Morador de rua rejeita moradia para poder ter companhia de sua cadela vira-lata

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Imagina-se como uma pessoa de rua recebendo a oportunidade de conseguir um emprego e uma casa. Agora imagine que para isso você tem que largar a coisa que mais ama. Esse é o caso de Luís Pereira, de Santa Maria da Feira (Portugal), um sem-abrigo que teve que recusar moradia para ficar junto da sua cadela, Kika.

Luís tem 35 anos, é ex-dependente químico, foi abandonado pela família e mora nas ruas. A única coisa que sempre esteve lá por ele era Kika, uma vira-latinha que ele adotou de uma associação na cidade.

“Estava cansado da droga, de amigos falsos e de certas pessoas quando decidi ir buscar a Kika. Tem sido a minha companhia, a minha família e não há palavras que consigam descrever os sentimentos que ela me transmite” - explicou para o Jornal de Notícias, de Portugal.

Infelizmente, as oportunidades recentes que Luís recebeu não traziam Kika em seu futuro. Por isso, todas foram recusadas.

“Ela esteve sempre comigo. Eu não a abandono e ela não me abandona”. O amor que o tutor sente pela cachorrinha é grande demais. Não é só a doguinha que depende dele, mas o sem-abrigo também depende dela, já que tem “medo de cair novamente na droga”.

O homem quer trabalhar e ter uma casa. Um dos seus sonhos é poder ajudar os animais, mas ele não pretende largar de Kika para isso.

Atualmente, ele está em uma pensão junto de Kika ajudados pelos voluntários da “Coração de Rua”, mas não sabe para onde ir depois. Esse grupo de voluntários auxilia com a moradia temporária e comida.

“O Luís quer mudar de vida, trabalhar e não ser 'vítima'. O Estado não pode deixar de acompanhar um sem-abrigo, só porque este tem um animal de estimação, nem impedir que seja alvo de uma recuperação se o animal for um elemento importante nessa fase” - complementa Ivo Gomes, membro do grupo.

As instituições de acolhimento que lhe ofereceram abrigo não aceitam animais. Ato que, para Luís, não tem nenhum sentido.

“Não entendo como há instituições, algumas até de aspecto religioso, que consigam deixar no abandono os animais, separando-os das pessoas as quais estão habituados. Não me parece justo.”

O morador de rua acredita que, com a exposição dada pelo Jornal de Notícias, conseguirá juntar pessoas que acreditem na causa. Não só por Kika e ele, mas “também por outros animais e outras pessoas que passam pela mesma situação e que deviam merecer mais atenção e serem ajudadas”.

Se quiser saber como ajudar mais, pode acessar a página do Facebook do grupo.

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Estudante de jornalismo que é apaixonado por tudo que tenha super-heróis, dragões e faroeste (ele se pergunta todo dia quando que vai lançar um filme misturando os três). Gosta de ler, com um favoritismo em fantasia (por que será?) e adora ver séries em geral. Ama estudar sobre criatividade e sociologia. Tem uma doguinha perfeita e sem defeitos chamada Athena. Também gosta de cinema e matar tempo nas redes sociais vendo memes.