“É meu bebê agora”: Vira-lata caramelo surpreende ao adotar filhotes de gato e cuidar deles como se fossem seus

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em Aqueça o coração

O ditado popular afirma que cães e gatos são inimigos naturais, mas uma vira-lata chamada Chiquinha decidiu reescrever essa regra de forma prática.

Ao recepcionar filhotes de gatos órfãos, a cadela não apenas aceitou a presença dos felinos, como assumiu integralmente a responsabilidade pelos cuidados maternos.

A interação foi registrada em vídeos que mostram a dedicação do animal em oferecer conforto e proteção aos novos integrantes da casa.

A história começou quando a ONG @miaudoteudi, localizada em Uberlândia, Minas Gerais, resgatou um gatinho preto em situação de vulnerabilidade. Assim que o pequeno felino saiu da caixa de transporte, Chiquinha apresentou uma reação imediata e acolhedora.

Ela se deitou de barriga para cima como se fosse amamentar, um comportamento que demonstra a ativação do instinto de cuidado, mesmo sem haver um vínculo biológico entre as espécies.

Ianara Ramirez é a fundadora da organização e compartilhou os registros que mostram a rotina da nova família. Segundo a protetora, os animais não complicam o amor e simplesmente cuidam uns dos outros.

Nas imagens, é possível observar que a cadela não se limita a dar carinho. Ela realiza tarefas essenciais para a sobrevivência de felinos recém-nascidos, como lamber os filhotes para estimular as necessidades fisiológicas e realizar a higiene completa dos animais.

O cuidado foi tão positivo que a experiência se repetiu em um segundo momento, quando outros gatinhos chegaram ao local. Chiquinha demonstrou a mesma empolgação ao ver a caixa de transporte e logo começou a interagir com um gatinho malhado.

Assista:

A cadela acompanha cada passo dos pequenos e permanece em estado de alerta sempre que os humanos pegam os felinos no colo, monitorando a situação para garantir que nada aconteça com seus protegidos.

Quando um animal demonstra tamanha docilidade, ele quebra preconceitos sobre raças ou comportamentos agressivos.

O trabalho da @miaudoteudi foca justamente em encontrar lares responsáveis para animais que, assim como os protegidos de Chiquinha, precisam de uma segunda chance.

Os interessados em conhecer mais sobre o projeto ou ajudar na manutenção dos resgatados podem acompanhar as atualizações nas redes sociais da instituição.

O segundo vídeo de Chiquinha recepcionando órfãos recebeu mais de 464 mil visualizações, 70 mil curtidas e 864 comentários.

“Que gracinha, ela querendo por tudo dar mamazinho para o nenê gato!”.
“Expectativa: adotar um gato/ Realidade: a cadela que adotou o gato e você virou avó”.
“Meu sonho era ser mãe, Márcia”.

Foram alguns dos comentários.

Confira abaixo:

A biologia da adoção e a influência hormonal nos animais

O fenômeno da adoção entre espécies diferentes encontra explicação na endocrinologia animal e no funcionamento do sistema nervoso dos mamíferos.

De acordo com o médico-veterinário Zenildo Prazeres, especialista em comportamento animal com cinco décadas de experiência, esse ímpeto é desencadeado por um gerenciamento hormonal específico que ocorre principalmente no organismo das fêmeas.

A presença de um filhote vulnerável pode estimular a glândula hipófise a liberar substâncias que alteram o comportamento do animal adulto para garantir a sobrevivência do recém-nascido.

O especialista explica que a ocitocina e a prolactina são os dois pilares químicos que sustentam essa vontade de adotar.

A ocitocina atua diretamente no sistema límbico para fortalecer o vínculo afetivo e provocar a constrição dos ductos das glândulas mamárias, permitindo que o leite chegue até a boca do filhote.

Paralelamente, a prolactina trabalha na produção do alimento, o que possibilita que fêmeas em situações de gravidez psicológica ou que pariram recentemente consigam nutrir seres de outras espécies.

Embora o comportamento seja frequentemente associado aos mamíferos, Zenildo Prazeres ressalta que o ímpeto também pode ser observado em aves. No entanto, o veterinário destaca que a ocorrência em machos é considerada uma raridade biológica.

No caso dos cães, o instinto paternal não é mediado pela mesma carga hormonal das fêmeas, o que torna o papel da mãe adotiva central na organização social e na segurança dos filhotes órfãos dentro de uma residência.

Beatriz é jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, com especialização em Escrita Criativa e Editoração pela Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera. Apaixonada por narrativas envolventes e pelo universo pet, ela também possui certificação em Storytelling para Marketing Digital pela Santander Open Academy, o que complementa sua habilidade de transformar histórias reais em conteúdos informativos e inspiradores. Dedica-se à produção de reportagens que valorizam a convivência ética e afetiva entre humanos e animais de estimação, promovendo empatia, informação de qualidade e o respeito aos animais.