Cachorro vira-lata foge de casa e, sem querer, acaba “trabalhando” fazendo entregas com motoboy

Por
em Aqueça o coração

O entregador Henrique estava vivendo mais um dia de trabalho em São Paulo quando se deparou com uma cena preocupante: um cachorrinho perdido no meio da rua.

Com medo de que o animal fosse atropelado, o profissional parou o que estava fazendo, desceu da moto e o pegou no colo.

Sem saber a quem pertencia o cachorro, o motoboy, que compartilhava sua rotina no TikTok, não pensou duas vezes antes de colocá-lo dentro da jaqueta.

Com todo o cuidado, Henrique abriu o agasalho, acomodou o cachorrinho, fechou o zíper e o convidou para ser seu "parceiro" de entregas naquele dia.

Muito tranquilo, o cão permaneceu paradinho enquanto o motoboy fazia suas entregas.

O gesto deu certo — mas não é o procedimento recomendado. Como explica a veterinária ouvida por esta reportagem no fim da matéria, a abordagem de um animal desconhecido na rua pede aproximação lenta e contenção com blusa ou cobertor, e transportá-lo em uma motocicleta traz riscos para os dois.

Levar um cão preso ao corpo em uma motocicleta expõe o animal a queda, compressão do tórax e superaquecimento, e compromete o equilíbrio de quem conduz. Um animal assustado pode se debater em movimento. Para transportar um cão resgatado, o indicado é caixa de transporte adequada ao porte, dentro de um veículo — e, quando não houver essa opção, acionar a rede de proteção local ou o serviço público de bem-estar animal em vez de improvisar.

História com final feliz

Depois de trabalhar por algum tempo, o profissional voltou ao local onde havia encontrado o animal perdido. Ao se deparar com um homem, perguntou:

"Esse cachorrinho é seu?"

Ao ouvir a resposta positiva, Henrique contou ao dono do cão que ele quase havia sido atropelado.

Na sequência do vídeo, Henrique retirou o cachorro de dentro da jaqueta e o devolveu ao dono, são e salvo.

Repercussão

O vídeo da história foi compartilhado pelo entregador em seu perfil no TikTok no dia 18 de agosto.

"Será que ele recebeu pelas horas trabalhadas?", perguntou um usuário da plataforma.

"Amigo, ele te amou e você claramente amou ele."

"Ele amarradão na moto, eu não devolveria."

A publicação recebeu mais de 264,8 mil visualizações, 845 comentários e 48,7 mil curtidas.

Apaixonado por cachorros e viagens

Bem-humorado em seus vídeos, Henrique compartilha uma rotina que reúne três grandes paixões: produzir conteúdo em lives e publicações, conhecer novas cidades do Brasil e cuidar de suas cachorras.

Ao chegar a um novo destino, Henrique segue as dicas dos usuários da plataforma e visita restaurantes e barraquinhas de lanches para experimentar a comida local.

Entre as cidades que já conheceu estão Curitiba, Gravataí, Criciúma e Porto Alegre.

Outro "cãopiloto"

Essa não foi a primeira vez que o paulistano levou um cachorro para ser seu companheiro de entregas.

Em julho de 2025, ele também encontrou um vira-lata perdido no meio da rua.

Assim como o animal encontrado esse mês, Thor também teve um final feliz.

Depois de fazer suas entregas, Henrique descobriu que um homem em situação de rua era o tutor de Thor e de outro cachorro.

Comovida com a situação, dois dias após a publicação, uma ONG se mobilizou para vacinar e castrar os dois animais, além de fornecer ração e cobertores.

Se eu encontrar um cachorro ou gato na rua, o que devo fazer?

Em entrevista ao Amo Meu Pet, Aline Ambrogi, médica-veterinária e docente de Medicina Veterinária do Centro Universitário de Jaguariúna (UniFAJ), contou que, antes de tentar pegar um animal, era importante observar a situação.

"Veja se ele está machucado, assustado ou em um local de risco. Depois, lembre-se de que nem todo animal solto está necessariamente abandonado. Ele pode ter fugido de casa ou ser um animal comunitário. Por isso, verifique com os moradores se alguém conhece o cachorro ou o gato", explicou a profissional.

"Depois, se ele estiver em uma situação de risco, afaste-o do perigo sem se colocar em risco e peça ajuda. É importante lembrar que a aproximação deve ser lenta e sem movimentos bruscos. Evite correr atrás, encurralar, gritar ou tentar agarrar o animal de surpresa. O ideal é manter uma postura tranquila, ficar de lado, em vez de avançar diretamente sobre ele, e permitir que o bicho perceba a sua presença. Em seguida, tente pegá-lo usando uma blusa ou um cobertor."

A médica-veterinária ainda aconselhou: "Você pode utilizar uma coleira ou uma focinheira adequada. Em determinadas situações, um cobertor também pode auxiliar na contenção e no transporte, principalmente no resgate de gatos. Se o animal estiver assustado ou se sentir ameaçado, aproximar a mão do rosto dele pode provocar uma mordida."

Redatora do portal Amo Meu Pet.

Graduada em Jornalismo e com pós-graduação em Mídias Digitais pelo Senac, a Rebecca encontrou na comunicação sua vocação para contar histórias que tocam e emocionam.

Com mais de 10 anos de experiência na área, construiu uma trajetória colaborando com grandes portais de notícias como Folha de S.Paulo, UOL e Terra.

Hoje, une sua bagagem jornalística ao universo pet, dedicando-se a escrever conteúdos que dão voz ao mundo animal, conectam pessoas e transformam relatos em leituras inspiradoras.