Em meio a pandemia, sequestro de cães e gatos aumenta e assusta tutores

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De acordo com um levantamento feito no ano passado pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP), o sequestro de cães aumentou 110,8% na capital paulista entre 2017 e 2018 - foram 137 casos contra 65 do ano anterior.

Esse aumento explosivo do número de raptos de animais de estimação ocorre também em outras capitais brasileiras.

Em meio à pandemia, ao passo que o número de adoção de pets aumentou, o de sequestro deles também. Centenas de famílias foram atingidas por essa realidade neste ano.

Segundo uma matéria divulgada pela Jovem Pan, no dia 1º de agosto a mãe da professora Juliana passeava de carro com seus dois cães no bairro da Vila das Mercês, na Zona Sul de São Paulo (SP), quando foi parada por bandidos.

“Minha mãe estava indo passear com eles e, na rua da casa dela, parou no farol com a janela aberta. Parou um carro do lado e um homem saiu, bateu com a arma no carro para chamar atenção, puxou o Stark e saiu”, contou a professora.

O cãozinho Stark é da raça Spitz Alemão, também conhecido como Lulu da Pomerânia, e está na lista dos mais cobiçados entre os sequestradores.

Testemunhas acionaram a Polícia Militar imediatamente. “O Stark não tem pelo, ele tem Alopecia X e, como estava frio, ele usava roupinha. Ficamos com receio de terem roubado ele para revender ou procriar, mas quando percebessem que ele tinha essa questão, podiam machucá-lo ou matá-lo”, revela Juliana.

O medo se converteu em esperança apenas duas horas depois, quando um homem desconhecido fez contato. “Ele tem uma placa de identificação na coleira e um cara ligou dizendo ter encontrado o cachorro na rua. Ele disse que teve muitos gastos, que tinha comprado ração, cobertor e outras coisas. Queria me pedir dinheiro em troca”, afirma. Ambos acertaram R$ 500 pelo resgate, marcando um encontro em frente a um supermercado do bairro.

“Antes disso, eu postei nas redes sociais um pedido de ajuda e coloquei o meu telefone pessoal. Cinco minutos depois dessa ligação, um cara me ligou e disse que tinha encontrado o Stark. No momento da adrenalina, pensei que fosse a mesma pessoa, mas era outra. Ele viu minha postagem e se aproveitou da situação. Eu disse que já estava indo e ele percebeu que eu já tinha encontrado. Então, ele disse ‘você falou com meu colega, o que vocês combinaram?’. Eu contei, e ele falou para depositar essa quantia, não entregar em espécie”, disse Juliana.

Apesar disso, Juliana foi com o marido até uma lotérica, ao passo que dois tios dela foram para o supermercado esperar o primeiro ‘informante’.

Ao chegar no caixa eletrônico, ela confirmou que se tratava de um golpe: o tio dela avisou que tinha pegado Stark no supermercado combinado com o primeiro homem que entrou em contato com ela. “Minha mãe não anda mais de vidro aberto e fica sempre atenta. Causou um trauma entre a gente, ela ficou muito assustada”, lamenta.

Algo semelhante ocorreu com Monique Silva, veterinária e administradora Pet Clinicão. Há alguns meses, ela teve seu gato Uísque sequestrado.

“Ele usava uma coleira com telefone. Ligaram e pediram dinheiro para devolver. Meu marido foi buscar e pagou”. Eles desembolsaram R$ 150 pelo resgate, sem contatar a polícia.

Segundo a veterinária, gatos costumam ser menos visados por ficarem mais restritos em casa. Geralmente, raças de cães são mais cobiçadas, tais como os pugs, bulldogs, shih tzus e spitz.

Crimes como esses abastecem indiretamente o mercado clandestino de venda de animais. Sobre isso, Monique indica que, para saber se o pet é proveniente de uma compra legalizada, “o comprador deve procurar criadores idôneos e pesquise a origem dos filhotes ou adultos antes de adquiri-los”.

A veterinária também ensina algumas técnicas para se proteger dos sequestros e raptos relâmpagos. “Animais castrados são menos roubados, pois não podem ser vendidos para a reprodução. Para diminuir os problemas de roubo e furto dos pets, o ideal é a aplicação do microchip na região do pescoço. Os microchips implantados na pele não são rastreáveis, são apenas uma forma eficiente de identificação do animal, se houver um problema. Chips rastreáveis são colocados em coleiras ou acessórios e podem ser removidos”, complementa.

Se o seu animal de estimação foi roubado, é fundamental entrar em contato com a polícia.

O advogado criminalista Evandro Capano explica: “Na verdade, não tem grande diferença entre você entrar na casa de uma pessoa e furtar o veículo dela ou furtar o cachorro. Do ponto de vista jurídico, isso é furto. Não tem muita diferença. Existe a diferença afetiva, mas na lei não existe essa tipificação de conduta. Porém, se pedirem resgate, é extorsão”, diz.

Criminosos condenados por furto podem pegar de 1 a 4 anos de reclusão, mais acréscimo de multa. Para os casos de extorsão, a pena é de 4 a 10 anos e multa.

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Gabriel Pietro têm 20 anos, é redator e freelancer. Fundou o Projeto Acervo Ciência em 2016, com o objetivo de levar astronomia, filosofia e ciência em geral ao público. Em dois anos, o projeto alcançou milhões de internautas e acumulou 400 mil seguidores no Facebook. Como redator, escreveu para vários sites, como o Sociologia Líquida e o Segredos do Mundo. Ainda não sabe se é de humanas ou exatas, Marvel ou DC, liberal ou social-democrata. Ama cinema, política, ciência, economia e música (indie). Ainda tentando descobrir seu lugar no mundo.