“Vai ser feliz, Sheik”: Abrigo organiza festa para comemorar adoção de cão idoso e veterinária se emociona ao contar sua história

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em Aqueça o coração

Depois de 11 anos vivendo em um abrigo, um cão idoso chamado Sheik finalmente ganhou um lar.

Para marcar o momento, a equipe da ONG Grupo Força Animal, de Curitiba (PR), organizou uma pequena festa. Teve balões comemorativos, teve carinho e teve emoção.

A veterinária Danielly Savi, que acompanha a história dele desde o resgate, mal conseguiu conter as lágrimas ao relembrar tudo o que aquele cachorro enfrentou para chegar até ali.

“Quando a gente resgata, é sempre uma batalha. Uma batalha para vencer uma doença… e ali nasce alguém”, disse ela no vídeo publicado nas redes sociais da ONG.

O resgate

Sheik chegou à ONG há 11 anos, em estado crítico. Ele havia sobrevivido a uma facada no rosto e a ferida era extensa.

Além disso, estava com uma miíase severa, uma bicheira que agravava ainda mais o quadro.

Extremamente magro, lutava contra uma septicemia, ou seja, infecção generalizada.

Era o tipo de caso que faz qualquer equipe segurar a respiração. Mas ele venceu.

“Ele venceu a septicemia”, relembra Danielly. “E quando a gente vence uma batalha dessas, nasce não só um novo animal. Nasce também alguém na equipe clínica.”

Sheik foi tratado, medicado, alimentado, cuidado e sobreviveu ao que parecia impossível.

Mas, depois da fase crítica, veio outra batalha longa: a espera.

Onze anos olhando o portão

Durante mais de uma década, Sheik viveu no abrigo. Ele viu companheiros de canil chegarem e serem adotados.

Viu famílias entrarem no portão, escolherem e irem embora com outros cães. Viu o tempo passar.

Mas, por muito tempo, Sheik tinha a companhia de Bela, sua melhor amiga canina.

Um pouco mais velha, ela dividia com ele o espaço, o carinho da equipe e os dias de sol no pátio. Os dois eram inseparáveis.

Mas Bela não teve a mesma sorte. Ela envelheceu no abrigo e faleceu sem conhecer um lar definitivo.

“Quando a Bela faleceu, o Sheik estava abraçado nela”, contou a veterinária. “Ele ficou quase uma semana sem comer.”

A espera tornou-se ainda mais dura.

“Abrigo salva. Mas abrigo não é lar.”

Abrigos são essenciais, já que salvam vidas, oferecem tratamento, alimento, vacina, enriquecimento ambiental e mantêm os animais vivos.

Mas, assim como a veterinária disse, não substituem o calor de uma casa.

Felizmente, a sorte sorriu para Sheik e, em 5 de maio de 2025, ele foi adotado.

“E agora, no finalzinho da vida dele, ele vai ter uma cama. Vai ter alguém para dar banho nele, para dar carinho”, disse Danielly no vídeo.

A festa da despedida

Para comemorar, a ONG fez uma pequena celebração. Voluntários se reuniram, fizeram carinho, desejaram sorte. Era impossível não chorar.

“Essa tua atitude de adoção de um idoso renova todas as nossas esperanças”, disse a veterinária, emocionada, dirigindo-se à nova tutora. “Mesmo que seja nesse pouco tempo que ainda resta para ele.”

Agora, meses após a adoção, as imagens mostram outro Sheik, brincando, correndo feliz.

Olhar tranquilo, corpo relaxado, expressão de quem finalmente entendeu que não precisa mais esperar.

“Hoje o Sheik vive o que sempre mereceu: amor, cuidado e família”, diz a legenda da ONG.

Ele sobreviveu à violência, à doença, à perda da melhor amiga e a mais de dez anos de abrigo. Agora, ele vive.

Veja o vídeo:

Por que adotar um cão idoso?

Segundo dados internacionais divulgados pelo PetMD, cães mais velhos são frequentemente negligenciados nos abrigos.

Enquanto filhotes costumam ser adotados rapidamente, os idosos permanecem invisíveis.

Mas eles têm vantagens que muita gente desconhece.

1. São mais calmos

Cães idosos geralmente têm energia mais equilibrada. Para famílias que preferem uma rotina tranquila, são companheiros ideais.

2. O temperamento já é conhecido

Ao adotar um cão idoso, você já sabe como ele é: se gosta de colo, se é sociável, se prefere ambientes silenciosos. Não há tantas surpresas.

3. Já passaram da fase “destruidora”

Sapatos roídos, móveis arranhados e madrugadas agitadas são mais comuns na fase de filhote. Idosos costumam ser mais serenos.

4. Eles ainda podem aprender

Existe um mito de que cães velhos não aprendem truques novos. Não é verdade. Eles podem, sim, aprender comandos, rotinas e regras da casa e isso inclusive ajuda a manter a mente ativa.

5. São profundamente gratos

Voluntários costumam dizer que cães idosos adotados demonstram uma gratidão comovente. Talvez porque saibam, de alguma forma, que aquela é a última grande chance.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.