“Não tenho explicação pra isso”: Pássaro se recusa a sair de carro, e sem querer motorista ganha novo melhor amigo
Por Larissa Soares em Mundo Animal
No dia 23 de março, em Natal (RN), um filhote de passarinho pousou no para-brisa de um carro para fugir do perigo e acabou encontrando proteção onde menos se esperava.
Vulnerável, sem conseguir voar direito, o passarinho não saiu do lugar nem mesmo com a aproximação do dono do veículo.
E foi justamente essa insistência que deu início a uma relação que conquistou milhares de pessoas nas redes sociais.
Um encontro no meio da rotina
O criador de conteúdo responsável pela página Pêia Motor contou que estava saindo de casa para uma reunião quando se deparou com a cena inusitada.
“Caramba, olha só isso, eu tava saindo agora… quando eu vou saindo no carro, me deparo com essa cena. Filhotinho em cima aqui do capô”, disse ao gravar o momento.
O pássaro, um filhote de bico-de-lacre, parecia desorientado e assustado. Segundo o relato, havia gatos próximos à árvore onde possivelmente ficava o ninho, o que explica a tentativa desesperada de fuga.
Sem habilidade para voar longas distâncias ou se proteger sozinho, ele encontrou no carro um refúgio temporário. E, por pouco, o desfecho não foi trágico.
Decisão rápida para salvar uma vida
Ao perceber a situação, o motorista tomou uma decisão rápida para ajudar. Em vez de simplesmente afastar o animal ou colocá-lo de volta na árvore, onde os predadores ainda estavam, ele optou por levá-lo para um local seguro.
“Se o gato pegar, xau”, comentou, preocupado, enquanto tentava manusear o filhote com cuidado.
O passarinho foi colocado dentro do carro, protegido do calor e do risco externo.
“Vou lhe levar comigo, tá certo? Tá no ar-condicionado”, disse, já tratando a avecomo companhia.
O tutor provisório ainda garantiu que o ambiente estivesse adequado durante o compromisso: deixou o veículo na sombra, com ventilação e água disponível.
A partir daquele momento, o resgate pontual começou a ganhar novos capítulos.
Início de uma amizade
Batizado de Frederico, o filhote passou a receber cuidados diários. Em casa, o homem montou um pequeno espaço para mantê-lo seguro e começou a acompanhar de perto seu desenvolvimento.
Com o passar dos dias, o comportamento do pássaro chamou atenção. Mesmo ainda inseguro para voar longas distâncias, Frederico demonstrava confiança no novo cuidador.
“Sinceramente, eu não tenho explicação para isso”, disse em uma atualização, impressionado ao perceber que o pássaro voava até sua mão sempre que ele esticava o braço.
Em outro momento, após apresentar sinais de apatia, o tutor voltou para casa no horário do almoço para verificar o estado do animal.
Ele relatou que o filhote parecia cansado, com o bico aberto, um possível sinal de estresse ou calor. Ao levá-lo para um ambiente externo mais arejado, o quadro melhorou gradualmente.
"Fiquei na rua com ele um bom tempo. Coloquei ele na árvore e ele voltou para mim. Antes de sair novamente de casa percebi que ele estava muito melhor."
Pouco tempo depois, Frederico já estava mais ativo novamente, embora ainda demonstrasse certo receio em alguns movimentos. "Aproveitei e levei ele para passear".
Conheça o bico-de-lacre
Originário da África, o bico-de-lacre foi introduzido no Brasil ainda no período imperial e hoje é encontrado em diversas regiões do país, especialmente em áreas urbanas e terrenos abertos.
De acordo com o WikiAves, a espécie mede entre 10 e 13 centímetros e pesa cerca de 7 a 10 gramas. Os filhotes possuem características marcantes, como o bico escuro e pequenas estruturas brilhantes próximas à boca, que ajudam os pais a alimentá-los no ninho.
A alimentação é baseada principalmente em sementes, embora também possam consumir pequenos insetos. Já o comportamento costuma ser sociável, com indivíduos vivendo em pequenos bandos.
Quando ajudar e quando não interferir
Qual é a melhor forma de agir ao encontrar um filhote de ave?
Segundo a Sociedade Nacional Audubon, nem todo filhote encontrado no chão está abandonado. Muitos passam por uma fase natural fora do ninho, ainda aprendendo a voar, enquanto continuam sendo alimentados pelos pais.
No entanto, há situações em que a intervenção é necessária, como quando o animal está ferido, em risco iminente ou incapaz de se locomover.
Entre as orientações estão:
- Manter o animal em local seguro e tranquilo, longe de predadores;
- Evitar oferecer comida ou água sem orientação especializada;
- Colocá-lo em uma caixa ventilada, se for preciso removê-lo;
- Procurar um centro de reabilitação de animais silvestres.
Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.








