Resgatado das ruas e 'rejeitado' em feirinhas, vira-lata caramelo ganha lar incrível na Europa
Por Beatriz Menezes em Aqueça o coração
Existem resgates que começam com um simples desvio na rota. Giulia Sarcinella, criadora de conteúdo conhecida nas redes sociais pelo perfil @ticuliras, voltava do litoral em um feriado quando decidiu alterar o caminho para Mogi das Cruzes (SP).
O objetivo era acolher um vira-lata caramelo magrinho, sem paradeiro e sem perspectivas, encontrado por uma seguidora que não tinha condições de mantê-lo.
Ela o batizou de Nico. O que Giulia não imaginava era que aquele gesto de empatia abriria portas para uma das transformações mais profundas de sua trajetória com a proteção animal.
Ao chegar ao abrigo provisório, Nico carregava no corpo as marcas da negligência das ruas.
Estava extremamente debilitado, necessitando de exames de sangue e de um ganho de peso rigoroso antes mesmo de poder receber vacinas ou ser castrado.
Mas, por trás da fragilidade física, revelou-se um cão de doçura ímpar, com olhos cor de mel e um temperamento tão calmo que renderia o carinhoso apelido de "Labrador da Shopee".
A arte de aprender a "ser cachorro"
O maior desafio de Nico, contudo, não era apenas físico. Anos de privação o despojaram de qualquer vivência lúdica. Nico simplesmente não sabia "ser cachorro": não corria pela casa, não buscava bolinhas e desconhecia o significado de um brinquedo.
Foi a cadelinha residente de Giulia, Zoey, quem assumiu a missão de ensiná-lo. Com um instinto puro de paciência e acolhimento, Zoey dividiu sua cama, seus passeios, seus brinquedos e até o colo de sua tutora.
Passo a passo, mostrou ao companheiro vulnerável que aquele ambiente era seguro.
Aos poucos, Nico desabrochou. Contudo, apesar de sua doçura, o destino de adoção parecia incerto. Levado a feirinhas de adoção, o cãozinho passava despercebido pelos visitantes, uma realidade dolorosa vivida por milhares de animais no país.
Com mais de 132 mil visualizações e 29 mil curtidas na publicação, cerca de 465 internautas esperaram ansiosamente pela atualização da história do caramelo.
“Eu amo a mudança no olhar deles depois que recebem lar e amor”.
“História linda!! chorei de alegria”.
“As pessoas tem que entender que o papel de quem resgata um animal de rua e adaptá-lo para que ele encontre um lar amoroso. Elas não podem ficar com todos os cães e gatos que resgatam. Parabéns por fazer a diferença para esses anjinhos”.
São alguns dos comentários.
Confira abaixo:
O "golpe" do lar temporário e a virada de chave
A grande virada de chave na vida de Nico aconteceu quando Bea e Marc, um casal de alemães que morava temporariamente no Brasil, se ofereceram para acolhê-lo em lar temporário.
Por dois meses, Nico vivenciou o calor de uma rotina focada no seu bem-estar. Após um breve período de separação devido a uma viagem do casal, no qual Nico retornou à casa de Giulia, a saudade falou mais alto.
Ao reencontrarem o cãozinho, Bea e Marc testemunharam Nico saltar no sofá, acomodando-se exatamente no meio deles. A escolha havia sido feita pelo próprio animal.
O casal, inevitavelmente, "caiu no golpe do lar temporário" e oficializou a adoção de Nico.
“Às vezes, o final feliz de um resgate não é o cachorro ficar com a gente. É ter coragem de deixar ele ir para exatamente o lugar onde ele sempre pertenceu. A saudade ficou enorme por aqui, mas saber que ele encontrou a vida que merecia faz valer a pena.”, refletiu Giulia.
Um novo capítulo em Colônia, na Alemanha
Durante os dois anos seguintes no Brasil, as duas famílias mantiveram um laço profundo, repleto de visitas e reencontros festivos entre Nico e Zoey.
Mas o capítulo final desta história reservava um voo ainda mais alto. Com o término do período de residência do casal no Brasil, Nico embarcou para a Europa.
Hoje, Nico vive em Colônia, na Alemanha. Ganhou uma família amorosa, um espaço seguro para correr e recentemente foi "promovido" a irmão mais velho do bebê do casal.
Veja:
Aquele cãozinho desacreditado e magro das ruas de Mogi das Cruzes hoje desfruta da vida plena e digna que todo animal merece.
A história contada por Giulia Sarcinella nos lembra que proteger um animal vai além de dar abrigo: trata-se de preparar uma vida para a felicidade, mesmo que isso exija a coragem de dizer adeus.
O lar temporário é, indiscutivelmente, a virada de chave capaz de transformar o invisível no amor da vida de alguém.











