“Obrigado Moço”: Adestrador vê cão desanimado no portão e, ao entender o motivo, dá a volta para ajudá-lo
Por Beatriz Menezes em Comportamento
Um gesto simples chamou a atenção de quem usa as redes sociais nos últimos dias.
O adestrador de cães Johnathan Antônio, conhecido na internet como @johnathanadestrador01, parou o carro na rua ao ver um cachorrinho com um jeitinho bem desanimado.
A cena aconteceu em Patos de Minas, Minas Gerais, quando ele percebeu que o cão estava atrás do portão de casa, mas sem conseguir alcançar sua bolinha favorita, que tinha caído na calçada da rua.
Em vez de ir embora, o adestrador decidiu ajudar. "Fiquei com dó dele", contou Johnatan em entrevista ao Amo Meu Pet.

Ele deu a volta com o carro pelo quarteirão, estacionou com cuidado, saiu do veículo, pegou a bolinha do chão e entregou tudo para o cãozinho através das grades do portão.
"Sempre passo por lá, já faz anos. Mas nunca tive contato com ele antes, no dia da bolinha eu passei e vi ele com a cabeça no portão tentando pegar, aí como era contramão e não tinha estacionamento, eu dei a volta no quarteirão, parei na rua mesmo e entreguei a bolinha".
Toda essa atitude foi gravada em vídeo e postada na internet, encantando quem assistiu. O vídeo publicado em 15 de julho obteve 398 mil visualizações, 57 mil curtidas e 1.041 comentários.
"Ele: vou aceitar pq é minha, mas minha mãe não deixa eu conversar com estranhos".
"Melhorou o dia dele, do doguinho e o meu".
"Uma vez fiz isso e o cachorrinho jogou a bola pra fora de novo e eu fiquei brincando com ele um tempo, a dona da casa chegou e disse que ele sempre fazia isso pra brincar com as pessoas que passam".
Comentaram alguns internautas.
Veja ao vídeo abaixo:
Por trás dessa gentileza, existe uma explicação profissional. De acordo com o Metrópoles, estudos publicados na revista científica Royal Society Open Science mostram que muitos cães ficam tão apegados aos seus brinquedos que esse comportamento se parece com um vício.
A pesquisa ouviu quase 1,7 mil donos de cães em 33 países e descobriu que alguns animais chegam a ficar muito estressados quando perdem o brinquedo, a ponto de ignorar comida, descanso e até a atenção dos donos.
Como adestrador há 7 anos, atendendo uma média de 30 a 40 animais por mês, incluindo serviços de adestramento, hospedagem e escolinha, Johnathan sabe muito bem disso.
Brinquedos de buscar e trazer ajudam os animais a gastar energia, diminuem o estresse e são muito importantes para a saúde mental dos cães que moram em casa.
"Brinquedos podem ser usados como âncoras emocionais, alívio de estresse e ansiedade, enriquecimento ambiental.Cada cachorro tem um temperamento. Alguns nascem com uma tendência maior a gostar de brincar com outros cães, outros não. Alguns nascem com uma tendência a gostar de brinquedo (drive de caça alto) outros não", acrescentou.
Quando o brinquedo some de repente, o bicho fica frustrado e entediado.
Mas o contrário também acontece, geralmente, cães com muita energia podem se cansar facilmente de uma única bolinha, que acaba sendo deixada de lado.
Nessas situações, os tutores podem investir em novos formatos para entreter o animal e estimular o enriquecimento ambiental com novos acessórios.
Confira algumas opções:
Com texturas que estimulam o tato e a mastigação;
Com cordas, para o pet puxar e brincar com pessoas;
Recheáveis, em que é possível colocar petiscos dentro;
Com formatos irregulares, que criam movimentos imprevisíveis para o animal.
A Revista SuperInteressante afirma que um estudo, publicado na revista Plos One, procurou entender melhor o que está por trás do impulso de perseguir brinquedos.
Apesar de séculos de domesticação, alguns hábitos antigos da vida selvagem ainda persistem nos animais de estimação. Foi a partir dessa a partir dessa constatação que pesquisadores começaram a investigar por que os bichinhos gostam de brincar de "buscar" seus brinquedos.
Analisando o comportamento predatório dos animais, os cientistas constataram uma ligação entre a caça e o jogo de pegar objetos. O comportamento predatório inclui busca, perseguição, captura e mordida, exatamente como faziam antigamente e seus ancestrais.
"Qualquer cão pode ser treinado independente da idade, dentro dos seus limites individuais", finalizou o especialista.
O vídeo mostra direitinho o momento em que o cão espera no portão e, logo depois de receber a bola de volta, muda totalmente o comportamento, ficando animado de novo.









