“Disseram que ela era terrível”: Devolvida por 'mau comportamento', Kira revela outra história ao ser acolhida
Por Beatriz Menezes em Proteção Animal
Recentemente uma cachorrinha chamada Kira experimentou o lado mais difícil da rejeição ao ser devolvida para o projeto de resgate onde viveu quando era filhote.
Após dois anos convivendo com uma família, o animal retornou ao sistema de adoção sob a justificativa de que apresentava um comportamento difícil.
O caso ganhou repercussão no Instagram do matueofrentista através de um vídeo que detalha o estado emocional do animal no momento do reencontro com os voluntários.
O registro mostra o momento em que os responsáveis pelo resgate recebem mensagens classificando a cadela como terrível e ‘malina’.
No entanto, quando Giovanni Beringuello Fernandes foi buscar Kira, ,ele encontrou um cenário diferente da descrição enviada pelos antigos tutores.
Kira demonstrava sinais claros de trauma e um medo acentuado de figuras masculinas, o que exigiu uma abordagem cautelosa e paciente durante o transporte.
O processo de devolução ocorreu em março e revelou as cicatrizes psicológicas que o abandono tardio pode causar em um cão doméstico.
Ao ser retirada do ambiente onde viveu por 24 meses, Kira apresentava uma postura retraída e evitava o contato visual com homens.
Giovanni precisou adaptar a logística do retorno. Ele percebeu que a presença feminina facilitava o manejo de Kira, sendo assim Amanda Foster, namorada do protetor, foi chamada para ajudar a carregar a cachorrinha com o objetivo de reduzir os níveis de estresse.
A justificativa apresentada pelos antigos responsáveis contrastava com o histórico inicial da cadela, que havia sido doada ainda filhote sem apresentar traços de agressividade.
Adoção e superação do trauma
Apesar do início conturbado no lar temporário, a recuperação de Kira surpreendeu os cuidadores pela rapidez.
O que se previa ser uma convivência com um animal difícil se transformou em uma demonstração de resiliência e alegria.
Em poucos dias, a cadela passou a explorar todos os cômodos da nova casa e demonstrou uma capacidade de socialização elevada com outros cães do grupo.
Ela se adaptou muito bem a casa onde está abrigada e poucos momentos após chegar ao local já começou a correr e brincar de forma ativa, inclusive incentivando outros cães mais quietos a participarem das atividades.
Amanda descreveu Kira como uma cadela mansa e carinhosa que conseguiu se integrar perfeitamente à rotina de outros cinco animais.
Confira abaixo:
O vídeo conta com 2,4 milhões de visualizações, 263 mil curtidas e 4.733 comentários.
“Deveria existir um cadastro pra quem devolve cachorro pra nunca mais poder adotar nem comprar”.
“Linda demais que ela ache uma família que realmente a respeite e cuide dela”.
“Foi um livramento para esse anjo. São Francisco de Assis vai providenciar uma família de verdade com muito amor e respeito”.
Foram alguns dos comentários deixados pelos internautas.
Como adotar Kira
O processo para oferecer um novo lar definitivo para Kira é rigoroso e prioriza a segurança emocional do animal. Os interessados devem ter mais de 18 anos e preencher um formulário detalhado que será analisado pela ONG Maze Dog Corp
A seleção busca garantir que o novo tutor tenha o perfil adequado para as necessidades específicas da cadela, evitando que ela passe por uma nova experiência de devolução.
Após a análise do documento, os candidatos aprovados passam por uma entrevista online.
Caso a adoção seja confirmada, é solicitada uma taxa de 90 reais destinada a cobrir parte dos custos operacionais da ONG com medicamentos, alimentação e manutenção dos resgatados.
O contato é realizado exclusivamente via WhatsApp com os selecionados para a etapa final do processo.
Como surgiu o perfil de Matuê
A estrutura que acolheu Kira nasceu de uma história que também começou em um posto de gasolina na cidade de Campinas. O cão Matuê, um vira-lata caramelo, tornou-se um símbolo da causa animal após ser adotado por funcionários de um estabelecimento em 2021.
Ele passou a utilizar uniforme e crachá de frentista, o que gerou um engajamento massivo nas plataformas digitais e transformou o animal em um influenciador com quase um milhão de seguidores.

Após sobreviver a um atropelamento, Matuê encerrou suas atividades no posto para viver integralmente com o tutor Giovani, mas o impacto de sua história permaneceu.
A visibilidade alcançada pelo cão frentista serviu de base para a criação da Maze Dog Corp voltada ao resgate de outros animais que vivem em situações semelhantes de abandono em locais públicos.










