"Olha quem voltou": Irmãs sofrem ao soltar ave criada desde filhote, mas horas depois recebem presente de gratidão

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em Mundo Animal

Em 2021, uma menina estava do lado de fora, quando olhou para o chão e viu algo pequeno e frágil.

Era uma pombinha filhote, ainda sem penas e sem sinais dos pais por perto. A ave era muito frágil para ficar ali.

“Não havia como colocá-la de volta na árvore”, explicou a mãe, em entrevista ao The Dodo.

Foi então que a família resolveu intervir. Mas, desde o início, o plano era cuidar da filhote até que ela estivesse forte o suficiente para voltar à natureza.

As meninas se dedicaram completamente à ave, que recebeu o nome de Trigger. Elas alimentaram, observaram cada mudança e acompanharam de perto o desenvolvimento.

“Eu me surpreendi com o crescimento dela”, disse a mãe.

Com o passar dos dias, Trigger foi se mostrando cada vez mais forte. Até que chegou o momento combinado desde o início.

“Eu disse: ‘ok, meninas, é hora de soltá-la’”, relembrou.

A surpresa

Quando chegou o momento de devolver a pomba à natureza, a família estava um pouco emotiva. Elas sabiam que aquele era o desfecho certo, mas isso não tornava a despedida mais fácil.

“Foi muito emocionante para elas”, contou a mãe, confessando: “Não gostei, queria ela de volta.”

A decisão, no entanto, foi mantida e Trigger foi solta. Mas a história não terminou ali. Poucas horas depois, algo surpreendente aconteceu.

“Ela está de volta. O que eu faço?”, disse a mãe, ainda surpresa.

Trigger havia retornado e voltou como quem sabe exatamente onde quer estar.

“Eu nunca imaginei que teria um relacionamento com uma pomba”, comentou a mãe. “Ela é como uma irmã irritante.”

A “irmã irritante”

Trigger não apenas voltou, como passou a circular livremente pela casa.

Ela entrava e saía quando queria, pousava na cabeça das meninas, voava sobre a comida e até provocava o cachorro da família.

“Essa ave não para quieta”, brincou.

A relação entre a ave e o cão da casa virou uma mistura de carinho e caos. “Não é amor e ódio. São tipo ‘frenemies’”, disse.

Apesar das travessuras, estava claro que Trigger era parte da família.

“Aposto que, se você levasse ela para longe, ela encontraria o caminho de volta”, comentou a mãe.

A história chamou atenção dos internautas:

“Que gracinha, mas eu jamais deixaria a pomba sozinha lá fora. Seria um belo petisco para um gavião”, comentou uma pessoa.
“Vocês são a família dela. Ela que decidiu isso. Sem conversa”, refletiu outra.

Já um terceiro trouxe um ponto importante sobre reabilitação:

“Criei uma sem contato humano, garantindo que ela tivesse medo de pessoas. Agora, ela voa livre. Se você fizer como no vídeo, você salva uma vida, mas a ave não vai viver com outros da sua espécie.”

Quando ajudar um filhote de ave

Saber quando é necessário intervir ao encontrar um filhote no chão é uma dúvida comum.

De acordo com a RSPCA South Australia, a primeira atitude deve ser observar a situação antes de agir.

Muitas vezes, os pais estão por perto, mesmo que não sejam vistos imediatamente. Eles podem estar aguardando que o local fique seguro para retornar. A orientação geral inclui:

  • Observar à distância para não afastar os pais
  • Verificar se o filhote já possui penas
  • Identificar se ele está em perigo
  • Procurar o ninho nas proximidades

Filhotes que já têm penas e conseguem se movimentar podem estar em fase de aprendizado fora do ninho e não necessariamente precisam de resgate.

Já aves muito pequenas, sem penas ou feridas, podem precisar de ajuda.

Quando possível, recomenda-se devolver o filhote ao ninho. Caso isso não seja viável, a orientação é procurar um grupo especializado em resgate de vida selvagem.

Curiosidades sobre pombas

Trigger faz parte da espécie pomba-turca (Streptopelia decaocto).

Veja algumas curiosidades sobre, compartilhadas pelo All About Birds:

  • São capazes de beber água de forma única, sugando o líquido como se usassem um canudo
  • Alimentam seus filhotes com uma substância chamada “leite de papo”, rica em nutrientes
  • Conseguem viver mais de 10 anos na natureza
  • Têm grande capacidade de adaptação a ambientes urbanos

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.