“Vem cá, nenenzinho, eu vou te salvar?”: Ciclista acolhe filhote junto ao corpo após encontrá-lo à beira da estrada
Por Larissa Soares em Gatos
Em 20 de outubro, a ciclista profissional Ana Luísa Panini precisou interromper um treino em Indaial, em Santa Catarina, ao ouvir um miadinho.
Enquanto pedalava por uma estrada no bairro Ilse, ela ouviu o som vindo do acostamento e decidiu voltar para descobrir quem estava chamando por ajuda.
No meio do mato, longe de qualquer casa, encontrou um filhotinho de gato tão pequeno que sequer tinha aberto os olhos.
"Eu tô desacreditada", disse Ana, emocionada com a descoberta.
Sem pensar duas vezes, ela pegou o bebê e o colocou dentro da blusa para levá-lo até em casa.
O transporte não era dos mais confortáveis, mas era a maneira que encontrou de tirar o gatinho dali e mantê-lo aquecido durante o trajeto.
Enquanto carregava o filhote, a ciclista ainda pediu desculpas pela forma como precisava levá-lo. Afinal, ele era tão novinho que mal cabia na palma da mão.
E, se Ana tinha saído para cumprir mais um treino, acabou voltando para casa com uma missão.
Ao chegar, ela ofereceu leite emergencial próprio para gatinhos com uma mamadeira e começou a procurar ajuda de pessoas experientes no cuidado de recém-nascidos.
O filhote precisava de atenção especial, já que, nessa fase, os gatinhos dependem completamente de quem cuida deles para se alimentar, manter a temperatura do corpo e fazer suas necessidades.
A história ganhou um significado ainda maior quando Ana contou como estava se sentindo naquele dia.
"Naquele dia, eu não estava bem. Talvez meu coração precisasse de um sinal, de um abraço ou de um motivo para sorrir", escreveu no Instagram.
Para ela, encontrar o filhotinho no acostamento foi uma experiência que trouxe carinho em meio a um período difícil.
A ciclista também compartilhou uma reflexão sobre o encontro. Em sua publicação, contou que sentiu como se tivesse recebido um sinal de que ainda havia carinho e motivos para seguir em frente, mesmo quando os dias ficam difíceis.
"Naquele dia, eu achei que estava salvando um gatinho. Mas talvez Deus estivesse me mostrando que, mesmo quando eu não estou bem, ainda posso ser instrumento de amor na vida de alguém", escreveu.

O filhote nem sabia que havia mudado o dia de alguém. Tudo o que precisava naquele momento era de proteção, alimento e cuidados para continuar crescendo.
E Ana logo percebeu que, para ajudar um gatinho tão novinho, seria importante contar com quem já conhecia os desafios dessa fase.
Protetora assume os cuidados com o pequenino
Em 22 de outubro, dois dias depois do resgate, Angela Prust, responsável pelo projeto Miau Blumenau, foi buscar o filhote.
Com experiência no cuidado de gatinhos recém-nascidos, ela passou a acompanhar o bebê e a fazer o possível para ajudá-lo a crescer forte.
Angela estima que ele tenha aproximadamente cinco dias de vida. Na hora de pesá-lo, a balança marcou apenas 108 gramas. É um bebê muito pequeno, que ainda precisa de cuidados frequentes e atenção redobrada.
Nessa idade, os gatinhos não conseguem cuidar de si mesmos. Precisam de alguém que ofereça alimentação adequada, mantenha o ambiente aquecido e acompanhe de perto seu desenvolvimento. Por isso, a chegada do filhote às mãos de uma protetora experiente foi um passo importante.
O que um gatinho tão novinho precisa para crescer
Gatinhos recém-nascidos são criaturinhas muito frágeis e precisam de cuidados específicos.
De acordo com a VCA Animal Hospitals, rede americana de hospitais veterinários, o ideal é buscar orientação veterinária para avaliar a idade e as condições de saúde do gatinho.
Filhotes muito jovens podem ficar debilitados rapidamente, ainda mais se estiverem com frio, desidratados ou sem se alimentar há algum tempo.
Alimentação
O mais indicado é utilizar um substituto comercial do leite materno formulado especialmente para gatos, seguindo as instruções da embalagem e a orientação veterinária.
Receitas emergenciais podem ajudar até conseguir acesso à fórmula, mas elas não substituem a alimentação adequada.
O leite de vaca comum não fornece todos os nutrientes de que o filhote precisa e pode provocar problemas digestivos, como diarreia. Para um recém-nascido, isso é grave.
Segundo a VCA, durante a primeira semana de vida, os gatinhos geralmente precisam mamar a cada duas a quatro horas, inclusive durante a noite. A quantidade deve ser adequada ao peso e à idade.
E nada de colocar o bebê de barriga para cima como um neném humano. Para mamar com mais segurança, ele deve ficar de bruços, com a cabeça em posição natural, evitando que o leite entre nas vias respiratórias.
Fonte de calor
Como os recém-nascidos ainda não conseguem regular bem a temperatura corporal, precisam de um local protegido, com cama limpa e seca e uma fonte de calor segura.
É importante que tenham espaço para se afastar do aquecimento caso sintam calor demais.
Ajuda para fazer as necessidades
Outro detalhe que muita gente desconhece é que os filhotes com menos de cerca de três semanas precisam de ajuda para fazer xixi e cocô.
Normalmente, a mãe estimula esse processo lambendo a região. Quando ela não está presente, a pessoa responsável precisa reproduzir esse estímulo delicadamente com algodão ou pano macio umedecido em água morna, geralmente após as mamadas.
Monitoramento diário
A VCA também recomenda acompanhar o peso e observar o comportamento do filhote. Pesar o bebê diariamente ajuda a verificar se ele está crescendo como esperado.
Falta de apetite, fraqueza, diarreia ou dificuldade para mamar são sinais que merecem atenção veterinária.
Um encontro que fez bem aos dois
Ao compartilhar a história, Ana contou que não foi apenas o filhote que precisava de ajuda naquele dia. Ela também estava passando por um momento difícil e sentiu que o encontro trouxe um pouco de conforto.
"Talvez Deus também estivesse me encontrando naquele momento", escreveu a ciclista, ao relembrar a decisão de voltar para procurar a origem dos miados.
Agora, sob os cuidados de Angela Prust, do Miau Blumenau, o pequenino recebe atenção de quem tem experiência com gatinhos nessa fase tão delicada.
Ana saiu de casa para pedalar e acabou encontrando uma vidinha que precisava de ajuda.
O miado que a fez voltar pelo acostamento mudou os planos do treino e deu início a uma nova história para o filhote, que agora está cheio de gente torcendo para vê-lo crescer.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.







