“Foi como um obrigado em forma de visita”: maritaca resgatada retorna meses depois e emociona protetora

Por
em Mundo Animal

Uma maritaca ferida apareceu precisando de ajuda em Nhandeara, no interior de São Paulo, e acabou encontrando um segundo lar justamente na casa de quem dedica a vida ao resgate de animais.

Depois de se recuperar e voltar à natureza, a ave passou a fazer visitas frequentes ao lugar onde recebeu cuidados, como se quisesse rever quem a ajudou nos dias mais difíceis.

A história foi compartilhada por Aline Priscilla, da Proteção Animal Nhandeara. Segundo ela, tudo começou quando recebeu um pedido de ajuda para resgatar uma maritaca que provavelmente havia sido atacada por um gato.

“Quando você é chamada para resgatar uma maritaca, cuida dela, solta e meses depois ela continua voltando”, contou.

A ave chegou debilitada, precisando de cuidados e de um local seguro para se recuperar. Aos poucos, foi ganhando força novamente até estar pronta para voltar à vida livre.

O retorno que emocionou a família

Depois da recuperação, a maritaca foi solta. O esperado era que seguisse seu caminho pela natureza e não voltasse mais. Mas não foi isso que aconteceu.

A ave começou a aparecer novamente na casa de Aline.

“Mas meses depois, ela continua voltando”, escreveu a protetora.

As visitas passaram a acontecer de forma espontânea. A maritaca aparecia no local, observava o ambiente, interagia e permanecia por alguns momentos antes de seguir voo novamente.

Na legenda da publicação, Aline refletiu sobre o comportamento da ave.

“Não por dependência, mas talvez por reconhecimento.”

Maritacas são aves muito inteligentes

Segundo Aline, essas aves são muito inteligentes e possuem memória impressionante.

“Criam vínculos, reconhecem rostos e ambientes e muitas vezes retornam a lugares onde se sentiram seguras”, escreveu.

Essa capacidade faz parte das características dos psitacídeos, família das aves que inclui papagaios, periquitos e maritacas.

Segundo informações do WikiAves, o termo “maritaca” é usado popularmente para diferentes espécies de aves de médio porte da família Psittacidae, geralmente menores do que os papagaios.

Dependendo da região do Brasil, elas também recebem nomes como maitaca, baitaca, cocota, humaitá e caturrita.

Uma ave barulhenta e muito sociável

Quem já viu um grupo de maritacas passando pelo céu sabe que discrição não faz parte da personalidade delas. As aves costumam viver em bandos e se comunicam o tempo inteiro por meio de vocalizações altas e constantes.

Inclusive, o próprio nome tem relação com isso. Segundo o WikiAves, a origem da palavra vem do tupi e faz referência a “ruído” ou “barulho”.

Além de sociáveis, são aves extremamente curiosas. Muitas conseguem se adaptar a áreas urbanas, frequentando árvores em cidades e até visitando sacadas e quintais em busca de alimento.

A liberdade continuou sendo prioridade

Apesar das visitas frequentes, Aline deixou claro que o objetivo sempre foi devolver a maritaca à natureza.

“E toda vez que escolhe voltar, lembra que o cuidado fez parte do caminho, mas a liberdade sempre foi o destino”, escreveu.

A ave vai e volta porque quer, mantendo sua rotina livre.

O que fazer ao encontrar uma ave ferida

Casos como esse também levantam dúvidas importantes sobre como agir ao encontrar aves machucadas.

Segundo orientações da Sociedade Nacional Audubon, a primeira atitude deve ser observar a situação com calma antes de tentar intervir.

Em alguns casos, principalmente quando se trata de filhotes, o melhor é não mexer. Muitas aves jovens passam um período no chão enquanto ainda aprendem a voar e continuam sendo alimentadas pelos pais.

Já quando a ave apresenta ferimentos, dificuldade para ficar em pé ou incapacidade de voar, o ideal é colocá-la em uma caixa ventilada e mantê-la em um local tranquilo até conseguir ajuda especializada.

A recomendação é usar uma caixa de papelão ou saco de papel com pequenos furos para ventilação e algumas folhas de papel toalha no fundo.

Especialistas também alertam para nunca tentar oferecer água ou comida sem orientação, já que isso pode piorar o estado do bichinho.

O mais indicado é procurar rapidamente um centro de reabilitação de animais silvestres ou órgãos ambientais da região.

Ataques de gatos

No caso da maritaca resgatada em Nhandeara, a suspeita era de que a ave tivesse sido atacada por um gato.

Especialistas explicam que mesmo pequenos ferimentos causados por mordidas ou arranhões podem ser graves para aves, já que bactérias presentes na saliva dos gatos podem causar infecções severas.

Por isso, aves atacadas precisam de atendimento rápido, mesmo quando aparentemente conseguem se mover.

A Sociedade Nacional Audubon também recomenda manter gatos domésticos dentro de casa sempre que possível, principalmente em períodos de reprodução de aves silvestres.

Larissa é jornalista e escreve para o Amo Meu Pet desde 2023. Mora no Rio Grande do Sul, tem hobbies intermináveis e acha que todos os animais são fofos e abraçáveis. Ela se formou em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo e é “mãe” de duas gatas.