Homem encontra cachorro com deficiência na porta de mercadinho e não resiste: "Amor, posso levar para casa?"
Por Larissa Soares em Aqueça o coração
"Amor, posso levar para casa?": Foi com essa pergunta que Lian Laurean avisou à namorada, Luana, que havia encontrado mais um cão precisando de ajuda.
A mensagem chegou em 26 de outubro, por volta das 9h, acompanhada de uma foto do cachorro. Ele estava na rua, mancando e com uma condição bem delicada.
Lian ainda tentou negociar, dizendo que poderia levá-lo apenas para que os dois o conhecessem pessoalmente e depois decidissem o que fazer.
Mas, pelo visto, a decisão já estava praticamente tomada. Às 10h30, antes mesmo de receber uma resposta, ele mandou outra atualização.
O cão já tinha tomado banho e agora a pergunta era se poderia levá-lo até a clínica veterinária para ser examinado.

Luana é médica veterinária e vive com Lian, que tem uma longa história de acolhimento de animais com deficiência.
A convivência com a profissional acabou transformando a casa do casal em um lar para cães que precisam de cuidados especiais.
Por isso, a chegada de mais um integrante não foi exatamente uma novidade para a família.
O novo morador recebeu o nome de Banguela, em referência à condição da mandíbula e à ausência de dentes na região afetada.
Ele também não tem uma das patas dianteiras, embora ainda não se saiba o que provocou a perda do membro.
A aparência do cão chamou a atenção dos seguidores, que logo começaram a brincar com a semelhança entre ele e outros moradores da casa.
"É uma mistura do cotoco do pai dele com bocão", comentou uma pessoa.
Outra brincou que seria "o segundo cotoco do pai dele", em referência aos cães que já vivem com Lian e Luana.
O resgate que começou na porta de um mercadinho
No dia seguinte, Lian contou um pouco mais sobre a história de Banguela.
Pelo que conseguiu apurar, o cão vivia solto pelas ruas e costumava circular pelos bairros da região, principalmente nas proximidades de uma rodovia.
Uma pessoa que morava por ali aparentemente o ajudava, oferecendo comida e algum suporte, mas ele continuava sem um lar.
Lian ainda não tinha informações suficientes para explicar o que havia acontecido com o cachorro. Não sabia se ele tinha perdido a pata em algum acidente, se a alteração na mandíbula era consequência de um trauma ou se alguma das condições estava presente desde o nascimento.
A ausência de parte do osso e de dentes na região da boca indicava que ele precisaria de uma avaliação cuidadosa.
Enquanto investigava o histórico do novo companheiro, o casal começou a observar aspectos importantes da saúde e do comportamento dele.
Lian explicou que estava acompanhando a alimentação, a urina, as fezes e a interação com os outros animais da casa.
Em outra publicação, ele mostrou Banguela recebendo ração diretamente na boca.
A cena também ajudou a mostrar uma das adaptações necessárias para que o cão consiga se alimentar.
Como a região da mandíbula foi afetada, a equipe precisava observar de que maneira ele conseguia mastigar e engolir, além de verificar se havia desconforto durante as refeições.
Lian explicou que não pretendia tomar uma decisão apressada sobre o futuro do cachorro.
Antes de definir se ele permaneceria com a família ou seria encaminhado para adoção, queria conhecê-lo melhor.
O objetivo era entender seus hábitos, suas necessidades e como ele se comportava com pessoas e outros animais.
Essa etapa também é importante quando um cão é encaminhado para uma nova família.
Conhecer o temperamento, as limitações físicas e os cuidados necessários permite orientar possíveis adotantes e evitar que o bichinho vá para uma casa que não consiga atender às suas necessidades.
"Vamos fazer o melhor que a gente pode, como sempre", afirmou Lian ao apresentar o novo integrante.
Ele também agradeceu o carinho recebido dos seguidores e explicou que ele e Luana não são uma organização de proteção animal.
O casal faz os resgates com recursos próprios, dentro de suas possibilidades financeiras e de espaço.
Uma casa cheia de histórias e apelidos
Banguela chegou a uma família que já tem experiência em receber cães com limitações.
Em uma das publicações, Lian brincou que os seguidores apelidaram a residência de "Teleton dos pets", por causa da quantidade de moradores com deficiências.
Entre eles está Romeu, que também atende por uma coleção de apelidos, como Saci, Fifi Pererê, Cotoco, Tripé, Twopé e meio e Sheldon.
Lian costuma brincar que o cachorro chegou "sem manual e faltando peças".
Outro integrante é Bocão, cujo nome faz referência à dificuldade que tem para manter a boca fechada.
O cão costuma observar o movimento da vizinhança pela janela e já ficou conhecido como aquele que não sabe fechar a boca.
A família também conta com Logan, chamado carinhosamente de sábio ancião, velho catarrento, velho da baba, coroa grisalho e Gianecchini da casa.
Chico, por sua vez, recebeu apelidos como Tico Tico mendigo, boca de veludo e Mr. Burns, por conta da personalidade.
Yuri também faz parte da turma e ganhou nomes como Feno do Faroeste, Taturana, Moita Queimada e Espiga de Milho.
Já Chum Chum chegou à família registrado como Chumbinho.
Lian contou que preferiram mudar o nome porque não queriam usar uma referência a veneno para chamar um cachorro que havia chegado em uma condição bastante delicada.
Chum Chum é surdo e tem dificuldades de visão. Por isso, um de seus apelidos é "tem que ir lá".
Quando alguém pergunta onde ele está, muitas vezes a resposta é que será preciso ir até o local. Afinal, o cão pode não perceber que está sendo chamado à distância.
Enquanto Banguela passa por essa fase de adaptação, os seguidores acompanham as atualizações e aguardam novidades sobre sua saúde.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.







