“Hoje é o seu grande dia”: cão mais antigo do abrigo é adotado e última caminhada pelo canil emociona
Por Larissa Soares em Cães
Depois de passar mais de uma década vivendo em um abrigo, Omar fez sua última caminhada pelo corredor que percorreu durante tantos anos.
O cão, que era o morador mais antigo da Fazenda Modelo, no Rio de Janeiro, foi adotado e iniciou uma nova fase cercado por uma família disposta a oferecer exatamente o que ele esperou durante todo esse tempo: carinho, paciência e um lar.
A despedida aconteceu no dia 23 de maio e emocionou voluntários que acompanharam a trajetória do cachorro ao longo dos anos.
Enquanto caminhava pela última vez em direção ao portão de saída, Omar recebeu aplausos daqueles que cuidaram dele durante toda a espera.
"Hoje os nossos corações transbordam de alegria. Foram muitas lágrimas, muitas emoções", diz a publicação compartilhada pela página de voluntários da Fazenda Modelo.
Os voluntários comemoraram a notícia que parecia demorar uma eternidade para acontecer.
"Hoje, o nosso cachorro mais antigo do abrigo, aquele que estava há mais de 10 anos esperando por uma chance, finalmente ganhou um lar."
Nova vida
A família escolhida para receber Omar já conhecia muito bem a realidade dos cães idosos que vivem em abrigos.
Sua nova tutora, Raquel, havia adotado no ano anterior outra cadela idosa da Fazenda Modelo, Renê.
Agora, decidiu abrir novamente as portas de casa para mais um animal que dificilmente despertaria o interesse da maioria dos adotantes.
Com a mudança, Omar também ganhou um novo nome.
"Agora o Omar, que virou Pedrinho, vai viver cercado de amor, ao lado dos seus irmãos e irmãs, recebendo todo o cuidado e o amor incondicional que a Raquel dedica aos seus animais", escreveram os voluntários.
Os voluntários aproveitaram para agradecer à nova família:
"Raquel, nossa eterna gratidão por abrir mais uma vez o seu coração para um idosinho, para mais um esquecidinho, mais um pretinho idoso que provavelmente jamais teria tido essa oportunidade."
A saída emocionante
"Seja muito feliz, Pedrinho. Você esperou por esse momento durante tantos anos e ele finalmente chegou", desejaram os voluntários.
Agora, em vez de um canil, ele tem um grande espaço para explorar, irmãos caninos para fazer companhia e uma vida completamente diferente daquela que conheceu durante mais de dez anos.
Outro cão que também esperou mais de uma década
Ano passado, nós contamos aqui, no Amo Meu Pet, a história de Quixote, um cachorro que viveu situação semelhante.
Ele passou 12 anos em um abrigo da Fundação Quixote, em Lajeado, no Rio Grande do Sul, até finalmente encontrar uma família.
Ao anunciar a adoção, a fundação publicou um texto emocionante narrado como se fosse o próprio cão.
"Um dia, tudo mudou. Alguém me viu de verdade. Depois de 12 anos eu fui escolhido. O portão que sempre se fechava enfim se abriu para mim."
As imagens mostravam Quixote conhecendo experiências comuns para muitos cães, mas totalmente novas para ele.
Pela primeira vez, descobria uma cama macia, brinquedos, televisão ligada, o vento no rosto durante um passeio e até mesmo a sensação de caminhar livremente sobre a grama.
A longa espera de Alemão também teve um final feliz
Outro caso foi o de Alemão, um vira-lata que passou quase três mil dias vivendo no Canil Municipal de Mogi das Cruzes, em São Paulo.
Resgatado ainda filhote em 2017, ele viu todos os irmãos serem adotados enquanto permanecia no abrigo sem receber uma única visita de pessoas interessadas em levá-lo para casa.
A história foi compartilhada pelo projeto Passeio Animal Mogi, que chamou atenção para o tempo de espera.
A repercussão da publicação fez com que Alemão finalmente fosse notado.
Pouco tempo depois, surgiu uma família interessada em adotá-lo e ele também deixou para trás o canil onde havia passado praticamente toda a vida.
Nunca é tarde para um cachorro descobrir como é viver em uma casa, receber carinho diariamente e finalmente ocupar o lugar que sempre esperou dentro de uma família.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.









