente colocá-lo para fora, decidiram pedir ajuda.
Foi assim que Estefanía soube da história.
O luto
Quando chegou para buscá-lo, encontrou um cão profundamente abalado pela perda.
Nos primeiros dias após o resgate, Hachiko demonstrava sinais de tristeza. Ele chorava baixinho, tinha pouco interesse pela comida e passava boa parte do tempo procurando contato físico.
Era como se buscasse conforto para lidar com a ausência da pessoa que sempre esteve ao seu lado.

De acordo com o VCA Animal Hospitals, os cães também sofrem com a perda de pessoas ou animais com quem possuíam forte vínculo afetivo.
Embora eles não consigam explicar seus sentimentos com palavras, especialistas observam há muito tempo mudanças comportamentais significativas.
Entre os sinais mais comuns estão a redução do apetite, apatia, diminuição do interesse por brincadeiras, alterações no sono e aumento da necessidade de proximidade com os tutores.
Muitos cães ficam deprimidos, mais lentos e menos interessados nas atividades do dia a dia quando enfrentam uma perda importante.
Além disso, alguns passam a buscar mais contato físico e atenção das pessoas próximas.
Recomeço
Apesar do sofrimento, o cão começou a mostrar, aos poucos, uma personalidade extremamente carinhosa.
Conforme ganhava confiança, passou a cumprimentar os cuidadores todas as manhãs, procurar companhia durante o dia e disputar espaço no sofá da casa.

Também desenvolveu o hábito de dormir entre as pernas das pessoas, comportamento que arrancava sorrisos de todos ao redor.
Um cão especial
A equipe percebeu rapidamente que estava diante de um cachorro especial. Na publicação feita pela protetora, Hachiko foi descrito como “um cão de apoio emocional nato”.
Segundo ela, ele parecia ter uma capacidade natural de perceber quando alguém estava triste, nervoso ou passando por um momento difícil.
Quando notava alguma situação tensa, tentava se aproximar para oferecer companhia.

Além disso, era sociável, tranquilo e muito educado dentro de casa.
Com cerca de cinco anos de idade, vacinado e saudável, ele ficou disponível para adoção enquanto recebia cuidados temporários.
Em setembro, passou pelo procedimento de castração. A recuperação ocorreu sem complicações e a equipe continuou preparando o cão para a próxima etapa da sua vida.
A recompensa chegou algumas semanas depois.
Em outubro, Estefanía anunciou a notícia que todos aguardavam: Hachiko havia sido adotado.
Segundo a protetora, ele encontrou "a melhor família do mundo" e começou uma nova fase cercado de carinho, segurança e estabilidade.
“Ele está tão feliz! Muito obrigada a todos!”, escreveu.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.









