“Que dengoso você é”: abanando o rabinho, cão Amendoim corre feliz ao ouvir a voz doce de quem o salvou na rua

Pequeno Amendoim transforma dor em carinho e emociona ao mostrar sua gratidão logo após o resgate

Por
em Diário do Bem

O vídeo publicado no perfil do Instagram da protetora de animais de Santa Rosa, Tia Vivi, começa simples, mas impossível de ignorar. Logo cedo, a voz doce de uma protetora quebra o silêncio com um chamado cheio de afeto. “Bom dia! Bom dia, meu amor! Como é que você tá?”. Do outro lado, um cachorrinho de olhar sensível e corpo ainda marcado pela dor responde da única forma que sabe: abanando o rabinho sem parar, correndo em direção a quem agora representa tudo o que ele tem.

Amendoim, como foi carinhosamente batizado, parece entender cada palavra. Entre um carinho e outro, ela continua: “Vamos tomar um banho pra melhorar esse corpinho?”. E ele vai. Mesmo com desconforto, mesmo ainda fragilizado, ele confia. Confia porque reconhece ali algo que talvez nunca tenha tido antes: cuidado.

A cena é leve, cheia de “dengos”, como ela mesma diz. “Ai, que dengoso você!”. E é impossível não sorrir. Mas por trás daquele momento delicado, existe uma história dura que explica cada gesto de gratidão do pequeno.

Em entrevista ao portal Amo Meu Pet, a protetora Vivian Espíndula da Cruz, conhecida como Tia Vivi, contou que o resgate aconteceu após um pedido urgente de ajuda. “Quando vi o vídeo que me enviaram, me cortou o coração”, relembra. Amendoim foi o terceiro caso recente de sarna demodécica que chegou até ela em menos de dois meses.

Segundo o relato, ele estava nas ruas desde cedo e chegou a ser maltratado por pessoas. “Ele estava sendo apedrejado e xingado”, conta. Mesmo assim, surpreendeu pela doçura. “Muito querido, dócil e de boas com outros animais”.

Quando finalmente foi acolhido, já à noite, os sinais de sofrimento eram visíveis. A pele machucada, o desconforto ao caminhar. Ainda assim, bastou um pouco de atenção para que ele começasse a mostrar quem realmente é.

Quando a sarna dói além da pele

A sarna demodécica, condição que afeta Amendoim, é uma doença de pele causada pela proliferação excessiva de ácaros do gênero Demodex, que vivem naturalmente na pele dos cães. Em animais saudáveis, esses microrganismos não causam problemas. No entanto, quando há falhas no sistema imunológico, eles se multiplicam de forma descontrolada, levando a lesões, queda de pelos, feridas e inflamações que podem causar dor e desconforto intenso.

Diferente de outros tipos de sarna, a demodécica não é considerada contagiosa entre cães adultos, estando mais associada a fatores individuais, como imunidade baixa, estresse ou doenças pré-existentes. Filhotes podem adquirir o ácaro da mãe nos primeiros dias de vida, mas o desenvolvimento da doença depende da resposta imunológica de cada animal.

O tratamento, como no caso de Amendoim, envolve medicações específicas, controle de infecções secundárias e cuidados contínuos com a pele, incluindo banhos terapêuticos. Quando tratado corretamente, o quadro costuma ter boa evolução, embora possa exigir acompanhamento prolongado. Diretrizes de entidades como a American Academy of Veterinary Dermatology e a World Small Animal Veterinary Association apontam que o diagnóstico precoce e o manejo adequado são fundamentais para a recuperação e qualidade de vida do animal.

Hoje, Amendoim está em tratamento, recebendo medicação e cuidados essenciais, como banhos terapêuticos, antipulgas e vermífugo. A estimativa é que tenha entre 4 e 5 anos. Assim que estiver completamente recuperado, será castrado, vacinado e preparado para encontrar um novo lar.

A adoção, no entanto, não será feita de qualquer forma. Tia Vivi explica que todo o processo é acompanhado de perto. Os interessados passam por entrevista e, se aprovados, por um período de adaptação de até 30 dias. “A gente acompanha, orienta e dá suporte para que essa família seja realmente a dos sonhos dele”, afirma.

Com mais de 10 anos atuando na causa animal em Santa Rosa, ela também desenvolve um trabalho educativo nas escolas com o projeto Tia Vivi nas escolas, reforçando a importância da conscientização desde cedo. “Acredito que a base parte da educação. Onde educamos, não será necessário punir”, diz.

Ela também chama atenção para a falta de apoio público. Todo o trabalho é feito sem recursos governamentais, sustentado por esforço próprio e pela ajuda de quem acredita na causa. Por isso, reforça a importância de as pessoas acompanharem e apoiarem iniciativas como a dela, inclusive pelas redes sociais, onde mais resgates podem ganhar visibilidade e, consequentemente, ajuda.

Enquanto isso, Amendoim segue sua recuperação. E cada pequeno avanço já é motivo de emoção. “Ele já mostrou melhoras, o que aquece meu coração”, compartilha.

Talvez ele não entenda tudo o que aconteceu. Talvez nunca compreenda por que sofreu tanto antes. Mas uma coisa é certa: ele reconhece o agora. E no agora, ele é amado. E isso, para um coração que já conheceu o abandono, muda tudo.

Repercutiu

Nos comentários, a história tocou profundamente quem assistiu:

“Aiii meu Deus eu me emociono toda vez por histórias como essa… se cada um fizer um pouquinho eu acho que ainda podemos mudar o mundo. Rezo e peço a Deus por isso.”
“Mesmo com toda a situação que está passando, esse rabinho não deixa de abanar!!”
“Obrigada por cuidar deles, por dar tanto amor.”

Jornalista formada pela Universidade de Passo Fundo, apaixonada pela comunicação e pela arte de contar histórias. Escolheu o jornalismo justamente por acreditar no poder da informação e na importância de dar voz às pessoas e aos acontecimentos que marcam a comunidade.

Curiosa por natureza e movida pelo compromisso com a verdade, busca transformar fatos em narrativas claras, humanas e relevantes.

Acredita que comunicar vai muito além de informar: é conectar realidades, aproximar pessoas e registrar momentos que fazem parte da história de uma comunidade.