Cachorrinha de 5 kg dá baile em voluntários por 17 dias e faz equipe recorrer a drone, disfarces e muita paciência
Por Larissa Soares em Proteção Animal
Cometa, uma cachorrinha de apenas 5 kg, deu trabalho aos voluntários da Sociedade Viçosense de Proteção aos Animais (Sovipa), em Viçosa, Minas Gerais.
Encontrada em uma estrada de terra, ela até mostrava curiosidade e se aproximava das pessoas, mas bastava alguém tentar chegar mais perto para ela disparar em fuga.
Foram necessários 17 dias de tentativas, com armadilhas, disfarces, medicamento e até um drone, até que os protetores finalmente conseguissem resgatá-la.
A história foi relembrada pela Sovipa em uma publicação no Instagram, em setembro.
Na época do resgate, Cometa parecia conhecer todas as estratégias dos voluntários e conseguia escapar de cada tentativa.
A equipe tentou diversas abordagens para capturá-la com segurança. Houve armadilhas simples, estruturas camufladas e até pessoas usando fantasias para tentar se aproximar sem assustar a cachorrinha.

Os voluntários também recorreram a um drone para acompanhar seus deslocamentos e a um medicamento para deixá-la mais calma.
Nem assim Cometa facilitou o trabalho. Mesmo sonolenta, ainda conseguiu correr e se esconder.
Quando finalmente foi encontrada, também tentou morder quem se aproximava, comportamento que reforçava o quanto estava assustada e desconfiada.
Na época, a Sovipa resumiu a saga com bom humor:
"Um baile dado por um ser de 5 kg, é mole?", brincou a organização.
Foram 17 dias de tentativas, mas a equipe não desistiu. "O cansaço foi grande, mas a recompensa é maior", escreveu a entidade ao recordar o resgate.
A protetora Marly Coelho, que participou da operação, também comentou sobre a dificuldade daquela missão.
"Esse foi um dos resgates mais desafiadores que participei… mas o resultado é que me faz continuar todos os dias… uma vida salva, um recomeço. Felicidade define esse resgate", escreveu.
Um detalhe chamou a atenção dos voluntários quando conseguiram acolhê-la. Cometa usava um lacinho na cabeça, o que indicava que, em algum momento, ela já poderia ter convivido com uma família.
Ninguém sabe por que acabou sozinha na estrada ou o que aconteceu antes de ser encontrada. Mas a equipe da Sovipa estava determinada a oferecer a ela uma oportunidade de recomeçar.

De fugitiva a cachorrinha de família
O resgate não foi o fim do trabalho. Depois de passar por uma experiência tão difícil, Cometa precisaria de tempo para se adaptar à nova vida e aprender a confiar nas pessoas.
A boa notícia é que, pouco tempo depois, a cachorrinha já estava vivendo com uma família.
Ao relembrar a história, a Sovipa contou que a cachorrinha, antes tão difícil de alcançar, agora é esperta, ágil, travessa e também muito amável.
A legenda comemorou o fato de que ela já tinha um lar havia mais de um ano e desejou vida longa à cachorrinha e à família.
"Foi difícil, mas conseguimos!", escreveu a organização.
E, depois de tantos dias de tentativas, Cometa finalmente pôde trocar a estrada por uma casa onde recebe cuidados e carinho.
Resgates difíceis
Enquanto alguns cachorros se aproximam espontaneamente durante o resgate, outros fogem, se escondem ou podem até tentar morder quando alguém chega perto.
A Best Friends Animal Society, organização americana de proteção animal, orienta que cães pouco habituados ao contato humano não sejam encurralados ou manipulados à força.
O ideal é permitir que se acostumem gradualmente à presença das pessoas, com ajuda de alguém experiente em comportamento animal. Dependendo do histórico e do nível de medo, esse processo pode levar tempo.
Por isso, perseguir um cão assustado geralmente não é uma boa estratégia. A American Humane Society, entidade americana de bem-estar animal, recomenda uma aproximação lenta e cuidadosa, com voz tranquila e sem movimentos bruscos.
Alimentos podem ser usados para atrair o cachorro, desde que isso seja feito com segurança.

Se ele estiver perto de uma estrada, por exemplo, assustá-lo pode fazer com que corra em direção ao trânsito.
Também é importante evitar encarar o cão fixamente, tentar agarrar sua coleira ou avançar sobre ele. O melhor é manter uma distância segura e observar suas reações.
Se o animal demonstrar agressividade, estiver ferido ou não permitir aproximação, a recomendação é procurar ajuda de profissionais ou serviços de proteção animal.
No caso de Cometa, o resgate exigiu paciência, planejamento e uma equipe preparada para adaptar a estratégia conforme o comportamento do animal.
Para quem encontra um cão arisco na rua, a orientação é não tentar repetir sozinho uma operação como essa.
O mais seguro é registrar a localização, observar o animal à distância e acionar uma organização de proteção animal, serviço municipal ou profissional com experiência em captura humanitária.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.









