"Sinto que estou fazendo a minha parte": homem se dedica a colocar coleiras em cães de rua com pedido especial

Por
em Proteção Animal

Em Caraguatatuba, no litoral de São Paulo, o ativista da causa animal Danster Fernandes decidiu utilizar um acessório simples como ferramenta de proteção para cães que circulam pelas ruas durante a noite.

Danster passou a colocar coleiras refletivas nos animais em situação de rua, com a intenção de aumentar a visibilidade deles diante dos faróis dos veículos e, assim, diminuir o risco de atropelamentos.

A iniciativa começou pequena e ganhou novos detalhes conforme as pessoas passaram a acompanhar o trabalho.

Segundo ele, o acessório pode ajudar a evitar acidentes durante a noite, mas os animais continuam precisando de algo muito maior, que é uma família disposta a acolhê-los.

Por isso, junto com cada coleira, ele costuma reforçar o pedido para que os cães encontrem um lar.

A ideia também começou a ser modificada a partir das sugestões recebidas nas redes sociais.

Muitos seguidores observaram que uma coleira poderia fazer com que alguém imaginasse que o cachorro tinha tutor e, por isso, sugeriram acrescentar frases como "me adota" ou "a procura de um lar". Danster decidiu incorporar as sugestões ao projeto.

"Esse projeto está sendo construído junto com vocês", explicou.

Ele contou que os primeiros modelos passaram por mudanças na largura, costura, fechos e reguladores e que, depois dessas etapas, chegou a hora de pensar nas mensagens que acompanhariam os acessórios.

A intenção é fazer com que a coleira tenha uma função adicional, chamando a atenção de quem encontrar o animal para a possibilidade de adoção.

A ação virou projeto de lei

A preocupação com a segurança durante a noite também virou uma proposta de política pública.

Em 10 de agosto de 2026, Danster apresentou na Câmara Municipal de Caraguatatuba o Projeto de Lei nº 87/2026, que institui o Programa Municipal de Coleiras Refletivas para Animais em Situação de Rua, Abandono ou Vulnerabilidade.

De acordo com o texto apresentado, o programa seria destinado a cães e gatos que estejam em vias e espaços públicos, especialmente durante o período noturno.

A proposta considera que a situação envolve diferentes grupos de animais, incluindo aqueles abandonados, animais comunitários e até cães e gatos que possuem tutor, mas permanecem soltos ou desacompanhados nas ruas.

A justificativa aponta que a baixa iluminação e a circulação de veículos podem dificultar a identificação dos animais pelos motoristas, aumentando o risco de atropelamentos e acidentes.

Além disso, um cachorro ou gato que entre repentinamente em uma rua pode fazer com que um motorista freie ou desvie bruscamente, criando riscos não só para o animal, mas também passageiros, motociclistas, ciclistas e pedestres.

Os materiais refletivos da coleira podem devolver a luz dos faróis e tornar o animal mais perceptível à distância.

Dessa forma, o motorista teria maior possibilidade de identificar a presença do cão ou gato antes de chegar perto demais, podendo reduzir a velocidade ou realizar uma manobra com mais segurança.

Danster também se atenta à importância das coleiras serem confeccionadas com fecho de segurança, desprendimento rápido ou mecanismo semelhante, para diminuir o risco de o animal ficar preso em grades, cercas, arames, galhos ou outros obstáculos.

O texto apresentado por Danster também deixa registrado que a coleira não seria tratada como substituta das demais políticas de proteção animal.

O programa seria complementar a medidas como castração, vacinação, identificação, atendimento veterinário, adoção responsável e ações de combate ao abandono.

Enquanto a proposta tramita no Legislativo municipal, Danster segue colocando a ideia em prática por conta própria.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.