“Falaram que ele pulou e arranhou uma criança”: Protetora não crê no motivo da devolução de cão doce e brincalhão
Por Larissa Soares em Cães
Rex voltou ao abrigo apenas dois dias depois de ser adotado por uma família em Portugal, após pular em uma criança e provocar um pequeno arranhão.
Para os voluntários, a devolução foi difícil, já que ele havia passado meses esperando por uma oportunidade.
Rex chegou à Associação Amiama, em Alto das Cabaças, Amadora, ainda com poucos meses de vida.
Na época, Rita, criadora do projeto Patinhas à Espera, o descreveu como um bebê assustado e sozinho, que buscava nos humanos a segurança e o carinho que ainda não conhecia.
Enquanto tinha o rosto fofinho de filhote, ele chegou a participar de uma ação de Puppy Yoga, uma iniciativa que reúne pessoas e cães em uma atividade de interação e bem-estar. Mas nem mesmo a aparência de bebê ajudou a encontrar uma família.
Com o passar dos meses, Rex cresceu, enquanto outros filhotes que chegaram ao abrigo na mesma época encontraram seus novos lares.
Ele foi deixando para trás o tamanho pequeno e os traços infantis, enquanto muitos interessados costumam se encantar primeiro pelos animais mais novos.
Rita acompanhou esse crescimento de perto e chegou a admitir que começou a perder a esperança de vê-lo adotado.
Ela fez diversas publicações tentando chamar atenção para o cachorro, mas os compartilhamentos não foram suficientes para encontrar alguém disposto a recebê-lo em casa. Então, no início de agosto, uma família apareceu e decidiu adotá-lo.
Coração partido
Depois de tanto tempo esperando, parecia que finalmente havia chegado a vez de Rex. A alegria, porém, durou apenas dois dias.
A família decidiu devolvê-lo depois que o cachorro pulou em uma criança e acabou arranhando-a.
Segundo o abrigo, o ferimento foi pequeno e o comportamento estava relacionado à maneira brincalhona de Rex interagir, mas o episódio acabou sendo suficiente para interromper a adoção.
Mais uma vez, o cachorro precisou retornar ao abrigo e começar novamente a esperar por uma família.
Muitas vezes, animais jovens ainda estão aprendendo a controlar a própria energia e a maneira de interagir com as pessoas.
Pular nas pessoas pode fazer parte do comportamento de cães que estão animados ou buscando atenção, mas esse hábito pode e deve ser trabalhado com treinamento baseado em reforço positivo.
Em uma casa com crianças, também é importante que os adultos supervisionem a interação e ensinem tanto o animal quanto os pequenos a respeitarem os limites uns dos outros.
Mas aquela família não estava disposta a passar pelo trabalho. Nesse caso, segundo os internautas, foi melhor para Rex retornar ao abrigo.
“Ainda bem que devolveram. Não estavam preparados”, escreveu uma pessoa nos comentários.
“Essas pessoas não devem ter animais, apenas pelúcias”, disse outra.
“Normalizem bebês que não nascem ensinados, sejam crianças ou peludos. Merecem sempre amor e uma nova oportunidade!”, escreveu uma terceira.
Levando Rex em um “date”
Diante da situação, Rita decidiu fazer algo diferente para ajudá-lo a ser conhecido por mais pessoas.
Em vez de mostrar apenas o cachorro dentro do abrigo, ela levou Rex para passar um dia especial ao lado dela, com direito a passeio, carro, corrida, água e muitos momentos de carinho.
A ideia era mostrar um pouco mais da personalidade do cão. Rex teve a oportunidade de sair para passear, explorar ambientes diferentes e gastar energia, atividades importantes para um cachorro jovem e cheio de disposição.
Na publicação, Rita relembrou o motivo que fez o cão retornar ao abrigo e aproveitou para pedir ajuda na busca por uma nova família.
Agora, a expectativa é de que Rex encontre uma família que compreenda que ele é um cão jovem que ainda precisa de orientação, rotina e compreensão.
Acesse o perfil de Rita para continuar acompanhando a história (patinhas.a.espera)
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.










