'Não sabemos o que ele viveu naquela casa', dizem voluntários sobre cão que vive em abrigo há 5 anos
Por Larissa Soares em Cães
Peanut, um cãozinho sem raça definida de dez anos, vive há cinco anos em um abrigo de Barcelona, na Espanha.
Resgatado após passar por situações de confinamento e maus-tratos, ele chegou ao Centro de Acolhimento de Animais de Companhia de Barcelona (CAAC) assustado e sem conseguir sequer sair da casinha.
Hoje, é descrito como amigável, carinhoso e tranquilo, mas ainda espera por uma família.
Em 18 de outubro, o projeto voluntário Love Animals BCN publicou um apelo para encontrar alguém disposto a dar ao cão a oportunidade de viver em um lar.
"Será que realmente não existe uma família para o Peanut?", questionou a organização na legenda da publicação.
O pedido veio acompanhado de imagens que mostram a mudança no comportamento do cachorro desde sua chegada ao abrigo, em 2021.
Na época, ele passava os dias assustado, voltado para a parede e sem demonstrar confiança nas pessoas ao redor.
Nas imagens atuais, ele aparece buscando carinho dos voluntários, explorando o ambiente e caminhando com mais segurança.
Para o Love Animals BCN, a mudança foi enorme, mas ainda falta uma parte importante da história.
"Ele é incrível. Mas parece que isso não é suficiente", escreveu o projeto ao apresentar o cão.
Do medo à confiança
O Love Animals BCN é uma iniciativa de voluntariado que divulga os animais disponíveis para adoção no CAAC Barcelona.
O projeto acompanha as histórias e compartilha informações sobre comportamento e necessidades para ajudar a encontrar famílias compatíveis com cada cãozinho.
Segundo o relato publicado pela organização, Peanut chegou ao abrigo em 2021 depois de ser resgatado de uma situação de confinamento e maus-tratos.
Ele tinha muito medo e passou os primeiros dias sem sair da casinha, olhando para a parede.
"Não sabemos o que ele viveu naquela casa", explicou a organização ao relembrar o início da recuperação.
O grupo também contou que Peanut aparentemente nunca havia saído daquele ambiente, o que pode ter contribuído para o choque diante das mudanças.
A adaptação aconteceu gradualmente. Conforme se sentiu mais seguro, o cão começou a deixar o esconderijo e a demonstrar confiança.
Hoje, Peanut é apresentado como um cão feliz, carinhoso, amigável e calmo, que gosta de passear e costuma caminhar muito bem na guia.
A convivência com outros cães também é possível. De acordo com as informações divulgadas, ele geralmente não reage aos companheiros durante os passeios, a menos que eles se aproximem primeiro.
Em algumas ocasiões, consegue caminhar lado a lado com outros cães e se comporta bem. Ainda assim, a equipe recomenda avaliar cada aproximação individualmente, pois ele pode ser seletivo com os animais com quem convive.
A possibilidade de viver com gatos também deve ser considerada caso a caso, com uma apresentação cuidadosa.
Para o projeto, o importante é encontrar um ambiente compatível com o temperamento de Peanut, que pode viver em uma região urbana tranquila.
Cães mais velhos são os que mais esperam
Um estudo publicado na revista científica Animal Welfare analisou quatro anos de registros de dois abrigos nos Estados Unidos.
A pesquisa identificou que cães mais velhos tendiam a ficar mais tempo disponíveis para adoção.
Os pesquisadores também observaram diferenças relacionadas aos grupos de raça. Já os resultados sobre a cor da pelagem não apontaram uma desvantagem significativa nos dois abrigos estudados.
Os cães idosos podem ser excluídos por pessoas que temem despesas veterinárias mais altas, doenças relacionadas ao envelhecimento ou um período menor de convivência.
No entanto, essas preocupações nem sempre correspondem à condição de cada cachorro.
No caso de Peanut, a organização informa que ele acabou de completar dez anos e está em ótima saúde.
A idade, por si só, não permite determinar quanto tempo um cão viverá nem significa que ele necessariamente precise de cuidados médicos complexos.
Depois de cinco anos aprendendo a confiar outra vez, falta só uma coisa para Peanut: uma família disposta a recebê-lo.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.









