'Sonhava em ser amada obsessivamente': Tutora mostra peculiaridade de tomar café cercada por cães de pastoreio

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Rita Rochelle Brown, moradora do sul da Califórnia, nos Estados Unidos, descobriu que tomar café com dois cães de pastoreio em casa pode ser uma experiência intensa.

Em 13 de outubro, ela mostrou Kekoa e Kaya sentados lado a lado no tapete, encarando-a profundamente.

A cena divertiu os internautas, principalmente por conta dos olhos superclaros de Kekoa, que tornam o cão muito expressivo.

"Eu costumava sonhar em ser amada de forma obsessiva", escreveu Rita na legenda da publicação no TikTok. Em seguida, completou com um aviso, em tom de brincadeira: "Cuidado com o que deseja."

O vídeo acumulou mais de 3,8 milhões de visualizações e 709,8 mil curtidas. E não faltaram teorias nos comentários sobre o que se passava na cabeça da dupla.

"A da direita tem uma vibe de 'Eu te amo, mãe'. O da esquerda tem uma vibe de 'Eu incendiei a casa para que pudéssemos morrer juntos'", brincou uma pessoa, comparando as expressões dos dois cães.
"A Kaya diz 'Eu me sinto tão confortável com a mamãe. Eu confio nela. Ela nunca vai me deixar'. O Kekoa diz 'SE EU PISCAR, ELA VAI DESAPARECER'", brincou outro.

Kekoa tem a pelagem azulada, salpicada de pelos brancos, e olhos muito claros, que dão a impressão de estarem arregalados.

Kaya, por sua vez, tem a pelagem típica do boiadeiro australiano, também conhecido como blue heeler, olhos castanhos e algumas manchas dessa cor.

Enquanto Kaya transmite uma expressão mais tranquila, Kekoa parece olhar no fundo da alma de Rita.

O julgamento durante o café já virou tradição

Essa não foi a primeira vez que a tutora mostrou a dupla acompanhando cada gole de café.

Em 24 de agosto, Rita publicou outro vídeo em que aparece tomando sua bebida enquanto Kekoa e Kaya a encaram com a mesma concentração.

"Imagine ter a audácia de beber café quando se tem cães pastores", escreveu ela. Na mesma publicação, acrescentou: "O julgamento é FORTE!".

Os comentários também entraram na brincadeira. Um internauta quis saber se Kekoa já não tinha tomado café antes, fazendo referência aos olhos arregalados.

A insistência dos dois em observar a tutora virou uma espécie de piada recorrente entre os seguidores.

Alguns sugerem que Rita deveria arrumar umas vacas para os cães pastorearem. Afinal, se não há rebanho por perto, alguém precisa receber toda aquela atenção. E, aparentemente, a escolhida foi ela.

Apesar das encaradas, Kekoa e Kaya também têm uma rotina cheia de passeios e aventuras ao lado da família.

Os dois são cães de trabalho por origem, mas, dentro de casa, o serviço parece ser vigiar o café da tutora.

Kekoa tem uma particularidade

Kekoa é um boiadeiro australiano que chegou à família durante o auge da pandemia de Covid-19.

Rita contou no Instagram que ela e os familiares estavam empolgados com a chegada do filhote, mas logo perceberam que havia algo diferente nele.

Ele era muito tranquilo e não parecia responder quando as pessoas o chamavam. A família começou a suspeitar que o filhote não escutava e, depois de uma avaliação, o veterinário confirmou que ele era surdo.

A descoberta exigiu adaptações, mas também fez a família aprender novas formas de se comunicar com ele.

Um amigo se ofereceu para ajudar no treinamento, tanto de Kekoa quanto dos tutores. Em vez de depender de comandos falados, eles passaram a usar sinais com as mãos e a ensinar o cão a prestar atenção constante nos tutores.

Rita também explicou que precisaram aprender a acordá-lo com delicadeza, já que ele não ouviria alguém chamando ou fazendo barulho por perto.

A tutora conta que ele trouxe muita alegria para a casa, além de uma boa dose de atrevimento. E, pelo que aparece nas publicações, o cãozinho desenvolveu bem a habilidade de prestar atenção.

Kaya é a "irmã" e também os "ouvidos" de Kekoa

Kaya chegou à família para fazer companhia a Kekoa, mas também passou a desempenhar um papel importante na comunicação entre o cão surdo e as pessoas ao redor.

Rita a descreve, de forma carinhosa, como os "ouvidos de apoio emocional" do irmão.

Isso não significa que Kaya esteja na casa apenas para ajudar Kekoa. Rita faz questão de explicar que ela é parte da família por si só, além de ser uma companheira querida e sua parceira favorita nas caminhadas.

Kaya também recebe treinamento de chamada com uma equipe especializada. O objetivo é ensiná-la a buscar o irmão quando necessário.

Por enquanto, existe uma estratégia que funciona bem. Kekoa tem tanta vontade de participar de tudo que, quando a família chama Kaya, ele também corre para descobrir o que está acontecendo.

Rita brinca que ele tem um medo enorme de ficar de fora de qualquer atividade.

Além disso, Kekoa costuma manter a família no campo de visão. Essa atenção constante ajuda no dia a dia, embora os tutores continuem trabalhando para tornar a comunicação mais segura e eficiente.

Por que cães de pastoreio encaram tanto?

O olhar fixo dos dois tem uma explicação que vai além da personalidade. O boiadeiro australiano foi desenvolvido para conduzir o gado, e cães selecionados para o pastoreio usam postura corporal, movimento e olhar para influenciar a direção dos animais.

De acordo com o American Kennel Club (AKC), entidade americana dedicada a cães de raça, algumas raças de pastoreio, como o border collie, são conhecidas por usar um olhar intenso para controlar o movimento das ovelhas.

Essa técnica é chamada de giving eye, expressão que pode ser traduzida como "usar o olhar".

Já os boiadeiros australianos têm outra estratégia característica, que inclui aproximar-se do gado e mordiscar a região dos calcanhares para fazê-lo se mover.

O AKC explica que comportamentos associados ao pastoreio também podem aparecer em situações domésticas.

Cães com esse instinto podem tentar controlar o movimento de crianças, outros animais, bicicletas e objetos em deslocamento.

O olhar fixo pode fazer parte dessa sequência de observação e controle, embora cada cão tenha suas próprias características.

Talvez o instinto estimule Kekoa e Kaya a encarar a tutora. Talvez eles queiram apenas saber o que está acontecendo.

Mas, para Rita, o olhar dos dois parece dizer uma coisa: "Como assim você vai tomar café sem a gente?"

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.