'Só vivia com olhar triste': Família do litoral de SP encontra cura inesperada para cão com depressão após mudança
Por Larissa Soares em Cães
Quando tinha 5 anos, Lupe começou a demonstrar um comportamento que preocupou sua família em Praia Grande, no litoral de São Paulo.
O cachorro, que antes vivia em uma casa com quintal amplo, passou a ficar cada vez mais apático depois de uma mudança que transformou completamente sua rotina.
Sem o espaço onde costumava circular livremente e passando muitas horas sozinho durante o dia, ele perdeu o interesse por atividades que antes faziam parte do seu cotidiano.
A tutora, Eduarda Bulhões, percebeu que algo não estava bem. O olhar abatido do cão chamava atenção, assim como a falta de entusiasmo para brincar, passear ou até mesmo se alimentar.
Aos poucos, a família começou a suspeitar que ele pudesse estar enfrentando um quadro de tristeza profunda.
Segundo Eduarda, a mudança começou dois anos antes, quando a família precisou deixar a casa onde morava.
O novo endereço ficava em um condomínio e não oferecia o mesmo espaço que Lupe tinha à disposição anteriormente.
Nos primeiros meses, tudo pareceu correr normalmente. Com o passar do tempo, porém, algumas mudanças de comportamento começaram a surgir.
“E o meu cachorro, que só vivia com olhar triste e nem brincava mais”, contou a tutora em um vídeo publicado no TikTok.
Diante da situação, a família decidiu buscar uma alternativa que pudesse tornar os dias de Lupe mais estimulantes.
A solução mais fofa
Foi então que surgiu a ideia de trazer uma nova integrante para a casa. A escolhida foi Lunna, uma filhote de shih-tzu cheia de energia.
A chegada da cachorrinha provocou uma reação instantânea que surpreendeu os tutores.
O primeiro encontro entre os dois aconteceu de forma cautelosa. Como Lupe é um cão de porte muito maior, Eduarda confessou que sentiu receio de como ele reagiria diante da filhote.
“Fiquei com medo de ele machucar ela pois ele é muito grande perto dela.”
Logo que viu a nova companheira, Lupe começou a abanar o rabo de maneira animada.
Enquanto Lunna permanecia protegida dentro de um cercadinho, ele corria ao redor dela na maior empolgação.
A cena foi recebida pela família como um sinal de que algo positivo estava acontecendo.
Pouco tempo depois, outras mudanças começaram a aparecer.
Lupe voltou a se interessar pela alimentação, passou a interagir mais com os tutores e retomou comportamentos que estavam desaparecendo gradualmente.
A energia da filhote parecia contagiar o irmão mais velho.
Sinais de depressão canina
Embora cada animal tenha necessidades específicas, especialistas explicam que mudanças significativas no comportamento merecem atenção dos tutores.
De acordo com a médica veterinária comportamentalista Dra. Leslie Sinn, em entrevista ao American Kennel Club (AKC), um dos principais sinais de possível depressão em cães é justamente uma alteração em comportamentos que antes eram considerados normais para aquele animal.
Segundo a especialista, muitos tutores procuram ajuda após perceber que seus cães deixam de demonstrar interesse por atividades que costumavam adorar.
Ela explica que um cachorro que sempre gostou de brincar, passear ou interagir socialmente e passa a evitar essas atividades pode estar demonstrando que algo não vai bem.
A diminuição do apetite também aparece entre os sinais frequentemente observados, assim como letargia, isolamento e mudanças na linguagem corporal.
A Dra. Sinn destaca ainda que alguns cães se tornam mais dependentes dos tutores, enquanto outros adotam um comportamento mais retraído.
Importância da avaliação veterinária
Antes de associar qualquer mudança à depressão, porém, os especialistas recomendam uma avaliação veterinária completa.
Isso porque dores, doenças crônicas e outras condições médicas podem provocar sintomas muito parecidos.
“Em geral, se um cão está mais lento ou relutante em interagir, especialmente na ausência de algum evento que tenha mudado sua vida, eu apostaria muito dinheiro que se trata de um problema médico ou de dor”, afirmou a especialista ao AKC.
Causas e tratamento
Entre as causas que podem contribuir para quadros depressivos estão mudanças de residência, perda de companheiros humanos ou animais, isolamento social, falta de estímulos físicos e mentais e alterações importantes na rotina familiar.
Segundo especialistas, cães são animais altamente sociais e costumam se beneficiar de atividades enriquecedoras, passeios, brincadeiras e interação frequente com pessoas ou outros animais.
A própria Dra. Sinn ressalta que muitos cães conseguem superar períodos difíceis quando recebem mais atenção, oportunidades de socialização e experiências positivas.
Em alguns casos, no entanto, pode ser necessário acompanhamento comportamental profissional para identificar as causas do problema e desenvolver estratégias adequadas.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.









